Falam-se línguas (translate)

domingo, 23 de abril de 2017

Mais de sessenta anos depois repôs-se a verdade.

Encontrando-se longe de casa em comissão de serviço, Hipólito escreveu a Teresinha queixar-se das muitas saudades que tinha das filhas e a pedir-lhe que lhe mandasse uma fotografia da Rosarinho e da Leninha.
Decidida a atenuar o sofrimento do marido entendeu Teresinha fazer-lhe uma surpresa. Escreveu à sogra, minhota, pedindo-lhe que lhe arranjasse dois trajes de mordominha para vestir às netas que queria fotografá-las de forma a honrar as raízes das pequenas e surpreender o marido. Umas semanas depois os trajes chegaram, Teresinha embonecou as filhas com esmero e apresentou-se no estúdio de fotografia. A fotografia seguiu pelo correio e dias mais tarde veio a resposta quase telegráfica de Hipólito a agradecer a fotografia das filhas. Durante anos a fotografia do 'orgulho minhoto' esteve guardada numa gaveta junto de cartas de família e postais ilustrados. Depois da morte de Hipólito e Teresinha, Rosarinho decidiu resgatar a fotografia e trazê-la à luz do dia, para fazer companhia a outras fotografias antigas que tinha penduradas na parede. Fez as delícias da família alargada e amigos durante muitos anos, afinal de contas ninguém resiste a duas minhotinhas amorosas e bochechudas.
Até ao dia em que a namorada do filho mais novo de Rosarinho, nascida e criada em Viana do Castelo, bateu com os olhos na fotografia.
- Ooooohhhh, que mordominhas tão lindas, quem são?
- Sou eu e a minha irmã, com quatro e dois anos. A minha mãe quis vestir-nos de minhotas para fazer uma surpresa ao meu pai.
- Ah! Então foi por isso que vos vestiu os coletes ao contrário?

sábado, 22 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

But I am just so amazed to witness true love

Quando saí da Conservatória cruzei-me com um cortejo matrimonial do mais piroso suis generis que possam imaginar que ia a entrar. No meio de tanto pechisbeque, cetins e cabelos com brilhantina, os noivos pareciam-me genuinamente felizes e apaixonados. Comove-me a felicidade em estado puro.



quarta-feira, 19 de abril de 2017

Voltei à loja de molduras

Que me queria cobrar 130 euros para fazer uma moldura para uma tela de 15x15cm.
- Sim senhora, xodôna Mirone, fica muito bem. Acabei hoje umas serigrafias do Júlio Pomar com uma moldura igual, ora venha cá ver.
- Júlio Pomar? Não parece nada... mas eu não conheço assim tão profundamente o trabalho dele.
- Ah, pois é, esqueça! Este é do Murillo, aquele rapaz muito conhecido casado com aquela Raquel das revistas, bonitona.






Se um dia inventarem uma máquina de fazer molduras que não necessite de interação humana avisem-me.

Nós cá vamos andando

Com a cabeça entre as orelhas mas com uma vontade louca de a ter na almofada.
Vão por mim, meus amigos, que vos não quero senão bem. Fujam de férias descansadas, daquelas boas mas boas, como o diabo foge da cruz. Podendo, fujam um pouco mais. Está bem que férias assim vos poupam as arrelias das notícias sobre a garotada finalista y sus madrecitas, das quais soube por aqui (que mais se passou?), é certo que dormem quanto querem, mas a verdade é que o vosso trabalho não se faz sozinho e encaixar numa semana o trabalho de quase três não dá alegria a ninguém.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Déficit de atenção

Era suposto aproveitar a hora de almoço para ir comprar uns ténis. Regressei com um par de sabrinas, duas écharpes, um fato de banho e zero ténis.

Talvez seja prudente adiar um dia a ida ao supermercado.