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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Como sobreviver às festas com índices de colesterol e glicémia aceitáveis

O meu plano de Seis passos para não andar a comer doces até aos reis:

1. Reforçar o stock de tupperware lá de casa.
2. Juntar a família toda para um lanche no dia 25.
3. Definir o que cada um vai levar.
4. Distribuir mais de 30 pessoas por casa.
5. Ameaçar a família de sequestro (ninguém sai enquanto houver comida na mesa - ou se come ou volta à procedência devidamente acondicionada nos tupperware referidos em 1).*
6. Deitar a Mironinho antes das nove da noite porque adormeceu no sofá exausta de tanto brincar.


*obrigada cunhados pelo conjunto de facas oferecido.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O que é o comer?

Fico doente, leitores, fico doente quando oiço alguém referir-se a comida como o comer.
Podia ficar doente quando apanho uma corrente de ar mais forte, quando como qualquer coisa que me cai mal, quando apanho um vírus ou algumas bactérias decidem atacar. Na verdade também fico, mas "o comer", "prontos", deixa-me assim. "Hadém" convir, senhores leitores, que "derivado a" essas coisas uma pessoa se sinta atacada dos nervos. Se "o comer", e outras pérolas de igual gabarito, vierem de gente com formação académica, então é caso para "a gente ficarmos" quase de cama. Aquilo fere-me os tímpanos, como feria o som do giz, em certos ângulos no quadro de ardósia da escola.
"Portantos", se além da pontuação esquizóide dos meus posts, alguma vez depararem com jóias preciosas (as do acordo ortográfico não valem), que vos firam a retina como "o comer" me fere os tímpanos, agradeço que me avisem.
"Obrigadinhas". Continuação e saúdinha (também gosto tanto!)
.
PS - As segundas feiras são o dia de folga do restaurante aqui ao lado. Acabei de ser convidada - às 9.30 da manhã!- por um colega para ir a outro mais abaixo, que "o comer" lá é bem bom e no placard que põem no passeio dizia que hoje eram filetes de polvo com arroz do mesmo e jardineira de pato que é uma especialidade. Se vos apetecer um destes pratos, é ir cedinho, que o polvo esgota depressa.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pêro quê?

Gosto de comer bem. Gosto de produtos com qualidade, bem confeccionados, e dispenso "mariquices" que muitas vezes, em vez de resultado de rasgo e criatividade, não passam de fogo de vista, coisa de encher o olho e disfarçar a falta de qualidade. Faço os kilómetros que forem necessários por causa de um prato ou uma iguaria bem confeccionada. Mas, infelizmente, nem sempre posso comer produtos de excepcional qualidade e acabo, no dia-a-dia, por fazer uma refeição rápida num honesto e modesto restaurante de diárias. Apesar de, como é sabido, em restaurantes modestos e honestos se poderem comer as melhores refeições do mundo. Não é o caso específico deste, mas também não envergonha nenhuma cozinheira.
Por outro lado, tenho assim uma coisa de pele contra a  loucura generalizada pelo "gourmet", agora tudo é gourmet - sobretudo o que não o é, restaurantes gourmet, padarias gourmet, lojas gourmet, gourmet para trás, gourmet para diante, embirro, faz-me comichão, que cegeueira tola. O termo caiu no ouvido das pessoas e virou moda. Depois, há aqueles que se consideram "gourmets" de primeira água, (quando, na verdade e na melhor das hipóteses, serão gourmands adeptos de uma boa "barretada") e fazem questão de o enfatizar em todas as ocasiões. 
Hoje ao almoço, com a melhor amiga, aquela deste incidente, e cuja companhia muito me apraz, embora tenha o deslumbramento do "gourmet", testemunhei uma cena deliciosa no "modesto e honesto" restaurante de diárias onde costumo almoçar. 
É legítimo que se queira saber o que se come, mas bombardear o empregado com perguntas sobre sobre a origem de todos os produtos que cada prato leva, o que é, o que não é, de onde é de onde não é, e depois decidir "como o mesmo que tu", impacienta quem está na mesma mesa e só quer pedir o prato do dia e comer tranquilamente, dentro do possível, porque se está com o tempo contado. A mim impacientou-me. Se calhar era só fome... Filetes de peixe-espada, então.
Chegada a hora da sobremesa, "Ai, apetece-me fruta, o que é que tem?". Melão, meloa, abacaxi, uvas, manga, banana, pêssego, maçã... "A maçã, essa que está na cesta é pêro bravo de esmolfe?". É o quê? "Bravo de esmolfe, um pêro muito saboroso, que só há cá". Só um momento. Oh Manela, o pêro é mofo? Ela diz que sim, que é pêro mofo. "Então pode ser". 
Escolhi uvas.
Então e a maçã? Era golden e farinhenta, e deixou a minha amiga enxofrada, com aquilo a que se chama um momumental melão.
Eu, que até tenho bom coração (não há-de ser assim tão bom, senão não precisava de o dizer) só lhe pergunto, mas o que é que esperavas quando te responderam que sim, que é pêro mofo? 


Sim, o pêro Bravo de Esmolfe é muito saboroso.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Animal de hábitos

Dizem que o Homem é um animal de hábitos.
Não tenho quaisquer dúvidas! Basta fazer as contas às calorias ingeridas nos últimos tempos. Que animal! E que se está a tornar um hábito. 
Por isso, pessoas da minha vida, que felizmente não lêem este blog (facto que torna este apelo absolutamente irrelevante, dispensável e desprovido de qualquer efeito, oh yeah!), parem de me convidar para jantares e festas de aniversário, parem de me dizer que fazem o melhor gin, a melhor caipirinha do mundo, que descobriram a melhor esplanada, que estamos de férias, que é só um copinho. Parem de me desafiar para um café depois de jantar para os miúdos brincarem mais um bocadinho,  porque todos sabemos que não é café que vamos beber, nem são os miúdos que vão brincar. Vocês sabem que vos adoro sou incapaz de recusar. Pior, sabem que gosto desses "ajuntamentos" e acabo por ser eu a desafiar-vos. Vocês sabem, eu sei, que as férias vão acabar, que daqui a poucos dias vamos voltar, idealmente, aos trabalhos que nos preenchem e realizam - idealmente, repito, porque na verdade, vamos é voltar às chatices e preocupações e às falsas juras de que isto tem de levar um rumo, que assim não pode ser, que um dia bato com a porta, sabendo que não, não bateremos. Que a nossa vida não é só praia e "convívio", que não é dormir quando temos sono, comer quando temos fome, beber quando temos sede, rir quando nos apetece. 
Vocês sabem que sou um animal. Um animal de hábitos! E habituava-me tão bem a esta vida!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

No carro não!

Gosto de conduzir e, na minha vida profissional, por vezes, faço largas centenas de kilómetros por dia. Porém, no dia-a-dia, tenho o privilégio de não perder muito tempo no trânsito. Trabalho perto de casa, as  deslocações não duram mais do que dez, quinze minutos, e tenho quase todos os serviços de que preciso a meia dúzia de passos.
Também gosto do meu carro, não é um maquinão da moda, não faz virar cabeças, mas gosto dele. É um discreto veículo familiar, mas que nunca me falhou.  É confortável e seguro nas viagens mais longas, anda bem, é poupadinho, apesar de notar que o depósito tem vindo a crescer (já preciso de mais de 70 euros para o atestar) e é perfeito para as voltinhas de cidade. Estaciona-se bem, apesar de ser bastante espaçoso por dentro - é incrível a quantidade de brinquedos que um banco de trás comporta, nem o trenó do Pai Natal! Gosto dele, sinto-me bem atrás do seu volante.
Contudo, há pessoas que elevam a sua relação com o carro a um nível superior. Há gente para quem o carro é uma verdadeira bolha actimel que os protege de tudo e todos, inclusive dos olhares de mirones como eu. Gente que certamente que se sente em casa dentro do seu carro.
Senão vejamos, a mãe apressada que distribui sandes aos filhos que esbracejam no banco de trás, uma menina que ajeitava as mamas no cai-cai - isto é coisa digna de um descapotável, outra que se maquilhava, homens e mulheres que aproveitam o semáforo encarnado para ler e mandar mensagens no telemóvel (hoje não vou falar sobre aqueles que o fazem com o carro em andamento), aproveitam para dar um jeitinho à barba e ao cabelo, taxistas em ritual de "higiéne oral" (alguns devem dormir de palitio na boca), vejo de tudo um pouco. 
Mas o que me intriga mesmo, não é bem intrigar, é mais enojar, é a quantidade de pessoas que aproveita o tempo em que está no carro para "limpar os salões". É vê-los ali, de indicador em riste, a coçar o cérebro por dentro. Há ali gente que podia ir para o circo. Há a li gente que a enfiar dedos pelo nariz acima faria corar o mais experiente engolidor de espadas. Depois, ficam ali a admirar o saque, olham da esquerda, olham da direita, sim senhor, cumpre os parâmetros definidos pela  União Europeia, está pronto a ser modelado. Esfrega daqui, esfregar dali, enrola, et voilá! Uma bolinha perfeita! Agora é juntá-la aos milhões que devem alcatifar o chão do carro. E, novamente, indicador em riste, enfiá-lo narina acima, um ritual que se repete...
Eh pá, que nojo, apetece-me abrir a janela e gritar-lhes "É vidro, as janelas do seu carro são feitas de vidro transparente. Não faça isso que está toda a gente a ver e é uma nojeira!". Só não o faço porque me palpita aquilo é gente para me brindar com um sonoro traque e ainda se ficar a rir, dentro da sua bolha actimel, com os vidros transparentes... e fechados!

Sendo assim, se calhar para a próxima grito mesmo.

domingo, 14 de julho de 2013

Agora sim!

Pois então, o segredo são os pés na areia e a comida, tudo cuidadosamente fotografado e devidamente instagramizado. Fotografias, não tenho, mas posso adiantar-vos qualquer coisa.
Sobre comida posso dizer-vos que ontem fui a um restaurante com uma localização excepcional e onde se come um terra e mar de lamber os dedos. Acredito piamente que o segredo é esse, localização e comida. 
Se fosse pelo serviço, noutro lugar aquele restaurante teria os dias contados. Mas aquele continua ali, de pedra e cal, há mais de 30 anos. Cá em casa chamamos-lhe o Atrasão, mas acho que o nome apropriado é Milagre. Que atraso de vida! Eita gente preguiçosa! Ontem, ainda não eram 14h30 já o dono dizia ao empregado, alto e a bom som para que toda a sala ouvisse: "Oh Bruno, esse casal de bifes que está aí à porta a ler o menu, vai lá dizer-lhes que a esta hora já não há nada para ninguém, que não são horas para se almoçar". Uns minutos depois, "Cum carago, é preciso ser-se muito estúpido, então não é que esse gajos aí ao fundo me perguntaram o que é que  leva a salada russa? Mas cabe na cabeça de alguém não saber o que é que leva a salada russa? Peçam outra entrada que saibam o que é!". Para rematar: "O que é que você disse que queria para acompanhar? Hoje o comer demora mais um bocado a vir para a mesa porque temos uma rapariguita ali a ajudar na cozinha que é o primeiro dia...". Você, o comer, o que é que se pode querer mais num restaurante?
Pés na areia. Não pus lá os meus ontem, mas enquanto almoçava vi passar cada exemplar, que metia medo. Querendo saber mais, procurem no facebook e blogs da especialidade.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

1,2, 3, já está a contar!


1. 2. Sssom. Ssom. A. A. Experiência. Sssom. Ssom.


Eu sei que é feio, que não se faz, que roça a devassa, mas não resisto, gosto de observar as outras pessoas, de ouvir as suas conversas. Faço-o onde quer que esteja, no trabalho,  na rua, no carro, no café, no restaurante ou no supermercado. Quando em criança ouvia os meus pais comentarem que não percebiam como havia gente capaz de “fazer vida de café”, sentada  a ler o jornal, a ver quem passa e a dar palpites sobre tudo e todos, sem nada fazer, eu achava tudo muito estranho. Já na altura a hipótese de poder passar uma tarde sem fazer nada, sem ter de pensar muito, simplesmente a ver quem passa  e a “mandar bitaites” me parecia fascinante. E pensava “mas que mal tem “fazer vida de café?”. Depois cresci e afinal “fazer vida de café” não é propriamente uma vida que almeje, mas o gosto por ver quem passa e ouvir o que se diz mantém-se. Faço-o, modéstia à parte, com mestria. Depois de anos a ler blogs  decidi criar o meu, um blog onde pudesse escrever sobre o que vou vendo, ouvindo e lendo e onde desse uns palpites, como os que muito falam e nada fazem. Se levo a sério as conversas de café que vou ouvindo? Não. Nem o que aqui escrevo é para levar.




Então ter um blog é isto...?


Mas que interesse pode ter um blog escrito por mim? Que relevância pode ter aquilo que eu escrevo? Nenhuma (ou toda, nunca se sabe), mas se os outros têm, eu também posso ter. Soa a inveja, é pequenino? Não é. E se fosse? Tens algum problema? Então?! Querem lá ver... E se escrevo mal? Os outros também, não será o primeiro nem o último blog mal escrito, qual é o teu problema? Na pior das hipóteses ninguém o lê, eventualmente, e com muita sorte, receberás comentários insultuosos, não é o fim do mundo. E se me falta assunto? Não escreves, parece-me simples. É a vantagem de ser só um blog. Quando te fartares ou te faltarem as ideias agarras nas tuas coisinhas, apagas a luz e fechas a porta. Ninguém sabe quem és tu, podes seguir a vidinha na paz do Senhor. Está decidido! Vou ter um blog, “ó larilas”!

Então vamos lá pensar nisto. Como é que eu lhe chamo? Não foram precisos mais que dez minutos no café para ter uma epifania. Fazer “vida de café” opera maravilhas no cérebro humano. Exclui o óbvio “Vida de café” (mas fica guardado, nunca se sabe...). Vai chamar-se Mirone e o header  há-de ser um maluquinho a espreitar por uns binóculos. Header em vez de cabeçalho... Catita hein?! Até parece que domino o tema! Isto só pode ser um bom augúrio para o meu blog sobre tudo e sobre coisa nenhuma. Nisto dos blogs, acredito que mais vale parecê-lo que sê-lo. 
(Mentalmente ensaio uma coreografia de vitória) Oh yeah! Já tenho nome e cabeçalho, perdão, header. Pago o café e volto ao escritório. Depois leio as gordas do jornal na net. O meu blog não pode esperar! Escrevo no motor de busca “como criar um blog”. Sugere-me o Blogger. Está feito! Crio uma conta de mail, blogmirone@gmail.com (quão mais básico se pode ser?!). Escolho o esquema, o fundo. O esqueleto está definido. V amos lá é guardar isto antes que alguém tenha a brilhante ideia de fazer um blog chamado Mirone. Feito! Nasceu o mirone.blogspot.com.

Agora é escolher uma imagem para testar isto do header. Vou procurar na net, que é mais rápido e assim também fico a saber o que anda por aí quando se pesquisa mirone. E não corro o risco de fazer uma coisa igual ao que já existe – não quero começar a minha aventura blogosférica com uma acusação de plágio. Motor de busca a trabalhar, escrevo mirone, selecciono imagens e... Oh diabo!!! Que é isto?!!! Então uma pessoa procura imagens relacionadas com mirone e a primeira coisa que vê é pornografia, voyeurismo?!!! Pronto! É o fim! O meu blog morreu ainda antes de ter nascido! Está bem que eu disse que não é para levar a sério o que aqui escrevo, mas caramba, há mínimos de “decência”. Porque é que eu não escolhi “Vida de Café”? Calma, calma, respira, mantém a presença de espírito. Podes sempre mudar o cabeçalho, perdão, o header, para “Vida de Café". Que mal tem o nome do blog ser diferente do seu endereço? O Café Central que conheces afinal chama-se  Ramiro & Filhos, Actividades Hoteleiras, Ldª e ninguém reclama. Não senhor, nasceu Mirone, há-de morrer Mirone! Sabes bem que na vida só vencem aqueles que na desgraça vêem uma oportunidade. Espera lá, isto parece conversa de café... Precisamente! Encara isto como uma oportunidade. Pode trazer-te muitos leitores. Sim, virão ao engano, mas algum há-de ficar.

Sendo assim, agora é oficial, abriu o Mirone. Ainda sem header, quando tiver um tempo livre faço uns rabiscos no paint ou no sketch pro do iPad, ou arranjo uma imagem livre de direitos na internet, logo se vê. Textos, pois, deixa-me lá ver o que é que se diz por aí...

Volto já. Volte também! (Ai que piroseira, eu nem acredito que escrevi isto!)




Nha, nha, nha, nha, nha! Toma, toma, toma!


As fotografias que mais vejo pela net (Facebook, para sermos rigorosos) são, além dos pés na areia mal se aproxima o Verão, as fotografias de comida. Ele é sushi, é sardinha assada dos santos populares, o prato de caracóis acompanhado das louras e frescas imperiais, o jarro da sangria e as bolas de berlim a babarem creme, os cafés e os pastéis de nata... O que se queira.

Sobre isto, só tenho a dizer que  acho horrível postar fotos de comida no Facebook (não tenho Instagram, mas ouvi dizer que é o seu core-business). A não ser que, efectivamente, seja uma coisa extraordinária, digna de ser partilhada com o mundo (ou que a pessoa em questão tenha um verdadeiro gosto pela culinária e gastronomia), o que há de tão maravilhoso num prato de sushi ou na mesa de sobremesas do aniversário da cria, que careça, depois de devidamente “instagramizado” para parecer uma foto tirada em mil novecentos e troca o passo, de publicação no mural do FB? Se queriam mostrar àquela "amiga" lá do serviço, convidavam-na, não é?

Há uma frase que ouvia da minha mãe em criança e que não me canso de repetir à minha filha: "Ser  invejoso com a comida é das coisas mais mesquinhas que existe". E, para mim, é tão mesquinho fazer queixinhas à mãe "mas oh mãe, a fatia de bolo dela é maior que a minha", como fazer inveja e dizer através das fotos do fb "Toma, toma, toma, estou a comer isto e tu não!".