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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Oito

Oito.

Oito é o número natural que sucede o sete e precede o nove.
O 8 é um número composto, que tem os seguintes factores próprios: 1, 2 e 4. Como a soma dos seus factores é 7 < 8, trata-se de um número defectivo.
8 é o cubo de 2. O próximo cubo perfeito é o 27.
Pode ser escrito de forma única como a soma de dois números primos:  8=3+5
É considerado o número da sorte chinês.
8 de lado é o símbolo do infinito.
O oitavo dia do mês era consagrado, em Atenas, a Posidão, porque 8 é o primeiro cubo de um número par e o dobro do primeiro quadrado, representando, assim, a natureza firme e constante deste deus.
 (Fonte)

Oito é o número de anos que passaram desde que estás a meu lado. E tudo parece fazer tanto sentido.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Valha-me Santa Apolónia...

... padroeira dos dentistas!
Estava e ver esta notícia e, não contente com a fotografia do simpático peixinho, pacu de seu nome, decidi "googlar" mais umas quantas.
Jesus, Maria, José! Figas Diabo!  Não dava para o peixe ter uma boca mais bonita?
Isso de morder testículos não deve fazer muito pela saúde oral do pacu...

Rebelde com causa

Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que já não tenho a resistência que tinha há uns anos, quando fazia os disparates que entendia e ainda assim mantinha a frescura de uma alface orvalhada. Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que a alface orvalhada caminha a passos largos para couve lombarda velha, dura, enacarquilhada. Lentamente, hoje, tudo à minha volta acontece lentamente, muito lentamente.
Ontem deitei-me tarde. Hoje levantei-me cedo. Não preciso de dormir muitas horas para ficar bem, mas hoje estou realmente a ressentir-me. As sestas durante as férias deram cabo do meu bio-ritmo. Mas isso faz-se em duas semanas? Comigo fez-se. Aquelas duas semanas de sestas e uma noite de três horas. 
Já bebi vários cafés, um ao pequeno almoço, outro a meio da manhã e outro a seguir ao almoço. Gostava tanto de ser daquelas pessoas que ficam cheias de energia quando bebem café. Mas não, comigo o café parece que tem o efeito de um copinho de leite quentinho antes de deitar. 
Desde a hora de almoço que me encontro nesta modorra, que moleza,  apetece-me dormir. L-e-t-a-r-g-i-a... Tento pensar em mil e uma maneiras de acabar de vez com este sono, mas só me ocorre uma solução e logo a mais básica - que é dormir mesmo. E onde? Como? Que disparate, vou lavar a cara com água fria, beber outro café que passa. Não passa, estou a dizer-vos. 
A moleza, essa rebelde, quem diria, não me dá tréguas.





terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dúvidas existenciais

Há muitos, muitos anos, era eu uma criança... Não Mirone, que coisa tão básica, assim não.
No tempo em que os animais falavam... Também não. Ainda não é isto. Adiante.
No nono ano, fiz testes psicotécnicos para tentar perceber que área de estudos deveria  seguir. O resultado não foi uma surpresa. Artes! Temos artista, dizia o relatório. Bem, dizer, dizer, com as letras todas "temos artista", não dizia, mas sim, o meu futuro poderia passar por qualquer profissão ligada às artes e à criatividade. Como dizia, não era surpresa. A minha mãe ainda hoje conta orgulhosa que no fim da primeira classe a professora lhe pediu se podia ficar com um dos meus cadernos, porque "nunca tinha visto um tão limpinho e com desenhos tão perfeitinhos" (sic). É verdade, tinha a letra muito perfeita, minúscula (usava sempre um lápis muito afiado, ou, Tcharam!, o que mais nenhum colega tinha, uma lapiseira como as que via o meu pai usar e não descansei enquanto ele não me deu uma), pouco carregada, de maneira que quando precisava de apagar não ficavam aqueles borrões cinzentos. Os desenhos eram sempre perfeitinhos, com muitos pormenores, pintava sempre se sair dos contornos e não pintava as superfícies grandes "aos santos" (a professora dizia que pintar em diversas direcções era pintar aos santos). Mais tarde, os cincos a educação visual e a trabalhos manuais eram presença mais que garantida na minha pauta de avaliações. Três períodos por ano, cinco anos seguidos, lá estavam eles. Não falhou um único. "E olha que não costumo dar cincos no primeiro período!", diziam os professores. Leitores professores, peço-vos, eu que não percebo nada de pedagogia, se os vossos alunos tiverem excelentes notas no primeiro período dêem-lhe cinco. Um quatro injusto só porque não costumam ou não gostam de dar cincos no primeiro período é uma estupidez.
"Belas Artes? Arquitectura? Design? Que te parece Mirone?". 
Não! Nem pensar! Mas estão todos tolinhos, ou quê?! Tinha de medo do vazio de ideias. E se um dia me faltam ideias, se tenho uma branca de criatividade que dure para sempre? Uma pessoa pode ter uma técnica fantástica, ser um exímio executor e ser um péssimo criador. E se tenho de ir dar aulas de educação visual? Dar aulas é que não, que é preciso gostar muito e eu não sei se vou gostar de aturar alunos mal criados.
Não segui artes, mas continuei a gostar de fazer umas coisas, nomeadamente, pintar.
Há uns anos, estava em casa a "aboborar" e lembrei-me de ir pintar um bocado. "Boa ideia, Mirone! Já não pinto há uns tempos, estão aí os pincéis e as tintas e até estou aqui com umas ideias"... Pincelada para cá, pincelada para lá, muita técnica "del borrón" - uma técnica difícil exclusivíssima que desenvolvei - e, na minha ideia, ao longe e com os olhos semicerrados (ou sem óculos, sou míope) aquilo deveria ser a cara de uma gueixa, espécie, "coise"...  Não desgostei do resultado. A verdade é que o quadro me tem acompanhado pelas casas onde morei e ocupa um lugar de destaque no meu escritório de casa. 
Há dois ou três anos, numa festa de anos da Mironinho, convidei a família toda. Entre amigos e familiares, eram, seguramente, umas quarenta pessoas! Espalharam-se por onde puderam. A criançada no quarto, a brincar. As mães e tias pela cozinha a querer ajudar em alguma coisa. Os restantes adultos pela sala, pelo corredor, pelo escritório.
Entretanto, vem uma tia, a irmã mais velha do meu pai, que me puxa para si: 
- Ai Mironinho, estava ali no teu escritório e tens ali um quadro tão lindo. Foste tu que pintaste? Não está assinado. Se foste, vê-se bem que saíste ao nosso lado da família. Fico tão orgulhosa.
Com uma ponta de vaidade, por outro lado pensado "mas que raio quer ela dizer com vê-se bem que foste tu que pintaste", pergunto:
- Qual? Pintei vários.
- Aquele grande, o da Natália Correia! Sais ao teu pai. Do nosso lado da família sempre gostámos muito de poesia!

E pronto. De uma assentada percebi que fiz a escolha certa quando decidi não seguir artes. Que é igualmente acertado não assinar os quadros (Mas estás a assinar o quê Mirone? Deves pensar que tens aí uma rica obras, deves). Que sim, saio ao meu pai, gosto de poesia.
Agora estou aqui, a tentar agendar uns posts e estou com "uma branca". O vazio que tanto temia. Deixem-me olhar mais um bocadinho para a Natália Correia a ver se me inspiro.





segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Se tu visses o que eu vi, fugias como eu fugi (e rias como agora estou a rir)

Tenho ideia de que todas as cidades têm o seu "maluquinho" de serviço. Se calhar, para não ferir susceptibilidades, devia chamar-lhes cidadãos portadores de doença mental e/ou déficit cognitivo. Normalmente são inofensivos, mais ou menos educados, e alguns, de certa forma, chegam a ser "acarinhados" por quem se habitua a vê-los. Estou a lembrar-me, por exemplo, do "Emplastro" do Porto, acho que se chama Fernando, desculpem-me, não sei o nome.
Mas eu, Mirone, morro de medo destes maluquinhos. Morro mesmo. Falta-me o ar, o coração dispara, foge-me o chão. Clinicamente suponho que os encontros com maluquinhos me deixem à beira de um ataque de pânico. Por isso, sempre que me cruzo com um faço um esforço tremendo para racionalizar "calma Mirone, ele não te vai fazer mal, não olhes, finge que não ouves, finge que não vês, segue a tua vida que ele seguirá a sua". E tem corrido bem.
Acho que fiquei assim quando, há uns 10 anos, me entrou um maluco no carro. Tinha ido deixar o meu irmão ao terminal da rodoviária e, enquanto ele sai por uma porta, o maluco entrou pela outra. "Leva-me ao shopping". O homem fedia, é só do que me lembro! Eu tremia como varas verdes e não conseguia articular uma palavra, apesar de já o conhecer "de vista" e saber que era inofensivo, uma criança em ponto grande. "Leva-me ao shopping... vá lá, faz favor" choramingava. E agora o que é que eu faço? Pensa Mirone, pensa! Tive ali morte cerebral, de certeza, porque não pensei e fiz o que fiz. Eu não vos digo que morro? Levei-o quase até ao shoping (era próximo e ficava no meu caminho). Pedi-lhe que saísse e ele saiu. Agora penso que se lhe tivesse pedido que saísse logo no terminal, teria saído, mas nunca o saberei.
Hoje, a coisa não foi melhor. Ou melhor, foi pior. Encontrei outro maluquinho. Já deve ser velhote, lembro-me de o ver desde quase sempre. A "pancada" deste é ser sinaleiro. Normalmente anda por dois ou três cruzamentos a orientar o trânsito.
Acontece que hoje tive de ir à Junta de Freguesia que fica, precisamente, junto a um cruzamento por onde ele costuma parar. "Calma Mirone, segue, finge que não o vês, finge que não o ouves". Ele esbracejava, gritava "Avance, avance! Páre, páre!" aos carros que passavam. Estava no passeio oposto ao meu, tudo pacífico, portanto. Só que quando eu vinha a sair, vejo-o a gritar "Uou! Uou!", a mandar parar os carros e a atrevessar a estrada a correr, na minha direcção. Pronto, é desta Mirone, ele vai atacar-te, já foste! O que é que eu faço? Não me posso defender. Ele é velhote, com os nervos com que estou, sou capaz de lhe dar uma sova tão grande que o deixo estendido (que uma pessoa "com os nervos" vai buscar forças não sabe bem onde). Eu não quero ir para a prisão por causa de um maluquinho. Não quero ir para a prisão. Por motivo nenhum. Ponto final. O que é que eu faço?
Grito de medo e começo a correr também, na direcção do estacionamento. E quanto mais eu corria, mais ele corria, mais ele gritava. "Uou! Uou! Tá a ouvir?". E eu gritava também. E corria! Chego ao carro. Agora a chave? Onde é que está a chave! E ele grita mais. Vai alcançar-me antes de eu entrar e me trancar lá dentro. Pronto Mirone. É o fim! Adeus mundo...
Uou! Uou! Tá a ouvir? Diga-me uma coisa. Estava lá o Presidente? Ainda não o vi hoje, e o carro dele também não está cá.
Todas as cidades têm o seu maluquinho de serviço. A minha, hoje, teve dois!

Como é que é aquilo dos espelhos ou dos nossos retratos e das costas do outros?

E depois as pessoas chegam de férias, felizes e entusiamadas, de baterias carregadas e falam, falam, falam, falam e falam mais um bocadinho. E eu  oiço, oiço, oiço, oiço e oiço mais um bocadinho. E sorrio, sorrio, sorrio, sorrio e sorrio mais um bocadinho. E abro muito os olhos e vou dizendo que sim com a cabeça. E parece que viram a luz e assim é que é e assim é que se faz e eles é que sabem e nunca ninguém se lembrou daquilo que eles se lembraram. E eu penso que se calhar bastava "googlar" ou ir à wikipedia para perceberem quem descobriu a pólvora. Mas penso mais um pouco e percebo que isso não os faria mais felizes, nem a mim, que também não a descobri. E penso que se continuar a sorrir e a dizer que sim sou capaz de ficar com caimbras. E que se calhar também sou assim e nunca me dei conta. E que aquilo do monday blues e da depressão pós-férias é verdade e que daqui a pouco vai "bater" e que é só uma questão de minutos, horas e depois tudo volta ao normal. E sorrio, genuinamente sorrio.


domingo, 1 de setembro de 2013

e da minha desgraça

E no dia primeiro do mês de Setembro do ano da graça do Senhor de 2013, ouvi a "Piradinha".
Já a caipirinha, estava bem boa.