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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Progresso

Pois é, leitores, mês de Agosto está a chegar ao fim e, devagar, as pessoas regressam ao trabalho. Daqui a pouco mais de uma semana será a vez do regresso às aulas. O trânsito voltará ao "ram-ram" de sempre, devagar, devagarinho, parado, agora foi um toque sem jeito nenhum que está a "entupir" a via, daqui a nada o entupimento há-de ser só porque sim, enfim, o triste cenário do costume a que muitos de nós já nos habituámos, passo a redundância.
Eu não me posso queixar muito, vivo perto do meu local de trabalho e, à excepção da falta de estacionamento nas poucas vezes que vou de carro deixar ou buscar a Mironinho ao colégio, não tenho grandes arrelias no que diz respeito ao trânsito.
Minto! Tenho poucas arrelias, mas as que tenho são enormes. É que até me possuo! Perco anos de vida.
Falo-vos desse símbolo de progresso que são as rotundas. Maiores, mais pequenas, mais ou menos enfeitadas, consoante as sensibilidades artísticas dos nossos autarcas, com simples relvados, frondosos jardins ou mato desleixado, complexas obras de engenharia ou um simples pneu de camião colado ao chão com betão, não há em Portugal localidade que não as tenha. 
Pois que sim, que são reflexo do progresso, da democratização do uso do automóvel, está muito bem (estaria melhor se houvesse em todo o país  redes de transportes públicos que dispensassem o recurso sistemático aos automóveis, mas isso são "outros quinhentos").
Mas, no que diz respeito a rotundas, progresso e democracia são incompatíveis. 
Meus senhores, isto de conduzir em rotundas não é como cada um quer, sabem? Há regras! A faixa a direita é para quem abandona a rotunda na próxima saída, estão recordados, ou faltaram à aula de código sobre as rotundas?
É isto senhores, é isto que me traz cabelos brancos, que fará rebentar a úlcera que não tenho. E circular na faixa do meio? E não fazer piscas? E peões que decidem transformar as passadeiras em passerelles em slow-motion? E rolhas? E aceleras? E condutores de domingo? E taxistas selvagens? Tudo é mau, muito mau, mas nada me mexe mais com o sistema nervoso do que pessoas que não sabem fazer rotundas.
Caso algum desses condutores me esteja a ler, nunca se sabe, que há gente para tudo e se não sabem conduzir em rotundas não me espanta que andem por este blog, deixo-vos aqui um auxiliar de memória. 


De nada, de nada. Prometam-me só que se vão esforçar por cumprir.



segunda-feira, 15 de julho de 2013

No carro não!

Gosto de conduzir e, na minha vida profissional, por vezes, faço largas centenas de kilómetros por dia. Porém, no dia-a-dia, tenho o privilégio de não perder muito tempo no trânsito. Trabalho perto de casa, as  deslocações não duram mais do que dez, quinze minutos, e tenho quase todos os serviços de que preciso a meia dúzia de passos.
Também gosto do meu carro, não é um maquinão da moda, não faz virar cabeças, mas gosto dele. É um discreto veículo familiar, mas que nunca me falhou.  É confortável e seguro nas viagens mais longas, anda bem, é poupadinho, apesar de notar que o depósito tem vindo a crescer (já preciso de mais de 70 euros para o atestar) e é perfeito para as voltinhas de cidade. Estaciona-se bem, apesar de ser bastante espaçoso por dentro - é incrível a quantidade de brinquedos que um banco de trás comporta, nem o trenó do Pai Natal! Gosto dele, sinto-me bem atrás do seu volante.
Contudo, há pessoas que elevam a sua relação com o carro a um nível superior. Há gente para quem o carro é uma verdadeira bolha actimel que os protege de tudo e todos, inclusive dos olhares de mirones como eu. Gente que certamente que se sente em casa dentro do seu carro.
Senão vejamos, a mãe apressada que distribui sandes aos filhos que esbracejam no banco de trás, uma menina que ajeitava as mamas no cai-cai - isto é coisa digna de um descapotável, outra que se maquilhava, homens e mulheres que aproveitam o semáforo encarnado para ler e mandar mensagens no telemóvel (hoje não vou falar sobre aqueles que o fazem com o carro em andamento), aproveitam para dar um jeitinho à barba e ao cabelo, taxistas em ritual de "higiéne oral" (alguns devem dormir de palitio na boca), vejo de tudo um pouco. 
Mas o que me intriga mesmo, não é bem intrigar, é mais enojar, é a quantidade de pessoas que aproveita o tempo em que está no carro para "limpar os salões". É vê-los ali, de indicador em riste, a coçar o cérebro por dentro. Há ali gente que podia ir para o circo. Há a li gente que a enfiar dedos pelo nariz acima faria corar o mais experiente engolidor de espadas. Depois, ficam ali a admirar o saque, olham da esquerda, olham da direita, sim senhor, cumpre os parâmetros definidos pela  União Europeia, está pronto a ser modelado. Esfrega daqui, esfregar dali, enrola, et voilá! Uma bolinha perfeita! Agora é juntá-la aos milhões que devem alcatifar o chão do carro. E, novamente, indicador em riste, enfiá-lo narina acima, um ritual que se repete...
Eh pá, que nojo, apetece-me abrir a janela e gritar-lhes "É vidro, as janelas do seu carro são feitas de vidro transparente. Não faça isso que está toda a gente a ver e é uma nojeira!". Só não o faço porque me palpita aquilo é gente para me brindar com um sonoro traque e ainda se ficar a rir, dentro da sua bolha actimel, com os vidros transparentes... e fechados!

Sendo assim, se calhar para a próxima grito mesmo.

domingo, 30 de junho de 2013

Coragem

E perguntam vocês: Olha lá Mirone, então e praia, com este calor ainda não foste à praia? Mirone que é mirone não perde uma oportunidade para ir à praia dar umas espreitadelas...
E eu respondo: Com certeza, sempre que posso, durante a semana, ao fim do dia, vou à minha praia secreta. Que sossego... As outras praias, as de domingo? Estou só a ganhar coragem. Vocês sabem que adoro praia, que me dói o peito se não vejo o mar, mas enfrentar as filas de trânsito, deixar o carro onde o Judas perdeu as botas, arranjar um bocadinho de areia onde possa estender mais que uma toalha de bidé, sem ter que estar a cheirar os pés do vizinho, levar com gente malcriada e barulhenta requer alguma coragem. Mas garanto-vos que que o esforço valerá a pena. Terei material de escrita para uns tempos valentes. Sejam pacientes.