Falam-se línguas (translate)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A culpa é toda do sujeito que me deu um chá de cadeira de duas horas sem ter tido a decência de avisar que estava atrasado

ou:

soubessem os "inchados de vaidade" pela estadia de Madonna em Portugal e a eventual compra de casa em Lisboa que esta pode estar a preparar, a imagem de subserviência e provincianismo* que transmitem, pintavam a cara de preto e enfiavam-na num buraco escuro para de lá não mais a tirar.



* palavra que consta da minha lista de antipatias preferidas


terça-feira, 23 de maio de 2017

Dos males que vêm por bem

Desconfio que o meu vizinho tem uma parafilia qualquer que envolve martelos, berbequins e bricolage em geral. Também terá uma outra ligada à pirotecnia. Muito foguete se lança do terraço daquele apartamento, meus amigos. Adiante.
De há um ano e meio para cánao há semana em que não seja brindada com tum-tum-tuns, brrrrrrrrrooooooooooos, toc-toc-tocs e ziiiiiiiiiiiins ao fim do dia (o senhor trabalha, só tem aquele pedacinho antes do jantar para bricolar).
No último sábado achou por bem instalar uma pérgula no terraço, que os dias que aí vêm pedem refeições ao ar livre e uma bebida fresca ao fim do dia. Furou, martelou, aparafusou durante uma tarde inteira. Tudo muito bem, não fosse um dos furos ter aberto uma racha no tecto da minha sala.

Calha bem que andava com ideias de pintar a sala. Sendo assim vou enviar-lhe os orçamentos que pedi esta manhã.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mães de quatro ao Parlamento para ovação de pé, já!

No fim de semana ofereci-me para ficar um dia com os meus sobrinhos. À Mironinho, de sete anos, juntaram-se duas primas de treze e onze anos e um primo de dois anos, este último em pleno desfralde.

Onde é que eu tinha a cabeça?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Neste pequeno jardim à beira-mar plantado

Bruno de Carvalho anuncia que vai encerrar a sua página no Facebook e isso é notícia em todas as estações televisivas.





E agora quem vai alegrar o meu feed?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Será que o país aguenta?

Vamos lá, muita coragem nesta hora, que vem aí a primeira semana "completa" desde a Páscoa.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Em boa hora decidi ter um blog sobre nada

... assim poupo os leitores, não lhes dando a conhecer o muito que haveria de escrever sobre as cadeiras amarradas às grades para reservar o melhor lugar no Santuário de Fátima na próxima visita papal.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

mas o melhor do mundo é ...

Rrrrrrrrrrrrr, tambores a rufar, rrrrrrrrrrrr

O pai do menino que hoje ia a entrar na escola quando fui levar a Mironinho!

- Pai, o que é que tu és?
- Sou o quê?
- Aquilo do teu trabalho, para eu dizer aos meus amigos. És um super quê?
- Supervisor?
- Isso! Supervisor!





terça-feira, 9 de maio de 2017

Ah, a cumplicidade entre mãe e filha

Enquanto jantávamos só as duas;
- Sabes mamã, há coisas que só te digo a ti e há coisas que só digo ao papá.
- A sério? E que coisas são essas que só dizes ao papá?!
- "Quando acabares posso ser eu a jogar?".

Tão parvinho, benzódeus, e que o conserve assim por muitos anos

Comentei há dias com Mr Mirone que acho o tratamento por "jovem" que algumas pessoas usam uma parolice pegada. Desde então para cá não se dirigiu a mim de outra forma senão por "jovem".

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Reinvente-se a sinalética

- Mãe, sabes uma coisa muito tonta que eu pensava quando tinha três anos? Pensava que os lugares de estacionamento das pessoas com cadeira de rodas eram para as pessoas que estavam muito aflitas para ir à casa de banho.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Eu própria estou tentada a adquirir um papagaio

A Palmier lançou o movimento e a Pipoca mais Doce aderiu. Agora chegou a vez de Bagão Félix. Surpreendente!
Aguardo com entusiasmo a fotografia oficial do nosso Presidente da República.

Uma estranha aversão, a roçar a repulsa visceral

O vídeo de promoção do aniversário da Sic, em que várias figuras ligadas ao canal cantam o seu hino, indispõe-me de uma forma que não consigo explicar. Ontem consegui vê-lo até ao fim. A aversão agravou-se.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

As coisas que uma pessoa aprende numa sala de espera

Parece que Tony Carreira não se sente nada confortável com a ideia de ser chamado avô e por isso vai ensinar a neta a tratá-lo pelo nome, Tony.
Tony?! Tony é o que lhe chamam as fãs! Se pode escolher o nome que a neta lhe vai chamar, vai escolher Tony? António é um nome tão mais bonito.

domingo, 23 de abril de 2017

Mais de sessenta anos depois repôs-se a verdade.

Encontrando-se longe de casa em comissão de serviço, Hipólito escreveu a Teresinha a queixar-se das muitas saudades que tinha das filhas e a pedir-lhe que lhe mandasse uma fotografia da Rosarinho e da Leninha.
Decidida a atenuar o sofrimento do marido entendeu Teresinha fazer-lhe uma surpresa. Escreveu à sogra, minhota, pedindo-lhe que lhe arranjasse dois trajes de mordominha para vestir às netas que queria fotografá-las de forma a honrar as raízes das pequenas e surpreender o marido. Umas semanas depois os trajes chegaram, Teresinha embonecou as filhas com esmero e apresentou-se no estúdio de fotografia. A fotografia seguiu pelo correio e dias mais tarde veio a resposta quase telegráfica de Hipólito a agradecer a fotografia das filhas. Durante anos a fotografia do 'orgulho minhoto' esteve guardada numa gaveta junto de cartas de família e postais ilustrados. Depois da morte de Hipólito e Teresinha, Rosarinho decidiu resgatar a fotografia e trazê-la à luz do dia, para fazer companhia a outras fotografias antigas que tinha penduradas na parede. Fez as delícias da família alargada e amigos durante muitos anos, afinal de contas ninguém resiste a duas minhotinhas amorosas e bochechudas.
Até ao dia em que a namorada do filho mais novo de Rosarinho, nascida e criada em Viana do Castelo, bateu com os olhos na fotografia.
- Ooooohhhh, que mordominhas tão lindas, quem são?
- Sou eu e a minha irmã, com quatro e dois anos. A minha mãe quis vestir-nos de minhotas para fazer uma surpresa ao meu pai.
- Ah! Então foi por isso que vos vestiu os coletes ao contrário?

sábado, 22 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

But I am just so amazed to witness true love

Quando saí da Conservatória cruzei-me com um cortejo matrimonial do mais piroso suis generis que possam imaginar que ia a entrar. No meio de tanto pechisbeque, cetins e cabelos com brilhantina, os noivos pareciam-me genuinamente felizes e apaixonados. Comove-me a felicidade em estado puro.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Voltei à loja de molduras

Que me queria cobrar 130 euros para fazer uma moldura para uma tela de 15x15cm.
- Sim senhora, xodôna Mirone, fica muito bem. Acabei hoje umas serigrafias do Júlio Pomar com uma moldura igual, ora venha cá ver.
- Júlio Pomar? Não parece nada... mas eu não conheço assim tão profundamente o trabalho dele.
- Ah, pois é, esqueça! Este é do Murillo, aquele rapaz muito conhecido casado com aquela Raquel das revistas, bonitona.






Se um dia inventarem uma máquina de fazer molduras que não necessite de interação humana avisem-me.

Nós cá vamos andando

Com a cabeça entre as orelhas mas com uma vontade louca de a ter na almofada.
Vão por mim, meus amigos, que vos não quero senão bem. Fujam de férias descansadas, daquelas boas mas boas, como o diabo foge da cruz. Podendo, fujam um pouco mais. Está bem que férias assim vos poupam as arrelias das notícias sobre a garotada finalista y sus madrecitas, das quais soube por aqui (que mais se passou?), é certo que dormem quanto querem, mas a verdade é que o vosso trabalho não se faz sozinho e encaixar numa semana o trabalho de quase três não dá alegria a ninguém.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Déficit de atenção

Era suposto aproveitar a hora de almoço para ir comprar uns ténis. Regressei com um par de sabrinas, duas écharpes, um fato de banho e zero ténis.

Talvez seja prudente adiar um dia a ida ao supermercado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Agricultores e botânicos, elucidem-me, por favor

É possível que estas sejam flores de cebola? Pelo cheiro tudo indica que sim.
De que outra forma se explica que o bibe da Mironinho, de cujo bolso retirei este tesouro, cheire tão mal?

Por ocasião da Páscoa, uma estorieta sobre os ovos e as galinhas e a (in)certeza a sua existência...

A carta dirigida aos herdeiros do Paizinho chegou em Janeiro, quando menos se esperava, pouco antes de passar um ano sobre a sua morte, e informava-os de que havia por resgatar um prémio de seguro, cujo valor não se especificava, a favor dos seus herdeiros, solicitando o envio de alguma informação e documentação caso estivessem os mesmos interessados em recebê-lo. Lembrou-se então de um desabafo do Paizinho, pouco tempo antes de morrer,  e que na altura achou serem devaneios de um doente terminal que nos últimos tempos já apresentava alguns sinais de demência, sobre um tal fundo de quinze contos que subscreveu por ocasião da sua comissão de serviço na Índia, não fosse acontecer-lhe alguma desgraça e ficarem desvalidos a viúva doente e os dois anjinhos de colo que cá deixara. Afinal o fundo existia! Inchou-se-lhe o peito, como incha sempre o peito dos avarentos quando o assunto é dinheiro, brilharam-lhe os olhos míopes atrás das lentes grossas e apertou a carta no bolso do casaco. Quinze contos naquela altura, há mais de sessenta anos, era dinheiro. Mentalmente imaginou uma possível actualização monetária e concluiu que teria a receber uns bons milhares de euros. Dinheiro nunca vem em dia de jejum e aquele havia de ser só seu, que o irmão não precisava e o mais certo era a cunhada esterroá-lo em roupas e cabeleireiros.
Nessa noite martelou com entusiasmo as teclas do computador e redigiu a resposta à carta, que o Paizinho morreu viúvo, conforme cópia de certidão que juntava, e deixara apenas dois filhos, esta que escrevia e um outro com quem não tinha contacto, mas que estaria disposta a receber a quantia em causa e a envidar os esforços necessários para fazer chegar o quinhão devido ao outro herdeiro. Então não, coração? O irmão e sobretudo a toleirona da mulher que esperassem sentados, a lambisgóia a cunhada não haveria de ver a cor àquele dinheiro.
Quase quatro semanas volvidas chegou nova carta. Sentiu o peito crescer-lhe outra vez e os olhos pequenos a brilhar. Seria o cheque, um vale postal? Andaria o prémio muito longe dos seus cálculos? Rasgou o envelope apressada. Ah! Ora essa?! A identificação de todos as herdeiros? Habilitação de herdeiros?! NIF?! IBAN?! Pois se tão voluntariosamente se tinha disponibilizado para fazer chegar ao outro herdeiro o seu quinhão, para quereriam eles a sua identificação, NIF e IBAN?! Guardou a carta numa gaveta durante vários dias na esperança de entretanto encontrar uma solução para não ter de partilhar  o pecúlio. Talvez se falasse com um advogado, um padre seu amigo ou uma as muitas freiras as suas relações... Mas como lhes explicaria ela os seus intentos sem sujar a imagem de mulher séria e católica exemplar que a todo o custo fazia por passar? Conformou-se com a ideia de partilhar o prémio do seguro com o irmão e a peneirenta da cunhada. Meteu a carta no bolso e saiu de casa, desceu dois andares e tocou à campainha. Pediu desculpa por interromper o jantar, mas tinha chegado uma carta para o Paizinho, por causa de um seguro que fez quando foi para a Índia. Parecia que precisavam de umas coisas suas, nem sabia muito bem, achava que era para receber um prémio. Depois, quando pudesse, preenchesse aquela folha que tinha de se mandar para lá.


O dinheiro veio mais de um mês depois, acompanhado de uma declaração para efeitos fiscais. Foram-lhe creditados trinta e nove euros e doze cêntimos na conta. O irmão recebeu outro tanto.

sexta-feira, 24 de março de 2017

De toda a perfeição com que foi dotada

... destaca-se na Mironinho a perfeita corrente de motosserra que lhe nasceu no lugar dos dentes.
Hoje é dia de marcar consulta no ortodentista.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Louder than bombs

Aquele momento em que constatas que, em ocasiões e por motivos completamente distintos e nenhum deles relacionado com a diminuição das suas capacidades cognitivas, acompanhando os teus pais a uma consulta, os médicos falam mais para ti do que para eles.

Ainda não estou preparada. Eles também não.

terça-feira, 21 de março de 2017

Informação inútil que retenho

A Pizzaria Padrinho em Lamego tinha uma espécie de massa de frigorífico* chamada Macarronada à serra das Meadas.









*uma espécie e carbonara com tudo o que há no frigorífico.

sexta-feira, 17 de março de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Mas depois só me lembro do Leonardo di Caprio e do Titanic

Tenho tentado ouvir com atenção o que diz Geert Wilders...


Tentei fazer o mesmo com a Marine le Pen e é fácil perceber porque está tão bem posicionada nas sondagens. Será por dar uns ares de Helen Mirren?

segunda-feira, 6 de março de 2017

Aquilo dos sete anos de azar

Só se aplica aos espelhos, não é? Não se aplica, por analogia, a flutues e copos de vinho que por serem delicados e de grande valor sentimental, não quisemos lavar na máquina, alinhámos na bancada da cozinha para lavarmos à mão, e que inadvertidamente derrubámos com uma cotovelada,  num efeito dominó lindo, pois não?

É que assim de repente já me parece azar que chegue.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lá se foi o efeito relaxante

Tenho andado com umas dores aborrecidas no pescoço e um destes dias decidi aproveitar a hora de almoço para fazer uma massagem num SPA todo muito holístico-shangrila-lalala. Vou lá com alguma frequência e aquelas massagens, não fazendo bem, mal também não fazem, sempre são uns minutinhos de mimo que nos proporcionamos.
Por coincidência (foi o diabo, o diabo, como diria Ricardo Salgado), estava a decorrer uma espécie de open day, para apresentação de uns novos produtos, e propuseram-me que fizesse antes uma massagem corporal completa, de relaxamento profundo, com uma massagista nova. Em vez dos vinte minutos da massagem que tinha marcada, demoraria perto de uma hora, mas sairia de lá a sentir-me nas nuvens, asseguravam. Pois com certeza, venha daí a massagem corporal completa de relaxamento profundo! 
Do tempo todo que lá estive, demorei uns quarenta e cinco minutos a abstrair-me a musiquinha de fundo (barulhinhos de água a correr na natureza parecem-me bem mas dão uma vontade louca de... pois, um stress) e da ideia de ter uma tal de Svetlana a besuntar-me da cabeça aos pés (deve ser a parte da profundidade, só faltou perguntar-me se queria um happy ending, que constrangimento, meus amigos), mas lá para o fim pois que sim senhora, que isto é tudo muito bom, ai que relaxada me sinto, onde é que a Svetlana andou toda a minha vida? E que bem que cheiram estes produtos, que macia está a minha pele! Então diga-me lá, Svetlana, que produtos-maravilha são estes? 

Ronhonhó-ronhonhó-enzimas-ronhonhó-colostro bovino...


Mas porque é que eu pergunto estas coisas, porquê?











quinta-feira, 2 de março de 2017

Como o imperador Sérvio Sulpício Galba, bisneto de Quinto Cátulo Capitolino

A cozinha tinha três portas e uma só janela, sobranceira à pequena vinha. No topo das escadas que vinham da adega ficava uma porta que dava para um corredor largo que ligava o corpo principal da casa a uma casa de banho, quarto e sala com saída independente, que  Ramiro Ribeiro mandou construir quando a filha casou, na esperança de que esta não trocasse os saudáveis ares do campo por um apartamento na cidade, que ideia a tua, Belinha, a de comprar uma casa onde nem o chão nem o tecto são teus, se esta casa um dia há-de ser toda tua. Para trás das escadas ficava uma segunda porta que dava para a saleta, um quarto pequeno com uma alcatifa rosa-velho, condizente com o papel de parede e o sofá de veludo, uma camilha onde se tomavam algumas refeições ligeiras e que nas noites de inverno escondia uma braseira, um aparador onde estava a televisão e uma pequena mesa veladora que uma vez por mês recebia o oratório da sagrada família em périplo por todas as casas do lugar. A terceira porta dava para o corpo principal da casa.  Era uma cozinha ampla, forrada a azulejos brancos até meia altura, com móveis baixos pintados de cor de tijolo e tampos de pedra em todo o seu comprimento e uma mesa redonda no centro. Debaixo da grande chaminé havia espaço para o então moderno fogão com forno a gás e um velho fogão a lenha, de ferro esmaltado castanho, onde se faziam os assados de domingo.

Por aqueles dias faziam-se as grandes limpezas de primavera e preparava-se a casa para receber o compasso quando por alguma das janelas e portas abertas entrou na cozinha Sulpício, o gato da vizinha Celeste, uma pobre desgraçada que casou tarde, quando já ninguém a queria, com um borracho sem fé nem confissão, motivo suficiente para que o temente a Deus Ramiro Ribeiro, vindo da saleta após restauradora sesta no sofá, quisesse correr com ele à vassourada. Sulpício eriçava o pelo assustado, desviava-se como podia da ira de Ramiro, enquanto saltava de cima da mesa para as bancadas, derrubando o que se lhe interpusesse pela frente, em busca da janela por onde tinha entrado, mas não encontrou outra escapatória senão trepando a chaminé de ferro do velho forno a lenha que se estendia para dentro da chaminé de pedra.
Mãe do céu, o que vem a ser esta algazarra, Ramiro? Foi o tinhoso do Sulpício que aqui entrou mas deixa estar, Milinha, que já corri com ele. 
Dois dias se passaram, as limpezas concluiram-se, as janelas fecharam-se e de Sulpício nenhum sinal. Por duas vezes perguntou a vizinha Celeste pelo seu Sulpício, por duas vezes Milinha lamentou nada saber que era feito do bichano, duas vezes garantiu que haveria de perguntar ao marido se o tinha visto. Estás doida mulher, alguma vez fazia mal à criatura? Dei-lhe umas valentes vassouradas mas pela maneira como saiu a correr chaminé acima ia cheio de saúde.

O domingo de Páscoa chegou e logo pela manhã Ramiro saiu para colher folhagem dos lírios que cresciam ao fundo da vinha para juncar o caminho que ligava a rua à entrada da casa, e mostrar ao prior que naquela casa se desejava receber a benção do Senhor. Milinha atarefava-se na cozinha que a ocasião pedia um assado e a Belinha, agora de esperanças, devia estar a chegar com Alfredo. Abriu a porta direita do forno, deitou-lhe dentro pinhas, caruma seca, gravetos e cavacas, depois chegou-lhe um fósforo para acender o lume. Ora essa?! Mas será que ao fim de tantos anos logo hoje o fogão havia de começar a fumar mal? Ai que me fica a casa a cheirar a fumeiro. Espera que te digo, amarroto já uns jornais a ver se o fogo arrebita ou não. Ai arrebita sim senhor!
As chamas eram agora fortes, o calor haveria de fazer o fumo subir, não se chamasse ela Emília da Conceição. O calor e o fumo subiam pela chaminé de ferro, quando se ouviu um estrondo seguido d um miar assustado... Catapum, catapum,catapum, méoooooo!
Era Sulpício, o gato da vizinha Celeste que há três dias estava em imposto exílio, encavalitado no topo da chaminé de ferro, dentro da de pedra, temendo pela vida caso se cruzasse com a vassoura de Ramiro, e que agora se via expulso do seu esconderijo pelo fumo quente e denso.

Contou o senhor Ribeiro que regressava do fundo da vinha quando o viu sair da chaminé e correr como um foguete telhado fora.
Enquanto viveu contou a mesma história sempre que algum gato atrevido passou as portas da cozinha. Contou-a à Belinha, contou-a à filha da Belinha, e ainda viveu para contá-la à filha da filha da Belinha, que garante que se um dia tiver um gato há-de chamar-lhe Sulpício, como o gato voador que o bisavô fez trepar a chaminé da cozinha.


No animal was harmed in the making of this post.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Shhhh, shhhhhh, pronto, já passou

não há motivo para alarme, queridas sambistas da Mealhada (quem diz Mealhada diz Ovar, Sesimbra ou Loulé), o frio e chuva estão de volta, mesmo a tempo para o Carnaval.

A nível de propriedades hipnóticas, hão-de estar ela por ela

O ritmo cardíaco abranda, a respiração torna-se espaçada, esquecemos tudo o que nos rodeia, só queremos saber daquela chuva lenta de purpurinas...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Já tenho o material necessário

Segundo os meus cálculos, passíveis de revisão em alta, o disfarce da Mironinho, sem os acessórios que levará nas mãos, rondará os 5 kg.









A miúda pesa 27 kg.







Digam-me, se souberem...  Quais são as princesas que estão na berra?



A fé move montanhas, e a que a minha filha deposita nas minhas capacidades é inabalável

- Mironinho, de que é que te queres mascarar no carnaval?
- De princesa.
- Eish, de princesa não. Disso vestes-te tu todos os dias, já tens montes de vestidos de princesa. Escolhe outra coisa, uma coisa gira, original, um fato que mais ninguém tenha.
- Hummmm.... Gare do Oriente? Caldeirada de chocos?*




Assim de repente, mascará-la de princesa parece-me muito bem.










* Não me falou em Gare do Oriente nem caldeirada de chocos, mas o grau de dificuldade do fato que me pediu para lhe fazer anda lá muito perto.





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

E essas faturinhas, estão todas validadas?

Não vá um de vós andar mais distraído.

Na eventualidade de vos doer um pé, ou assim

Depois de reduzir a três o grupo de vestidos que a Mironinho podia levar ao almoço de aniversário (para seu grande desgosto o vestido de verão que levou ao batizado do primo, número um na sua lista de elegíveis, foi o primeiro a ser excluido):
- As sabrinas com este tempo? Calça antes as carneirinhas, ficas mais quentinha.
- Mas as sabrinas são azuis escuras como as meias, ficam melhor.
- Mas as carneiras também ficam.
- E se me doer um pé, ou assim? Tenho de ir à casa de banho, desatar os atacadores, tirar os sapatos, massajar, calçar e atar. Isso vai demorar muito tempo! Não sabes que é má educação ficar fechado na casa de banho durante o almoço?
- E a que propósito é que de vai doer um pé durante o almoço?
- Eu disse doer um pé ou assim, ou assim não tem de ser dor de pé.

Levou as sabrinas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Finalmente o mar cuspiu-me

Há uns anos, muitos, talvez quinze, farta de ficar horas na areia a ver os outros divertirem-se, decidi sem qualquer experiência acompanhar Arlindo Orlando numa sessão de surf com os amigos.  Nunca tinha pegado numa prancha senão para o ajudar a tirar ou guardá-la no saco e amarrar às barras do tejadilho, mas eu até nadava bem, éramos um grupo grande, seis ou sete, ia ser engraçado. O mar estava grande, gelado e partido, ia levar uma tareia pela certa, isto se alguma vez conseguisse  passar a rebentação para entrar. Levei. Lembro-me de uma onda grande que se partiu nas minhas costas e me puxou para o fundo e para dentro. Senti o esticão da prancha a puxar-me a perna para um lado e a onda a puxar-me para o outro. Terei ficado debaixo de água menos de um minuto, mas pareceu-me uma eternidade. Senti a areia grossa arranhar-me a cara e quando percebi para que lado ficava a superfície poupei as minhas forças e deixei-me andar embrulhada à espera que a onda que me levou me devolvesse. Devolveu.

Andei desde segunda embrulhada numa onda gigante, a suster a respiração para não engolir a água fria e salgada, com a areia grossa a arranhar-me a cara. A onda devolveu-me hoje.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Confirma-se...

Depois de uma espreitadela rápida às notícias já deu para perceber que efetivamente as pessoas foram mesmo ver as ondas de perto.
A TVI chama-lhes corajosos. Na Gafanha da Nazaré um desses "corajosos" está  desaparecido. A SIC decidiu perguntar ao capitão da Polícia Marítima de Cascais porque deviam as pessoas manter-se afastadas do mar. A resposta veio do mar, uma valente chuveirada.

Só não acerto no Euromilhões...


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Hummmm, isto anda tudo muito sossegado...

Aposto que a blogosfera anda a preparar o melhor dia dos namorados de todos os tempos, daqui a nada vão chover posts com as sugestões mais originais e as oportunidades mais vantajosas que já se viram.

Ou então não. Ou então não.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Porquê, se uma viagem ao Brasil nunca foi sequer equacionada?

O assunto "Amazonia y sus peligros" ameaça tornar-se um poço sem fundo. Esta manhã:
- Mamã, sabes que na Amazónia ainda há tribos de índios?
- Sabia.
- Gostava tanto de ver índios verdadeiros. Sabias que eles estão em vias de extinção?
- Sabia, mas estão a construir reservas para os proteger e há pouco tempo até descobriram através de fotografias aérea uma tribo que se pensava extinta.
- Era tão fixe poder visitar uma tribo dessas, mamã... Só é pena é que lá há tigres...
- Tigres na Amazónia?!
- Pois, não são tigres, acho que é panteras, ou outro bicho que come humanos. Já viste o que é que era ires à Amazónia para veres os índios e seres comida por uma pantera? Tenho pena dos índios, a terem de viver na Amazónia.





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ainda as piranhas

- É que eu vi uma fotografia onde estava uma senhora toda comida por uma piranha do lado direito.
- O lado direito? Todo?! Eh lá, grande banquete, espero que lhe tenha feito bom proveito, que ainda é uma quantidade grande de comida para uma só piranha.
- Bom proveito?! Bom proveito?! Mas como é que tu podes desejar bom proveito a uma piranha?! Tens noção que a senhora teve de morrer para a a piranha a comer?



Nunca digas nunca

- Mamã, onde é que há piranhas?
- No Brasil, no rio Amazonas.
- Ah... Então nunca hei de ir ao Brasil, não quero ser comida por piranhas.
- Mas podes ir ao Brasil sem ter de nadar no Amazonas.
- Pois, e onde é que tu pensas que os rios vão dar? Férias no Brasil? Nem pensar!

É mais saudável, dizem...

Nesta casa 250 gr de fiambre de frango dão para dois pequenos almoços e um lanche. Num exercício à António Guterres, se me puser a fazer as contas, a comer fiambre todos os dias, terei de comprar cerca de 3kg de fiambre por mês, 36 kg por ano. Assim de repente já não me parece tão saudável. Deixa cá fazer as contas se for com manteiga... ou queijo. Agora doce.

...



Está decidido, acabaram-se os pequenos-almoços nesta casa!




Não acabaram nada. Estava só a ensinar a Mironinho a multiplicar.




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Quem nunca?

... saiu de casa e passou uma boa parte do dia com o preço de um adereço (que pode muito bem ser uma écharpe lindona, macia e quente que só ela, não estou a dizer que fosse, mas assim lindona, macia e quente, mesmo) ainda pendurado e à vista de todos menos da própria, atire a primeira pedra.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Assim esquisito como tu

Quando estava a chegar a casa com a Mironinho cruzei-me com o pai de uma amiga, com quem troquei umas palavras de circunstância. Já em casa:
- Mamã, que idade tinha aquele senhor que tu cumprimentaste? Parece que tem noventa e tal anos.
- Não! Deve ter a mesma idade do avô, sessenta e tal, não chega a setenta.
- É esquisito. Assim esquisito como tu.
- Esquisito como eu?!
- Sim, tem uma idade muito diferente da que parece.

"Megia"

Transformar a pata traseira de um cavalo num presunto não é para todos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E se em vez de termómetros com temperaturas negativas...

... aqui pusesse uma fotografia do meu termómetro, à beira mar, com sol e a marcar uns confortáveis 36,1ºC?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A mãe chama-lhe andar com a cabeça à razão de juros

Saíres mais cedo porque tens de levar a tua filha ao médico e queres ir com tempo. Confirmares que tens contigo todos os seus documentos e cartões do seguro. Estacionares enfrente à clínica, oh yeah, lugarzinho catita, e só depois perceberes que não passaste na escola para a ir buscar.






Vá lá, era perto e estava com tempo.

Mas se fechar a minha conta no Facebook

... deixo de ter os comunicados do BdC em destaque no meu feed.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sabes que precisas de reavaliar a tua presença no Facebook

... quando uma das tuas amigas partilha um vídeo técnico sobre o parto de uma égua.

Preguiça é

Perder anos de vida em arrelias a tentar escrever uma mensagem em inglês por não me apetecer desativar a escrita automática do telefone.









(como se ela não me desse arrelias suficientes quando escrevo em português)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

... com caracóis

Depois de ler este post da Be, dei comigo a pensar na educação pelo exemplo que damos aos filhos e na forma como, mesmo sem querermos, lhes condicionamos a perceção do certo e do errado, do bom e do mau, do belo e do feio. Hoje foi assim, enquanto descíamos no elevador e lhe passava os dedos pelo cabelo.
- Tenho mesmo sorte, Mironinho, saíste muito melhor do que alguma vez imaginei. Acho que se te pudesse escolher não teria escolhido tão bem. Para mim és perfeita.
- Pois, tinha saído como a Isolda, com caracóis.
- Hã?
- Para mim a Isolda é perfeita, menos nos caracóis.

Com sete anos, a Mironinho acha que a perfeição de alguém depende da textura do cabelo e eu não posso deixar de estar magoada com o péssimo exemplo que lhe dou quando, todos os dias, faço por disfarçar os meus.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Xiiiii, coração!

Durante o almoço a televisão estava a passar o discurso do Presidente da República na cerimónia de apresentação de cumprimentos de ano novo por parte da delegação da Assembleia da República (presidente e vice, líderes parlamentares...).
Seguiram-se os cumprimentos físicos propriamente ditos. A saber, apertos de mão, beijinhos e abraços, até aqui nada de novo, portanto. Mas os abraços, meus amigos, os abraços! Caramba! Aquilo não eram abraços, eram muito mais do que umas pancadinhas nas costas, eram mesmo xi-corações, e dos bons! Bem apertados e esfregados. Houve ali momentos em o Presidente esteve a um passinho mínimo de apertar as bochechas a um ou dois deputados e dizer "coija mai boa do xeu pejidente". Isso ou levantar-lhes a camisa para lhes soprar na barriga. Só não o fez, aposto, porque houve meia dúzia de deles que não conseguiram disfarçar o claro desconforto.

Esta noite

Tinha meia hora para passar a ferro três toalhões de banho e duas camisas de Mr. Mirone que um cliente seu me deixou no escritório, ao qual não podia dizer que não porque era o seu maior cliente. Depois de ter descoberto um ferro no armário dos consumíveis tive de encontrar uma mesa livre para poder passar a roupa. A solução foi levantar parte da toalha que cobria a minha secretária, que estava transformada numa mesa para um aniversário infantil de não cheguei a perceber quem, porque entretanto descobri que estava atrasadíssima para o fim de semana com os colegas do nono ano numa quinta no Cartaxo, onde tinham recriado os balneários do colégio, impressionante, é que estão mesmo iguaizinhos, pensei. No pátio, junto a um muro de cimento muito feio, ajeitei-me no saco-cama ao lado das minhas amigas e comentámos satisfeitas como continuávamos iguais. E continuávamos!, as roupas e cabelos eram absolutamente iguais aos que usávamos há 25 anos. Os rapazes eram todos giríssimos e "actuais".

Estou cansada. E preocupada com o senhor que deixei pendurado na festa de aniversário montada no meu escritório.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

E o macaco da Lúcia Linda que não viesse à liça

- Fica em que nome?
- Mirone Mirone.
- Ah... é da Fernanda Filomena.
- Eeeerrrr.... depende, a minha sogra chama-se Fernanda Filomena, não sei se é a mesma... (Mau, querem lá ver que esta vez é a minha sogra que tem aqui um macacão para levantar).
- Ahahahaha! Pois, já sei quem é. É a senhora que  da outra vez confundi com a filha de outra cliente que tinha um macaco, e depois com o marido da senhora é que se esclareceu tudo.