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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Sensibilidade e bom senso

Dou por mim a refletir sobre a físico-química cerebral da sociedade que, do ponto de vista das artes -veja-se a pintura, escultura, música - revelavam uma sensibilidade ímpar, mas que admitia comportamentos que hoje classificamos como desumanos.

Como um código secreto

- Mamã, porque é que os pronomes são pessoais?
- Porque se referem a pessoas...
- Ah, está bem. Pensei que fossem privados ou assim.
- Assim como?
- Como o código secreto dos cartões. É um código pessoal, não é?

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Parece impossível!

Então não é que os filhos da Madonna pisaram a relva de Seteais?! E com os avisos ali à vista de todos!



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Da espera, do esperado e da esperança




Esfregou as mãos vigorosamente e estalou os dedos que, poucos segundos depois, traçariam o destino de dois homens, um deles bom. Passados tantos anos duas palavras bastariam para que o outro tombasse e não mais se erguesse, assim o decidisse: Liminarmente indeferido!
***
Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas descendia de uma família tradicional de proprietários abastados do interior do país, cuja fortuna porém, em tempos incalculável, se dissipava a cada geração, por força de sucessivas partilhas por fratrias numerosas.
Quando a altura chegou, sem surpresa e como era esperado e costume na sua família, por ser o terceiro filho varão, Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas foi enviado para o seminário de Viseu. Levou consigo apenas as roupas constantes da espartana lista de enxoval, obrigatoriamente identificadas com as iniciais do seu nome, que não estranhou, em sua casa as roupas eram marcadas com as iniciais do nome de cada filho para que se não confundissem na hora de as distribuir pelos respetivos armários, e um retrato da mãe, que guardava com devoção debaixo do colchão e que beijava todas as noites antes de adormecer lavado em lágrimas de saudade, motivo de chacota pelos colegas mais velhos. Ah, como invejava a sorte dos irmãos, os dois mais velhos na boémia de Coimbra, para onde foram mandados para estudar, como era suposto, um, medicina, o outro, direito, bem como das irmãzinhas mais novas que agora recebiam em exclusivo os carinhos e afagos da Mãe. Aceitou, resignado, a decisão dos Pai, era assim que tinha de ser e Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas tinha sido educado, desde muito cedo, que de um homem bom se esperava que fizesse o que tinha de ser feito, mesmo que sem vontade, e na sua família o terceiro filho seria Bispo, como era o tio e tinha sido o tio-avô. Poucos dias passaram para que no seminário todos os tratassem por Chorão. A Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas revoltavam-se as entranhas de cada vez que o zombeteiro-mor, anémico e com voz de pífaro, protegido do Reitor, o chamava pela alcunha.  
- Mil vezes Chorão a PALERMA! Sim, PALERMA! Faças o que fizeres nunca passarás de um grandessíssimo PALERMA, Pompeu Athayde Lacerda Espinosa Reboredo Menezes d'Almeida. PALERMA! PALERMA! PALERMA Mil vezes PALERMA, tantas quanto o monograma que trazes nas roupas mostram! – gritou enquanto desferia com todas as suas forças uma saraivada de murros no rosto pálido e magro de Pompeu Athayde Lacerda Espinosa Reboredo Menezes d'Almeida.
Na manhã seguinte, bem cedo, o Pai chegaria ao seminário para o levar para Ílhavo, a casa de um seu amigo de infância, guarda livros na Fábrica de Louça que, sabendo do quid pro quo no Seminário, assim lhe chamou, imediatamente manifestou interesse em formar o jovem Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas nas artes do diário, razão e balancete. Soube mais tarde, pelo irmão, que Pompeu Athayde Lacerda Espinosa Reboredo Menezes d'Almeida, acabaria também ele por abandonar o Seminário meses depois, por motivos que nunca foram tornados públicos,  vindo a formar-se em medicina, ortopedia, se a memória o não enganava.
Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas estudou de noite, trabalhou de dia, e quando completou o curso comercial concorreu a uma vaga na repartição de Finanças de Aveiro e por lá fez toda a sua carreira, deixando para trás aquele triste episódio que manteve em segredo. Acompanhou-o toda a vida, porém, a profunda aversão a monogramas, anagramas, siglas e acrónimos. Por isso, guardando máximo sigilo quanto às suas motivações, permitindo-se uma vez na vida fazer algo que não o esperado, fazia questão de mandar bordar o nome completo no interior de todos os seus casacos.
***
Largou o telefone, fechou os olhos, comprimiu os ossos do nariz com força e suspirou pesadamente. Conhecedor dos cada vez mais frequentes acessos de fúria de Catarina Constança de Abigaíl e Melo Vasconcelos de Paes Gouveia Albuquerque, injustificados, é bom de ver, que Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas era um homem bom e como um bom chefe de família habituado a fazer o que deve ser feito, permitira que a mulher ficasse, despreocupada, em casa a tomar conta das crianças e das minudências do lar, poupando-a aos horários rígidos e responsabilidades de quem trabalha por conta de outrem, dedicando o seu tempo livre às artes finas da agulha, como era espectável que uma senhora de bem se dedicasse e, procurando em cima a mesa  serviço que lhe permitisse adiar o regresso a casa o mais que pudesse, pousou primeiro  os olhos e depois a mão no envelope azul.
Abriu-o devagar e releu o requerimento manuscrito cuja caligrafia lhe era vagamente familiar:
                       Exm.º Senhor Chefe da Repartição de Finanças
Pompeu Athayde Lacerda Espinosa Reboredo Menezes d'Almeida vem mui respeitosamente requerer…
Tirou a caneta que guardava no bolso interior do casaco, leu o seu nome bordado a linha de seda cor de sangue por Catarina Constança de Abigaíl e Melo Vasconcelos de Paes Gouveia Albuquerque, Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas, e sem hesitar escreveu com pulso firme e seguro o despacho que tinha de ser proferido.
Solicita-se autorização superior
E assinou
Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Felizes os que acreditam

- Ai, mamã, estou tão ansiosa por sexta-feira!
- Então?
- O professor de música vai dar a nova lista do coro. Achas que este ano vou ter vaga?

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Da consciência da finitude e dos nomes bordados no interior dos casacos

A pele curtida do sol dava-lha mais 20 anos do que aqueles que realmente tinha e a camisa coçada do sol colada ao corpo seco, ossudo e suado deixava adivinhar a corcunda precoce de quem desde os 10 anos carregava sobre os ombros frágeis o peso do mundo, primeiro a puxar, com os bois, as redes de pesca, depois tijolo de burro e baldes de areia, quando construíram a lota nova. Quando fez dezasseis anos fartou-se do mar e emigrou. Ficou pouco tempo, a França não era para ele, tinha fome, frio, lembrava-se que na praia nunca lhe faltou o que comer e o cunhado dizia-lhe que quando abrissem a estrada nova iam precisar de madeireiros. Depois de trinta e cinco anos a cortar pinheiros e a desmatar, os médicos disseram-lhe que a coluna não aguentaria muito mais tempo, que depois de operado teria de mudar de vida, reformaram-no e ele passou a limpar uns terrenos, "para a morte não vir tão depressa". "Ó engenheiro, não tinha de cá vir de propósito, pagava depois. Então, o que me diz? O sacana deu luta mas veio abaixo, não foi mais teimoso que eu. Tem aqui lenha para meia dúzia de invernos". Dobrou o cheque sem o ler e guardou-o no bolso da camisa, "Carago, anda um gajo a matar-se uma vida para comprar um fato, que é a única coisa c'a gente leva" 


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Porque me arrogo o direito de

em período de férias ter a minha própria agenda, e não a que me impõem,  de não querer discutir nos blogs o sexo dos anjos, que nem neutro é, pois que não o têm, ou os incêndios, ainda menos com pessoas que do assunto percebem tanto quanto eu de um lagar de azeite, ou os gémeos do Cristiano, de me sentir frustrada quando numa reunião com um nosso governante percebo que por apoio à industria exportadora se entende formas de financiamento (e recurso a crédito), de supor que a Indústria 4.0 não passa um nome pomposo num país onde basta olhar para os cartazes das candidaturas às nossas autarquias para perceber que não há fosso entre o litoral e o interior, que é tudo uma miséria pegada e, acima de tudo, o direito de querer ver esclarecida a minha dúvida sobre nomes bordados no interior dos casacos e de fazer dos blogs o uso que bem entender...

... para gáudio dos meus anónimos, deixo aqui a minha herege consagração a Pipoco Mais Salgado, na esperança de que, mais de uma semana volvida sobre a publicação do post, alguma alma caridosa me esclareça as dúvidas sobre aquilo dos casacos bordados. 

Ó Senhor meu, ó meu Senhor

Eu me ofereço toda a Vós
E, em prova da minha devoção para convosco,
Vos consagro, neste dia,
E  para sempre,
os  meus olhos, meu ouvidos,
minha boca, meu coração e,
inteiramente, todo o meu ser:
e por assim sou vossa,
Ó incomparável Pipoco,
Guardai-me, defendei-me
Como coisa e propriedade vossa.
Lembrai-vos que vos pertenço,
Terno Pipoco, Senhor nosso;
Guardai-me e defendei-me
Como coisa própria vossa
 
Salvé, Pipoco, Blogger de misericórdia, 

vida, doçura, esperança nossa, salve! 
A Vós bradamos, os degredados filhos da bloga. 
A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. 
Ei-lo, pois, advogado nosso, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E, depois deste desterro, nos mostrai a luz, benditos ensinamentos de Vosso blog. 
Ó clemente, ó piedoso, ó Mais Salgado Pipoco. 
Rogai por nós, Senhor Pipoco, para que sejamos dignos das Vossas promessas.

Amen.

Da neutralidade...

Era uma vez uma corrente de supermercados tão neutra, tão neutra, tão neutra, que nas embalagens de  produtos gregos em que era usada uma fotografia de Santorini decidiu apagar as cruzes na cúpula da Imerovigly Anastasi, uma igreja ortodoxa, para não ferir susceptibilidades.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um grande bem haja ao senhor GNR

... Que teve o tato de chamar "papéis avulso" ao monte de entulho que a pessoa faz transportar na sua carteira.
Parecendo que não, uma mulher já fica suficientemente abalada quando, já no conforto do seu lar, percebe que deixou a carteira num tasco perdido no Alentejo profundo e que lá tem de regressar no dia seguinte para a recuperar, não precisa de mais nenhum castigo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Festival do verde tinto

É uma da tarde e já queimei, à vontadinha, seis semáforos amarelos. Ontem não foi muito diferente.
Estou tão tramada.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O ser humano tende ao limite da incompetência*

Esta tarde enviei sete e-mails com um único propósito: pedir a retificação do nome constante numa fatura/recibo.
Do outro lado enviaram faturas com todas as combinações possíveis para o nome que queria (com apelidos trocados, sem apelidos, com apelidos certos mas sem nomes próprios, com os nomes próprios trocados, enfim...). No sexto e-mail pedi expressamente para fazerem copy+paste do nome que indiquei. Nem assim acertaram.
Às sete da tarde enviei o sétimo e-mail, com conteúdo semelhante ao sexto. Decidi não esperar pela resposta. Veremos que surpresa me reserva a caixa de e-mail para amanhã.



*desconheço o autor, mas sou forçada a dar-lhe razão.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dieta mediterrânica, pois sim

Uma semana na Grécia, submetida a rigorosíssima dieta autóctone e não vi nada. Ou melhor, ver até vi, só não foi o que queria.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Preconceito ou talvez não

- Não consigo perceber aquela gente que anda de pernas escancaradas e com os pés em cima do tablier do carro. Além de feio não deve dar jeito nenhum.
- Deve ser um hábito que lhes ficou de quando só andavam de carroça.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Foi você que pediu um Lamborghini roxo?*

"Você tem aquilo que não se vende na farmácia, tem a inteligência e atitude que queremos. Queremos que se sinta blindada connosco e sei que vocês, mulheres, dão muita importância à questão física, de maneira que se sentir alguma fragilidade nesse campo, estamos dispostos a dar-lhe umas horas, uma manhã, uma tarde, o tempo que você entender que precisa de gastar de gastar em estética, cabeleireiros, ginásios, ou os tratamentos que vocês gostam, para que se sinta invencível."





*Aproveitamento descarado da ideia de Pipoco Mais Salgado e do anúncio do Porto Ferreira.

sábado, 8 de julho de 2017

Se isto não é a melhor tradução de sempre, não percebo nada de traducoes


Bom dia querido,

Desculpe-me muito por entrar em você, de repente, considerando que não
nos conhecemos antes e rezei antes de entrar em contato com você, por
amor de Deus, não vejo meu correio como um constrangimento e também
devido à fraude no mundo, as pessoas fazem Não gosta de ajudar aqueles
que são reais, mas acredito firmemente que o jejum e as orações que
fizemos me enviarão um ajudante pela graça de Deus, eu estou
escrevendo você porque tenho um problema em que preciso da sua sincera
ajuda e, por favor, não seja Surpreenda ou ignore meu e-mail porque
você é a pessoa certa para esse propósito. Meu nome é Ange Paul 22
anos, garota da Costa do Marfim, eu sou a única filha dos meus pais
atrasados. Meu pai era muito rico cafe e fazendeiros de cacau também o
ex-diretor de setor agrícola no meu país, ele foi envenenado até a
morte por seus colegas de trabalho durante uma de suas reuniões de
negócios.

Antes da morte de meu pai em março de 2015 em um hospital privado aqui
no meu país, ele me chamou secretamente no lado da cama doente e me
disse que ele tem a soma de sete milhões e duzentos mil dólares ($
7.200,000.00) deixados em suspenso fixo Conta em um dos principais
bancos aqui no meu país e ele usou meu nome como sua única filha para
o próximo Kin no depósito do fundo. Ele também me explicou que foi
devido à sua riqueza que ele foi envenenado por seus parceiros de
negócios em colaboração com nossos parentes familiares.

Querido, devido ao consequente ciúme e ódio, meus parentes familiares
se desenvolveram no meu atrasado pai sobre suas riquezas, meu falecido
padre me aconselhou a procurar um parceiro de negócios estrangeiro em
um país de minha escolha onde eu vou transferir esse dinheiro e usá-lo
para Fins de investimento.

Por favor, eu estou buscando honrosamente sua assistência das
seguintes maneiras:

(1) Para fornecer uma boa conta bancária que esse dinheiro seria
transferido para
(2) Para servir como um guardião deste fundo desde que eu ainda tenho
que completar minha educação.
(3) Para me arranjar para chegar ao seu país para garantir uma
autorização de residência e continuar minha educação.

Assim que recebo sua resposta urgente indicando seu interesse em me
ajudar a transferir com sucesso o dinheiro para uma conta em seu país,
eu lhe darei todas as informações necessárias que você precisará para
transferir o dinheiro. Finalmente, estou disposto a oferecer-lhe 20%
do total de dinheiro como modo de compensação por seu esforço por me
ajudar com este pedido humilde, espero que esta transação seja
concluída no mínimo sete dias porque minha vida está em perigo Dos
parentes da minha família.

Impatientemente esperando para ouvir a resposta do seu acordo.

Com os melhores cumprimentos
Ange Paul.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Depois uma pessoa decide que hoje vai almoçar à praia para reservar o toldo para a temporada

Acorda cedo para despachar as pendências durante a manhã. Ainda às escuras e sem abrir as janelas veste aquela túnica azul e as calças brancas, só para incorporar o espírito de praia, sai de casa e vê um céu de chumbo, mas acredita piamente que a sua roupa há-de chamar o sol e está há quase duas horas a despachar serviço, ignorando o dilúvio que se abate sobre a cidade. O almoço há-de ser na praia, ai há-de, há-de.

Se calhar não era mal pensado trocar o toldo na praia por uma arca de Noé.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Algures em Portugal

Há uma gerente de supermercado que, ainda a esta hora, segura o queixo caído de estupefação, perante a cliente que, pouco antes da hora de fecho do dito supermercado, lhe chega com um pirex com um lombo de salmão assado ainda a fumegar e lhe garante que o peixe, ali comprado há menos de uma hora, como provava com talão de compra e saco de plástico sujo, não podia estar em condições, que estava intragável.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Leitores da área da apicultura e escafandristas em geral, aproximem--se, por favor

Tenho a Mironinho a fazer cortisona por conta de uma picada de inseto que não conseguimos identificar e que lhe causou uma reação alérgica severa. Pobrezinha, se tem levado dois murros não teria os olhos tão inchados.

Tendo em conta que o verão ainda agora começou, a pergunta que vos faço é só uma: os vossos fatos vendem-se em tamanho 7 anos?

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Que grande cabrão! *

* ou felizmente tenho uma filha a quem posso imputar estes factos que me permitem participar na corrente "título do car*****".

Tenho uma coisa de pele com os palavrões, um bloqueio interno que me causa arrepios e um nó na garganta. Mesmo que os pense, que penso, oh se penso!, não consigo vocalizá-los. Não consigo dizê-los e não gosto de os ouvir, ainda que, segundo os entendidos (há entendidos no métier de bem "palavronear"?), sejam ditos na hora e na medida certa. Não percebo como há quem goste de os dizer quando temos a língua tão rica. Por muito que tente, um palavrão soa-me sempre e só a grosseria gratuita, é uma limitação que tenho. Mas sou feliz assim.
Nunca ouvi os meus pais ou avós dizerem um palavrão, não cresci num meio onde se dissessem palavrões, de maneira que desde sempre me senti desconfortável quando na escola comecei a ouvi-los.
Filho és, pai serás, tal como fizeres, assim encontrarás. A Mironinho também nunca ouviu os pais ou familiares directos dizerem palavrões e, talvez por isso, tenha uma aversão a palavrões tão grande quanto a minha e me conte, escandalizada, que um colega disse e "palavra do p.", e até já tenha recusado brincar num parque infantil porque alguém grafittou a "palavra do m".
Não tendo em casa quem diga palavrões e sendo que o léxico dos colegas, felizmente, também é muito reduzido nesse campo, existem palavras que ela não reconhece como palavrões.
Há uns anos, durante um almoço de domingo, com a família toda reunida, contava entusiasmada que tinha ido com os colegas a uma quinta pedagógica. Falou sobre as galinhas e patinhos, iguais aos do avó, falou do burro, da vaca, dos cavalos, dos porquinhos, que cheiravam muito mal!
- ... mas o animal mais malcheiroso sabem qual era? O cabro!
- Não é cabro, Mironinho.
- Pois, era um cabrão! Era tão grande!

Diplomacia, a quanto obrigas

Uma pessoa das minhas relações profissionais, e que pretendo manter apenas nessa qualidade, depois de saber que não tinha nenhum compromisso para domingo à tarde, endereçou-me um convite emocionado para participar num lanche que vai dar para os amigos por ocasião do Eid al-Fitr, celebração do fim do Ramadão. Sei que o convite é sentido, mas, independentemente das convicções religiosas que nos separam, tenho muito pouca vontade de comparecer.
Vou ali ensaiar uma resposta e já venho.

domingo, 11 de junho de 2017

Uma no cravo e outra na ferradura

Depois, lendo o post da Picante, avalio mentalmente a minha prestação enquanto educadora quando a minha filha me interrompe os pensamentos.
-Mamã, alguns meninos da minha sala gozam com o Diamantino porque ele diz que às vezes brinca com as bonecas da irmã. Eu acho mal, mamã, cada um brinca com os brinquedos de que gosta e ninguém tem nada a ver com isso.
Sorrio e penso que sim senhora, estou a fazer um bom trabalho, estou a educar a minha filha para a tolerância e para o respeito, e ela continua:
-Mais! Os meninos que gozam com o Diamantino sonham ter um descapotável quando forem grandes. Um descapotável?! Por favor, isso é carro de menina! A Barbie tem um descapotável, as Barriguitas têm um descapotável! Eu não sei como é que há homens que gostam de descapotáveis!

E pronto,  voltamos à estaca zero.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Na verdade penso que me devia inteirar melhor dos conteúdos programáticos do 2.o ano do ensino basico

Se assim fosse não andaria há horas consumida com uma pergunta que a Mironinho me fez:
- Mãe, que palavra é que começa por um D e acaba em sexual que é quando os machos são diferentes das fêmeas? Assim tipo os pavões, os pavões macho são muito diferentes das fêmeas.
- Sei lá! Onde é que ouviste isso?
- Foi hoje, na aula.




Alguém faz o favor de me elucidar?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Selinho Blog em Bom - chancela Pipoco Mais Salgado



Quiseram os blogodeuses - na verdade quis Pipoco Mais Salgado - que a minha entrada oficial no admirável mundo dos Blogo-selinhos se fizesse pela porta grande, que é como quem diz pela atribuição do Selinho Blog em Bom. Qual cartão de militante jotinha, qual quê, ESTE é o selinho que nos abrirá todas as portas que importam. As que não importam terei de abrir com uma chave (um cartão de crédito ou uma radiografia também dão muito jeito nos filmes), eventualmente uma gazua, um pé de cabra ou toco a campainha e aguardo que abram (algo que pode levar uma eternidade ou nunca acontecer).

Assim, e por forma a poder ostentar tão distinta chancela no meu blog, atestado incontestado de blogo-qualidade e sinal inequívoco de saudável blogo-união e espírito de camaradagem à antiga, devo eleger de forma fundamentada o Blog em Bom que desejaria que fosse meu e, concomitantemente, desafiar outros cinco blogs a participarem em igual exercício. Depois resta-me esperar que alguém me tenha eleito Blog em Bom que desejava que fosse seu (parece-me ser esta eleição a condição sine qua non para atribuição do requintado e sóbrio Selinho Blog em Bom. Esta informação não dispensa a leitura do folheto informativo AQUI).

Posto isto, se eu tivesse um blog mesmo em bom teria o blog Pipoco Mais Salgado para começar sempre - e tudo - pela sobremesa e ter o Joe Dassin como sidekick.

Desafio os seguintes blogs (em muito, mas muito bom lugar no meu coação) a elegerem o seu Blog em Bom:

https://pipocamaispicante.blogspot.pt/

http://aserioputo.blogspot.pt/

http://osenhorministro.blogspot.pt/

http://pasmesequempuder.blogspot.pt/

http://www.osexoeaidade.com/








terça-feira, 30 de maio de 2017

Que maçada

Sinto que devia vir aqui dizer-vos que ando ocupadíssima, que há imensas coisas novas a acontecer na minha vida que quero partilhar convosco e que infelizmente não posso fazê-lo por falta de tempo para isto dos blogs, mas os factos desmentem-me.
A verdade é que todos os dias reservo perto meia hora da minha manhã para visitar e quase sempre comentar os blogs da minha lista e outros tantos que guardo só para mim, e que na minha vida está a acontecer o mesmo que acontecia há um ano, há dois e há três.

E é tão bom que assim seja!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A culpa é toda do sujeito que me deu um chá de cadeira de duas horas sem ter tido a decência de avisar que estava atrasado

ou:

soubessem os "inchados de vaidade" pela estadia de Madonna em Portugal e a eventual compra de casa em Lisboa que esta pode estar a preparar, a imagem de subserviência e provincianismo* que transmitem, pintavam a cara de preto e enfiavam-na num buraco escuro para de lá não mais a tirar.



* palavra que consta da minha lista de antipatias preferidas


terça-feira, 23 de maio de 2017

Dos males que vêm por bem

Desconfio que o meu vizinho tem uma parafilia qualquer que envolve martelos, berbequins e bricolage em geral. Também terá uma outra ligada à pirotecnia. Muito foguete se lança do terraço daquele apartamento, meus amigos. Adiante.
De há um ano e meio para cánao há semana em que não seja brindada com tum-tum-tuns, brrrrrrrrrooooooooooos, toc-toc-tocs e ziiiiiiiiiiiins ao fim do dia (o senhor trabalha, só tem aquele pedacinho antes do jantar para bricolar).
No último sábado achou por bem instalar uma pérgula no terraço, que os dias que aí vêm pedem refeições ao ar livre e uma bebida fresca ao fim do dia. Furou, martelou, aparafusou durante uma tarde inteira. Tudo muito bem, não fosse um dos furos ter aberto uma racha no tecto da minha sala.

Calha bem que andava com ideias de pintar a sala. Sendo assim vou enviar-lhe os orçamentos que pedi esta manhã.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mães de quatro ao Parlamento para ovação de pé, já!

No fim de semana ofereci-me para ficar um dia com os meus sobrinhos. À Mironinho, de sete anos, juntaram-se duas primas de treze e onze anos e um primo de dois anos, este último em pleno desfralde.

Onde é que eu tinha a cabeça?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Neste pequeno jardim à beira-mar plantado

Bruno de Carvalho anuncia que vai encerrar a sua página no Facebook e isso é notícia em todas as estações televisivas.





E agora quem vai alegrar o meu feed?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Será que o país aguenta?

Vamos lá, muita coragem nesta hora, que vem aí a primeira semana "completa" desde a Páscoa.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Em boa hora decidi ter um blog sobre nada

... assim poupo os leitores, não lhes dando a conhecer o muito que haveria de escrever sobre as cadeiras amarradas às grades para reservar o melhor lugar no Santuário de Fátima na próxima visita papal.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

mas o melhor do mundo é ...

Rrrrrrrrrrrrr, tambores a rufar, rrrrrrrrrrrr

O pai do menino que hoje ia a entrar na escola quando fui levar a Mironinho!

- Pai, o que é que tu és?
- Sou o quê?
- Aquilo do teu trabalho, para eu dizer aos meus amigos. És um super quê?
- Supervisor?
- Isso! Supervisor!





terça-feira, 9 de maio de 2017

Ah, a cumplicidade entre mãe e filha

Enquanto jantávamos só as duas;
- Sabes mamã, há coisas que só te digo a ti e há coisas que só digo ao papá.
- A sério? E que coisas são essas que só dizes ao papá?!
- "Quando acabares posso ser eu a jogar?".

Tão parvinho, benzódeus, e que o conserve assim por muitos anos

Comentei há dias com Mr Mirone que acho o tratamento por "jovem" que algumas pessoas usam uma parolice pegada. Desde então para cá não se dirigiu a mim de outra forma senão por "jovem".

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Reinvente-se a sinalética

- Mãe, sabes uma coisa muito tonta que eu pensava quando tinha três anos? Pensava que os lugares de estacionamento das pessoas com cadeira de rodas eram para as pessoas que estavam muito aflitas para ir à casa de banho.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Eu própria estou tentada a adquirir um papagaio

A Palmier lançou o movimento e a Pipoca mais Doce aderiu. Agora chegou a vez de Bagão Félix. Surpreendente!
Aguardo com entusiasmo a fotografia oficial do nosso Presidente da República.

Uma estranha aversão, a roçar a repulsa visceral

O vídeo de promoção do aniversário da Sic, em que várias figuras ligadas ao canal cantam o seu hino, indispõe-me de uma forma que não consigo explicar. Ontem consegui vê-lo até ao fim. A aversão agravou-se.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

As coisas que uma pessoa aprende numa sala de espera

Parece que Tony Carreira não se sente nada confortável com a ideia de ser chamado avô e por isso vai ensinar a neta a tratá-lo pelo nome, Tony.
Tony?! Tony é o que lhe chamam as fãs! Se pode escolher o nome que a neta lhe vai chamar, vai escolher Tony? António é um nome tão mais bonito.

domingo, 23 de abril de 2017

Mais de sessenta anos depois repôs-se a verdade.

Encontrando-se longe de casa em comissão de serviço, Hipólito escreveu a Teresinha a queixar-se das muitas saudades que tinha das filhas e a pedir-lhe que lhe mandasse uma fotografia da Rosarinho e da Leninha.
Decidida a atenuar o sofrimento do marido entendeu Teresinha fazer-lhe uma surpresa. Escreveu à sogra, minhota, pedindo-lhe que lhe arranjasse dois trajes de mordominha para vestir às netas que queria fotografá-las de forma a honrar as raízes das pequenas e surpreender o marido. Umas semanas depois os trajes chegaram, Teresinha embonecou as filhas com esmero e apresentou-se no estúdio de fotografia. A fotografia seguiu pelo correio e dias mais tarde veio a resposta quase telegráfica de Hipólito a agradecer a fotografia das filhas. Durante anos a fotografia do 'orgulho minhoto' esteve guardada numa gaveta junto de cartas de família e postais ilustrados. Depois da morte de Hipólito e Teresinha, Rosarinho decidiu resgatar a fotografia e trazê-la à luz do dia, para fazer companhia a outras fotografias antigas que tinha penduradas na parede. Fez as delícias da família alargada e amigos durante muitos anos, afinal de contas ninguém resiste a duas minhotinhas amorosas e bochechudas.
Até ao dia em que a namorada do filho mais novo de Rosarinho, nascida e criada em Viana do Castelo, bateu com os olhos na fotografia.
- Ooooohhhh, que mordominhas tão lindas, quem são?
- Sou eu e a minha irmã, com quatro e dois anos. A minha mãe quis vestir-nos de minhotas para fazer uma surpresa ao meu pai.
- Ah! Então foi por isso que vos vestiu os coletes ao contrário?

sábado, 22 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

But I am just so amazed to witness true love

Quando saí da Conservatória cruzei-me com um cortejo matrimonial do mais piroso suis generis que possam imaginar que ia a entrar. No meio de tanto pechisbeque, cetins e cabelos com brilhantina, os noivos pareciam-me genuinamente felizes e apaixonados. Comove-me a felicidade em estado puro.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Voltei à loja de molduras

Que me queria cobrar 130 euros para fazer uma moldura para uma tela de 15x15cm.
- Sim senhora, xodôna Mirone, fica muito bem. Acabei hoje umas serigrafias do Júlio Pomar com uma moldura igual, ora venha cá ver.
- Júlio Pomar? Não parece nada... mas eu não conheço assim tão profundamente o trabalho dele.
- Ah, pois é, esqueça! Este é do Murillo, aquele rapaz muito conhecido casado com aquela Raquel das revistas, bonitona.






Se um dia inventarem uma máquina de fazer molduras que não necessite de interação humana avisem-me.

Nós cá vamos andando

Com a cabeça entre as orelhas mas com uma vontade louca de a ter na almofada.
Vão por mim, meus amigos, que vos não quero senão bem. Fujam de férias descansadas, daquelas boas mas boas, como o diabo foge da cruz. Podendo, fujam um pouco mais. Está bem que férias assim vos poupam as arrelias das notícias sobre a garotada finalista y sus madrecitas, das quais soube por aqui (que mais se passou?), é certo que dormem quanto querem, mas a verdade é que o vosso trabalho não se faz sozinho e encaixar numa semana o trabalho de quase três não dá alegria a ninguém.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Déficit de atenção

Era suposto aproveitar a hora de almoço para ir comprar uns ténis. Regressei com um par de sabrinas, duas écharpes, um fato de banho e zero ténis.

Talvez seja prudente adiar um dia a ida ao supermercado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Agricultores e botânicos, elucidem-me, por favor

É possível que estas sejam flores de cebola? Pelo cheiro tudo indica que sim.
De que outra forma se explica que o bibe da Mironinho, de cujo bolso retirei este tesouro, cheire tão mal?

Por ocasião da Páscoa, uma estorieta sobre os ovos e as galinhas e a (in)certeza a sua existência...

A carta dirigida aos herdeiros do Paizinho chegou em Janeiro, quando menos se esperava, pouco antes de passar um ano sobre a sua morte, e informava-os de que havia por resgatar um prémio de seguro, cujo valor não se especificava, a favor dos seus herdeiros, solicitando o envio de alguma informação e documentação caso estivessem os mesmos interessados em recebê-lo. Lembrou-se então de um desabafo do Paizinho, pouco tempo antes de morrer,  e que na altura achou serem devaneios de um doente terminal que nos últimos tempos já apresentava alguns sinais de demência, sobre um tal fundo de quinze contos que subscreveu por ocasião da sua comissão de serviço na Índia, não fosse acontecer-lhe alguma desgraça e ficarem desvalidos a viúva doente e os dois anjinhos de colo que cá deixara. Afinal o fundo existia! Inchou-se-lhe o peito, como incha sempre o peito dos avarentos quando o assunto é dinheiro, brilharam-lhe os olhos míopes atrás das lentes grossas e apertou a carta no bolso do casaco. Quinze contos naquela altura, há mais de sessenta anos, era dinheiro. Mentalmente imaginou uma possível actualização monetária e concluiu que teria a receber uns bons milhares de euros. Dinheiro nunca vem em dia de jejum e aquele havia de ser só seu, que o irmão não precisava e o mais certo era a cunhada esterroá-lo em roupas e cabeleireiros.
Nessa noite martelou com entusiasmo as teclas do computador e redigiu a resposta à carta, que o Paizinho morreu viúvo, conforme cópia de certidão que juntava, e deixara apenas dois filhos, esta que escrevia e um outro com quem não tinha contacto, mas que estaria disposta a receber a quantia em causa e a envidar os esforços necessários para fazer chegar o quinhão devido ao outro herdeiro. Então não, coração? O irmão e sobretudo a toleirona da mulher que esperassem sentados, a lambisgóia a cunhada não haveria de ver a cor àquele dinheiro.
Quase quatro semanas volvidas chegou nova carta. Sentiu o peito crescer-lhe outra vez e os olhos pequenos a brilhar. Seria o cheque, um vale postal? Andaria o prémio muito longe dos seus cálculos? Rasgou o envelope apressada. Ah! Ora essa?! A identificação de todos as herdeiros? Habilitação de herdeiros?! NIF?! IBAN?! Pois se tão voluntariosamente se tinha disponibilizado para fazer chegar ao outro herdeiro o seu quinhão, para quereriam eles a sua identificação, NIF e IBAN?! Guardou a carta numa gaveta durante vários dias na esperança de entretanto encontrar uma solução para não ter de partilhar  o pecúlio. Talvez se falasse com um advogado, um padre seu amigo ou uma as muitas freiras as suas relações... Mas como lhes explicaria ela os seus intentos sem sujar a imagem de mulher séria e católica exemplar que a todo o custo fazia por passar? Conformou-se com a ideia de partilhar o prémio do seguro com o irmão e a peneirenta da cunhada. Meteu a carta no bolso e saiu de casa, desceu dois andares e tocou à campainha. Pediu desculpa por interromper o jantar, mas tinha chegado uma carta para o Paizinho, por causa de um seguro que fez quando foi para a Índia. Parecia que precisavam de umas coisas suas, nem sabia muito bem, achava que era para receber um prémio. Depois, quando pudesse, preenchesse aquela folha que tinha de se mandar para lá.


O dinheiro veio mais de um mês depois, acompanhado de uma declaração para efeitos fiscais. Foram-lhe creditados trinta e nove euros e doze cêntimos na conta. O irmão recebeu outro tanto.

sexta-feira, 24 de março de 2017

De toda a perfeição com que foi dotada

... destaca-se na Mironinho a perfeita corrente de motosserra que lhe nasceu no lugar dos dentes.
Hoje é dia de marcar consulta no ortodentista.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Louder than bombs

Aquele momento em que constatas que, em ocasiões e por motivos completamente distintos e nenhum deles relacionado com a diminuição das suas capacidades cognitivas, acompanhando os teus pais a uma consulta, os médicos falam mais para ti do que para eles.

Ainda não estou preparada. Eles também não.

terça-feira, 21 de março de 2017

Informação inútil que retenho

A Pizzaria Padrinho em Lamego tinha uma espécie de massa de frigorífico* chamada Macarronada à serra das Meadas.









*uma espécie e carbonara com tudo o que há no frigorífico.

sexta-feira, 17 de março de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Mas depois só me lembro do Leonardo di Caprio e do Titanic

Tenho tentado ouvir com atenção o que diz Geert Wilders...


Tentei fazer o mesmo com a Marine le Pen e é fácil perceber porque está tão bem posicionada nas sondagens. Será por dar uns ares de Helen Mirren?

segunda-feira, 6 de março de 2017

Aquilo dos sete anos de azar

Só se aplica aos espelhos, não é? Não se aplica, por analogia, a flutues e copos de vinho que por serem delicados e de grande valor sentimental, não quisemos lavar na máquina, alinhámos na bancada da cozinha para lavarmos à mão, e que inadvertidamente derrubámos com uma cotovelada,  num efeito dominó lindo, pois não?

É que assim de repente já me parece azar que chegue.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lá se foi o efeito relaxante

Tenho andado com umas dores aborrecidas no pescoço e um destes dias decidi aproveitar a hora de almoço para fazer uma massagem num SPA todo muito holístico-shangrila-lalala. Vou lá com alguma frequência e aquelas massagens, não fazendo bem, mal também não fazem, sempre são uns minutinhos de mimo que nos proporcionamos.
Por coincidência (foi o diabo, o diabo, como diria Ricardo Salgado), estava a decorrer uma espécie de open day, para apresentação de uns novos produtos, e propuseram-me que fizesse antes uma massagem corporal completa, de relaxamento profundo, com uma massagista nova. Em vez dos vinte minutos da massagem que tinha marcada, demoraria perto de uma hora, mas sairia de lá a sentir-me nas nuvens, asseguravam. Pois com certeza, venha daí a massagem corporal completa de relaxamento profundo! 
Do tempo todo que lá estive, demorei uns quarenta e cinco minutos a abstrair-me a musiquinha de fundo (barulhinhos de água a correr na natureza parecem-me bem mas dão uma vontade louca de... pois, um stress) e da ideia de ter uma tal de Svetlana a besuntar-me da cabeça aos pés (deve ser a parte da profundidade, só faltou perguntar-me se queria um happy ending, que constrangimento, meus amigos), mas lá para o fim pois que sim senhora, que isto é tudo muito bom, ai que relaxada me sinto, onde é que a Svetlana andou toda a minha vida? E que bem que cheiram estes produtos, que macia está a minha pele! Então diga-me lá, Svetlana, que produtos-maravilha são estes? 

Ronhonhó-ronhonhó-enzimas-ronhonhó-colostro bovino...


Mas porque é que eu pergunto estas coisas, porquê?











quinta-feira, 2 de março de 2017

Como o imperador Sérvio Sulpício Galba, bisneto de Quinto Cátulo Capitolino

A cozinha tinha três portas e uma só janela, sobranceira à pequena vinha. No topo das escadas que vinham da adega ficava uma porta que dava para um corredor largo que ligava o corpo principal da casa a uma casa de banho, quarto e sala com saída independente, que  Ramiro Ribeiro mandou construir quando a filha casou, na esperança de que esta não trocasse os saudáveis ares do campo por um apartamento na cidade, que ideia a tua, Belinha, a de comprar uma casa onde nem o chão nem o tecto são teus, se esta casa um dia há-de ser toda tua. Para trás das escadas ficava uma segunda porta que dava para a saleta, um quarto pequeno com uma alcatifa rosa-velho, condizente com o papel de parede e o sofá de veludo, uma camilha onde se tomavam algumas refeições ligeiras e que nas noites de inverno escondia uma braseira, um aparador onde estava a televisão e uma pequena mesa veladora que uma vez por mês recebia o oratório da sagrada família em périplo por todas as casas do lugar. A terceira porta dava para o corpo principal da casa.  Era uma cozinha ampla, forrada a azulejos brancos até meia altura, com móveis baixos pintados de cor de tijolo e tampos de pedra em todo o seu comprimento e uma mesa redonda no centro. Debaixo da grande chaminé havia espaço para o então moderno fogão com forno a gás e um velho fogão a lenha, de ferro esmaltado castanho, onde se faziam os assados de domingo.

Por aqueles dias faziam-se as grandes limpezas de primavera e preparava-se a casa para receber o compasso quando por alguma das janelas e portas abertas entrou na cozinha Sulpício, o gato da vizinha Celeste, uma pobre desgraçada que casou tarde, quando já ninguém a queria, com um borracho sem fé nem confissão, motivo suficiente para que o temente a Deus Ramiro Ribeiro, vindo da saleta após restauradora sesta no sofá, quisesse correr com ele à vassourada. Sulpício eriçava o pelo assustado, desviava-se como podia da ira de Ramiro, enquanto saltava de cima da mesa para as bancadas, derrubando o que se lhe interpusesse pela frente, em busca da janela por onde tinha entrado, mas não encontrou outra escapatória senão trepando a chaminé de ferro do velho forno a lenha que se estendia para dentro da chaminé de pedra.
Mãe do céu, o que vem a ser esta algazarra, Ramiro? Foi o tinhoso do Sulpício que aqui entrou mas deixa estar, Milinha, que já corri com ele. 
Dois dias se passaram, as limpezas concluiram-se, as janelas fecharam-se e de Sulpício nenhum sinal. Por duas vezes perguntou a vizinha Celeste pelo seu Sulpício, por duas vezes Milinha lamentou nada saber que era feito do bichano, duas vezes garantiu que haveria de perguntar ao marido se o tinha visto. Estás doida mulher, alguma vez fazia mal à criatura? Dei-lhe umas valentes vassouradas mas pela maneira como saiu a correr chaminé acima ia cheio de saúde.

O domingo de Páscoa chegou e logo pela manhã Ramiro saiu para colher folhagem dos lírios que cresciam ao fundo da vinha para juncar o caminho que ligava a rua à entrada da casa, e mostrar ao prior que naquela casa se desejava receber a benção do Senhor. Milinha atarefava-se na cozinha que a ocasião pedia um assado e a Belinha, agora de esperanças, devia estar a chegar com Alfredo. Abriu a porta direita do forno, deitou-lhe dentro pinhas, caruma seca, gravetos e cavacas, depois chegou-lhe um fósforo para acender o lume. Ora essa?! Mas será que ao fim de tantos anos logo hoje o fogão havia de começar a fumar mal? Ai que me fica a casa a cheirar a fumeiro. Espera que te digo, amarroto já uns jornais a ver se o fogo arrebita ou não. Ai arrebita sim senhor!
As chamas eram agora fortes, o calor haveria de fazer o fumo subir, não se chamasse ela Emília da Conceição. O calor e o fumo subiam pela chaminé de ferro, quando se ouviu um estrondo seguido d um miar assustado... Catapum, catapum,catapum, méoooooo!
Era Sulpício, o gato da vizinha Celeste que há três dias estava em imposto exílio, encavalitado no topo da chaminé de ferro, dentro da de pedra, temendo pela vida caso se cruzasse com a vassoura de Ramiro, e que agora se via expulso do seu esconderijo pelo fumo quente e denso.

Contou o senhor Ribeiro que regressava do fundo da vinha quando o viu sair da chaminé e correr como um foguete telhado fora.
Enquanto viveu contou a mesma história sempre que algum gato atrevido passou as portas da cozinha. Contou-a à Belinha, contou-a à filha da Belinha, e ainda viveu para contá-la à filha da filha da Belinha, que garante que se um dia tiver um gato há-de chamar-lhe Sulpício, como o gato voador que o bisavô fez trepar a chaminé da cozinha.


No animal was harmed in the making of this post.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Shhhh, shhhhhh, pronto, já passou

não há motivo para alarme, queridas sambistas da Mealhada (quem diz Mealhada diz Ovar, Sesimbra ou Loulé), o frio e chuva estão de volta, mesmo a tempo para o Carnaval.

A nível de propriedades hipnóticas, hão-de estar ela por ela

O ritmo cardíaco abranda, a respiração torna-se espaçada, esquecemos tudo o que nos rodeia, só queremos saber daquela chuva lenta de purpurinas...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Já tenho o material necessário

Segundo os meus cálculos, passíveis de revisão em alta, o disfarce da Mironinho, sem os acessórios que levará nas mãos, rondará os 5 kg.









A miúda pesa 27 kg.







Digam-me, se souberem...  Quais são as princesas que estão na berra?



A fé move montanhas, e a que a minha filha deposita nas minhas capacidades é inabalável

- Mironinho, de que é que te queres mascarar no carnaval?
- De princesa.
- Eish, de princesa não. Disso vestes-te tu todos os dias, já tens montes de vestidos de princesa. Escolhe outra coisa, uma coisa gira, original, um fato que mais ninguém tenha.
- Hummmm.... Gare do Oriente? Caldeirada de chocos?*




Assim de repente, mascará-la de princesa parece-me muito bem.










* Não me falou em Gare do Oriente nem caldeirada de chocos, mas o grau de dificuldade do fato que me pediu para lhe fazer anda lá muito perto.





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

E essas faturinhas, estão todas validadas?

Não vá um de vós andar mais distraído.

Na eventualidade de vos doer um pé, ou assim

Depois de reduzir a três o grupo de vestidos que a Mironinho podia levar ao almoço de aniversário (para seu grande desgosto o vestido de verão que levou ao batizado do primo, número um na sua lista de elegíveis, foi o primeiro a ser excluido):
- As sabrinas com este tempo? Calça antes as carneirinhas, ficas mais quentinha.
- Mas as sabrinas são azuis escuras como as meias, ficam melhor.
- Mas as carneiras também ficam.
- E se me doer um pé, ou assim? Tenho de ir à casa de banho, desatar os atacadores, tirar os sapatos, massajar, calçar e atar. Isso vai demorar muito tempo! Não sabes que é má educação ficar fechado na casa de banho durante o almoço?
- E a que propósito é que de vai doer um pé durante o almoço?
- Eu disse doer um pé ou assim, ou assim não tem de ser dor de pé.

Levou as sabrinas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Finalmente o mar cuspiu-me

Há uns anos, muitos, talvez quinze, farta de ficar horas na areia a ver os outros divertirem-se, decidi sem qualquer experiência acompanhar Arlindo Orlando numa sessão de surf com os amigos.  Nunca tinha pegado numa prancha senão para o ajudar a tirar ou guardá-la no saco e amarrar às barras do tejadilho, mas eu até nadava bem, éramos um grupo grande, seis ou sete, ia ser engraçado. O mar estava grande, gelado e partido, ia levar uma tareia pela certa, isto se alguma vez conseguisse  passar a rebentação para entrar. Levei. Lembro-me de uma onda grande que se partiu nas minhas costas e me puxou para o fundo e para dentro. Senti o esticão da prancha a puxar-me a perna para um lado e a onda a puxar-me para o outro. Terei ficado debaixo de água menos de um minuto, mas pareceu-me uma eternidade. Senti a areia grossa arranhar-me a cara e quando percebi para que lado ficava a superfície poupei as minhas forças e deixei-me andar embrulhada à espera que a onda que me levou me devolvesse. Devolveu.

Andei desde segunda embrulhada numa onda gigante, a suster a respiração para não engolir a água fria e salgada, com a areia grossa a arranhar-me a cara. A onda devolveu-me hoje.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Confirma-se...

Depois de uma espreitadela rápida às notícias já deu para perceber que efetivamente as pessoas foram mesmo ver as ondas de perto.
A TVI chama-lhes corajosos. Na Gafanha da Nazaré um desses "corajosos" está  desaparecido. A SIC decidiu perguntar ao capitão da Polícia Marítima de Cascais porque deviam as pessoas manter-se afastadas do mar. A resposta veio do mar, uma valente chuveirada.

Só não acerto no Euromilhões...


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Hummmm, isto anda tudo muito sossegado...

Aposto que a blogosfera anda a preparar o melhor dia dos namorados de todos os tempos, daqui a nada vão chover posts com as sugestões mais originais e as oportunidades mais vantajosas que já se viram.

Ou então não. Ou então não.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Porquê, se uma viagem ao Brasil nunca foi sequer equacionada?

O assunto "Amazonia y sus peligros" ameaça tornar-se um poço sem fundo. Esta manhã:
- Mamã, sabes que na Amazónia ainda há tribos de índios?
- Sabia.
- Gostava tanto de ver índios verdadeiros. Sabias que eles estão em vias de extinção?
- Sabia, mas estão a construir reservas para os proteger e há pouco tempo até descobriram através de fotografias aérea uma tribo que se pensava extinta.
- Era tão fixe poder visitar uma tribo dessas, mamã... Só é pena é que lá há tigres...
- Tigres na Amazónia?!
- Pois, não são tigres, acho que é panteras, ou outro bicho que come humanos. Já viste o que é que era ires à Amazónia para veres os índios e seres comida por uma pantera? Tenho pena dos índios, a terem de viver na Amazónia.





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ainda as piranhas

- É que eu vi uma fotografia onde estava uma senhora toda comida por uma piranha do lado direito.
- O lado direito? Todo?! Eh lá, grande banquete, espero que lhe tenha feito bom proveito, que ainda é uma quantidade grande de comida para uma só piranha.
- Bom proveito?! Bom proveito?! Mas como é que tu podes desejar bom proveito a uma piranha?! Tens noção que a senhora teve de morrer para a a piranha a comer?



Nunca digas nunca

- Mamã, onde é que há piranhas?
- No Brasil, no rio Amazonas.
- Ah... Então nunca hei de ir ao Brasil, não quero ser comida por piranhas.
- Mas podes ir ao Brasil sem ter de nadar no Amazonas.
- Pois, e onde é que tu pensas que os rios vão dar? Férias no Brasil? Nem pensar!

É mais saudável, dizem...

Nesta casa 250 gr de fiambre de frango dão para dois pequenos almoços e um lanche. Num exercício à António Guterres, se me puser a fazer as contas, a comer fiambre todos os dias, terei de comprar cerca de 3kg de fiambre por mês, 36 kg por ano. Assim de repente já não me parece tão saudável. Deixa cá fazer as contas se for com manteiga... ou queijo. Agora doce.

...



Está decidido, acabaram-se os pequenos-almoços nesta casa!




Não acabaram nada. Estava só a ensinar a Mironinho a multiplicar.




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Quem nunca?

... saiu de casa e passou uma boa parte do dia com o preço de um adereço (que pode muito bem ser uma écharpe lindona, macia e quente que só ela, não estou a dizer que fosse, mas assim lindona, macia e quente, mesmo) ainda pendurado e à vista de todos menos da própria, atire a primeira pedra.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Assim esquisito como tu

Quando estava a chegar a casa com a Mironinho cruzei-me com o pai de uma amiga, com quem troquei umas palavras de circunstância. Já em casa:
- Mamã, que idade tinha aquele senhor que tu cumprimentaste? Parece que tem noventa e tal anos.
- Não! Deve ter a mesma idade do avô, sessenta e tal, não chega a setenta.
- É esquisito. Assim esquisito como tu.
- Esquisito como eu?!
- Sim, tem uma idade muito diferente da que parece.

"Megia"

Transformar a pata traseira de um cavalo num presunto não é para todos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E se em vez de termómetros com temperaturas negativas...

... aqui pusesse uma fotografia do meu termómetro, à beira mar, com sol e a marcar uns confortáveis 36,1ºC?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A mãe chama-lhe andar com a cabeça à razão de juros

Saíres mais cedo porque tens de levar a tua filha ao médico e queres ir com tempo. Confirmares que tens contigo todos os seus documentos e cartões do seguro. Estacionares enfrente à clínica, oh yeah, lugarzinho catita, e só depois perceberes que não passaste na escola para a ir buscar.






Vá lá, era perto e estava com tempo.

Mas se fechar a minha conta no Facebook

... deixo de ter os comunicados do BdC em destaque no meu feed.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sabes que precisas de reavaliar a tua presença no Facebook

... quando uma das tuas amigas partilha um vídeo técnico sobre o parto de uma égua.

Preguiça é

Perder anos de vida em arrelias a tentar escrever uma mensagem em inglês por não me apetecer desativar a escrita automática do telefone.









(como se ela não me desse arrelias suficientes quando escrevo em português)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

... com caracóis

Depois de ler este post da Be, dei comigo a pensar na educação pelo exemplo que damos aos filhos e na forma como, mesmo sem querermos, lhes condicionamos a perceção do certo e do errado, do bom e do mau, do belo e do feio. Hoje foi assim, enquanto descíamos no elevador e lhe passava os dedos pelo cabelo.
- Tenho mesmo sorte, Mironinho, saíste muito melhor do que alguma vez imaginei. Acho que se te pudesse escolher não teria escolhido tão bem. Para mim és perfeita.
- Pois, tinha saído como a Isolda, com caracóis.
- Hã?
- Para mim a Isolda é perfeita, menos nos caracóis.

Com sete anos, a Mironinho acha que a perfeição de alguém depende da textura do cabelo e eu não posso deixar de estar magoada com o péssimo exemplo que lhe dou quando, todos os dias, faço por disfarçar os meus.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Xiiiii, coração!

Durante o almoço a televisão estava a passar o discurso do Presidente da República na cerimónia de apresentação de cumprimentos de ano novo por parte da delegação da Assembleia da República (presidente e vice, líderes parlamentares...).
Seguiram-se os cumprimentos físicos propriamente ditos. A saber, apertos de mão, beijinhos e abraços, até aqui nada de novo, portanto. Mas os abraços, meus amigos, os abraços! Caramba! Aquilo não eram abraços, eram muito mais do que umas pancadinhas nas costas, eram mesmo xi-corações, e dos bons! Bem apertados e esfregados. Houve ali momentos em o Presidente esteve a um passinho mínimo de apertar as bochechas a um ou dois deputados e dizer "coija mai boa do xeu pejidente". Isso ou levantar-lhes a camisa para lhes soprar na barriga. Só não o fez, aposto, porque houve meia dúzia de deles que não conseguiram disfarçar o claro desconforto.

Esta noite

Tinha meia hora para passar a ferro três toalhões de banho e duas camisas de Mr. Mirone que um cliente seu me deixou no escritório, ao qual não podia dizer que não porque era o seu maior cliente. Depois de ter descoberto um ferro no armário dos consumíveis tive de encontrar uma mesa livre para poder passar a roupa. A solução foi levantar parte da toalha que cobria a minha secretária, que estava transformada numa mesa para um aniversário infantil de não cheguei a perceber quem, porque entretanto descobri que estava atrasadíssima para o fim de semana com os colegas do nono ano numa quinta no Cartaxo, onde tinham recriado os balneários do colégio, impressionante, é que estão mesmo iguaizinhos, pensei. No pátio, junto a um muro de cimento muito feio, ajeitei-me no saco-cama ao lado das minhas amigas e comentámos satisfeitas como continuávamos iguais. E continuávamos!, as roupas e cabelos eram absolutamente iguais aos que usávamos há 25 anos. Os rapazes eram todos giríssimos e "actuais".

Estou cansada. E preocupada com o senhor que deixei pendurado na festa de aniversário montada no meu escritório.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

E o macaco da Lúcia Linda que não viesse à liça

- Fica em que nome?
- Mirone Mirone.
- Ah... é da Fernanda Filomena.
- Eeeerrrr.... depende, a minha sogra chama-se Fernanda Filomena, não sei se é a mesma... (Mau, querem lá ver que esta vez é a minha sogra que tem aqui um macacão para levantar).
- Ahahahaha! Pois, já sei quem é. É a senhora que  da outra vez confundi com a filha de outra cliente que tinha um macaco, e depois com o marido da senhora é que se esclareceu tudo.