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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Querido amigo do vizinho

Querido amigo do filho do vizinho, desmemoriado,
Eu sei que estás numa idade parva, que já te achas muito crescido e que não tens de ouvir sermões de ninguém. Sei que estás numa idade em que fica bem ser mauzão e desrespeitar regras e dizer palavrões ao pé dos amigos. Também sei que para  ti os adultos são todos uns cotas chatos. Também sei que precisas de fumar para te sentires homem. Querido amigo do filho do vizinho, lembra-te que não é a primeira vez que te peço para não fumares no elevador. Querido amigo do filho do vizinho, lembra-te que não estás em tua casa. Querido amigo do filho do vizinho, lembra-te eu não sou um dos teus amigos. Querido amigo do filhho do vizinho, lembra-te que ao pé de mim, e no edifício onde eu moro, respeitas as regras e falas como deve ser.
Querido amigo do filho do vizinho, da próxima vez que te apanhar a fumar no elevador, tiver de te repreender, novamente, e fores mal educado comigo, terei de te avivar a memória assim...

Estamos conversados?

Também já conversei com o os pais do teu amigo hospitaleiro e parece-me que tão cedo não nos cruzaremos. Sorte a tua.

domingo, 14 de julho de 2013

Agora sim!

Pois então, o segredo são os pés na areia e a comida, tudo cuidadosamente fotografado e devidamente instagramizado. Fotografias, não tenho, mas posso adiantar-vos qualquer coisa.
Sobre comida posso dizer-vos que ontem fui a um restaurante com uma localização excepcional e onde se come um terra e mar de lamber os dedos. Acredito piamente que o segredo é esse, localização e comida. 
Se fosse pelo serviço, noutro lugar aquele restaurante teria os dias contados. Mas aquele continua ali, de pedra e cal, há mais de 30 anos. Cá em casa chamamos-lhe o Atrasão, mas acho que o nome apropriado é Milagre. Que atraso de vida! Eita gente preguiçosa! Ontem, ainda não eram 14h30 já o dono dizia ao empregado, alto e a bom som para que toda a sala ouvisse: "Oh Bruno, esse casal de bifes que está aí à porta a ler o menu, vai lá dizer-lhes que a esta hora já não há nada para ninguém, que não são horas para se almoçar". Uns minutos depois, "Cum carago, é preciso ser-se muito estúpido, então não é que esse gajos aí ao fundo me perguntaram o que é que  leva a salada russa? Mas cabe na cabeça de alguém não saber o que é que leva a salada russa? Peçam outra entrada que saibam o que é!". Para rematar: "O que é que você disse que queria para acompanhar? Hoje o comer demora mais um bocado a vir para a mesa porque temos uma rapariguita ali a ajudar na cozinha que é o primeiro dia...". Você, o comer, o que é que se pode querer mais num restaurante?
Pés na areia. Não pus lá os meus ontem, mas enquanto almoçava vi passar cada exemplar, que metia medo. Querendo saber mais, procurem no facebook e blogs da especialidade.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A sério?!


Era tão bonita, o raça da miúda. Vamos ser rigorosos, era boa! Morena, de cabelo apanhado num rabo de cavalo. Tinha mais 4 kg do que desejava. Leggings brancas!!! Pronto, mais 6 kg que o que desejava (as leggings brancas são impiedosamente cruéis), mas também, um homem não gosta de sacos de ossos, gosta de ter carne para agarrar não é? 
Não estava maquilhada. Se estava não se notava, as unhas de gel amarelo neon gritavam mais alto. Deviam proibir a miúdas de 18 anos de se maquilharem! (e usar unhas de gel amarelo neon).
A camisola larga, mas curta, a acabar onde começavam as leggings brancas (?!) caía-lhe-lhe pelo ombro e mostrava os resultados do primeiro escaldão do ano. Com que idade se deixa de achar que o mais importante é um corpo bronzeado a todo o custo, mal surjam os primeiros raios de sol? 
No outro ombro, uma mala "daquelas que dão com tudo" tresandava, literalmente, a contrafacção. Numa mão um cigarro, na outra um smart-phone (haja alguma smartness nesta equação). Calçava... não reparei, parei nas leggings brancas (?!).
Aproximou-se do balcão e com desdém, numa voz afectada de dondoca, tão falsa como a mala que usava, larga um demorado "Óoooolhe, é um cafê curto, que tou cheia de prêssa. 'Tá aqui o dinheiro, vá!". Deu-me vontade de lhe gritar, "olha lá, tu só não vens das barracas porque acabaram com elas quando fizeram a Expo, para que é que é essa voz a fingir que vens da Linha?" E como se na linha se falasse assim, mas enfim, calei-me e fiquei só a vê-la...
Na sua cabeça, talvez no seu bairro, quem sabe, é a personagem principal dos sonhos eróticos de todos os homens. Até pode ser, que cada um sabe de si e dos seus sonhos.
Eu sou uma mente aberta, aceito quase tudo. Aceito a arrogância, a pose forçada e encenada, acredito que seja só uma fase estúpida e que a maturidade entretanto trate do assunto. Aceito a inconsciência, pronto, foi só um escladão, mal seja que venha a desenvolver um melanoma. Até sou capaz de aceitar a falta de educação com que se dirigiu à empregada do café, se calhar estava num dia mau, para a próxima será mais educada. Aceito a mala contrafeita, se naquela cabecinha bonita, uma mala fedorenta e de má qualidade a deixa feliz, porque não? Se passar por algo que não se é a realiza, pois que está muito bem. Até aceito as unhas de gel amarelo neon, é uma questão de moda, e que percebes tu de moda Mirone? 

Agora leggings brancas?! A sério?!