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quarta-feira, 22 de março de 2017

Louder than bombs

Aquele momento em que constatas que, em ocasiões e por motivos completamente distintos e nenhum deles relacionado com a diminuição das suas capacidades cognitivas, acompanhando os teus pais a uma consulta, os médicos falam mais para ti do que para eles.

Ainda não estou preparada. Eles também não.

11 comentários:

  1. Nunca se está preparado. Mas à medida que for acontecendo, vai perceber muita coisa que agora lhe escapa por completo, o que se nota perfeitamente na "espuma" deste blogue.

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    1. Acompanhei a minha mãe a uma consulta de oftalmologia porque ela ia fazer um exame cuja consequência era a perda temporária de alguma visão, o que a impedia de conduzir no regresso a casa.
      Acompanhei o meu pai ao otorrino "por acaso", cruzámo-nos na clínica e como precisava de tratar de outros assuntos decidi esperar por ele dentro do consultório.

      Felizmente são pessoas jovens e com bastante vitalidade, estamos (eles e eu) longe de os imaginar dependentes.

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    2. O que é grave é que os médicos não tenham percebido exactamente isso.
      (Se calhar já tinham uma certa idade... :D)

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    3. Pois, nenhum dos dois tem propriamente ar de "cheché", mas lá está,terão achado que eu fui porque eles não davam conta do recado.

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  2. Isso é falta de formação dos médicos (ou de outros técnicos da saúde) ou, simplesmente, falta de chá.

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    1. Acho que não, pareceu-me sobretudo boa vontade.

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  3. Giro, giro era dizerem "eu estou aqui e estou a ouvir tudo o que vocês estão a dizer..."

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    1. Mas eu não dizia nada. Os médicos faziam as perguntas e cada um respondia o que tinha a responder, mas depois quando eram as explicações eles olhavam muito para mim,para se certificarem que eu tinha percebido.
      (o meu pai não comentou nada comigo, só em casa, com a minha mãe, mas a minha mãe disse-me logo pelo caminho que se tinha sentido um bocado velha).

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  4. Acho que não fizeram por mal, apenas pensaram que se a filha foi com o pai/mãe é porque estava preocupada ou queria saber em primeira mão a opinião médica Não leve a mal :)

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    1. Não levei, acho mesmo que foi boa vontade, como disse acima e o anónimo tão bem explica.
      O que não me impede de sentir aquela bofetada sonora (e, sobretudo, dolorosa) quando penso que um dia eles perderão efetivamente as suas capacidades.

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  5. Os meus pais estão no início dos 60 e já me sinto responsável por eles. Parece que, com a idade, vão-se desleixando com uma série de coisas importantes e lá ando eu a relembrar que têm que fazer isto ou aquilo. Preparada? Acho que não estarei nunca, mas faz parte...

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