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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Quem dá e volta a tirar, ao inferno vai parar.

Estava eu, pela primeira vez na semana, a beber o meu café quentinho antes do trabalho, quando percebo que um casal já com alguma idade não tira os olhos de mim. Discretamente, olho para a vitrine dos bolos e tento ver o meu reflexo. Estarei despenteada, terei alguma coisa na cara? Nada a assinalar, aparentemente. Volto ao jornal, "enfim, ricas notícias, parece o Correio da Manhã. Ai espera, é o Correio da Manhã". Este mata, aquele esfola, este é preso, o outro fica em liberdade, o costume.
O casal octogenário levanta-se e, quando passa por mim, ela baixa-se e sussurra ao meu ouvido:
- Bom dia. Deixei-lhe o cafézinho pago.
Na minha cabeça foi assim (chapéu incluído):
Na realidade, foi assim:

- Bom dia... um café?
- É a esposa do Dr. Zé, não é?
- Não, está enganada. Eu agradeço, mas tem aqui o dinheiro do café.
Ainda vi o marido olhar para as moedas que eu tinha na mão, mas depressa foi avisado:
-Anda Chico. Não sabes que quem dá e tira ao inferno vira? Com 83 anos pode ser já amanhã.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

E se...?

(Ainda no registo das lamentações e forretice)
E se nas auto-estradas, em vez de placas com a informação sobre os postos de abastecimento e os preços dos respectivos combustíveis (onde, aliás, podemos comprovar que não há qualquer espécie de concertação de preços, que ideia disparatada, realmente há pessoas que só estão bem a dizer mal, parece impossível), estivesse também a marca de café disponibilizada na cafetaria?
Custa tanto e é tão perigoso conduzir com sono, que se ao menos pudéssemos planear o café que vamos beber, custava menos pagar a fortuna que nos pedem por meia chávena de cicuta.
Fica a dica, senhores das concessionárias das auto-estradas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Dejá vu

Acabou de me acontecer, leitores, mais uma vez. Mirone, a participar em vexames em público desde... sempre?
Corria o ano de 2011, se não estou em erro, e o Palácio das Galveias acolhia uma exposição sobre instrumentos de tortura medievais (tenho cá para mim que foi aqui que o nosso ex-primeiro se inspirou para escrever a sua teses de mestrado).
Era sábado de manhã e o casal Mirone entendeu que seria uma belíssima forma de abrir o apetite para o almoço. Sala atrás de sala lá estavam elas, das mais imaginativas  máquinas de empalamento, aos simples alicates de arrancar unhas, dos quebadores de joelhos aos singelos garrotes, a arrancar esgares e arrepios aos visitantes. A certa altura, um casal que seguia à nossa frente protagoniza o episódio do dia.
Sem que ninguém esperasse, pelo menos sem que o esperássemos, o senhor cai redondo no chão. Ela desesperada, ajoelha-se e começa a gritar enquanto o sacode violentamente:
- Fernando, Fernando! Fernando, acorda! Socorro, ajudem! O meu marido está a sentir-se mal!
E o que é que o casal Mirone faz? Assume a sua condição em plenitude. Recua dois passos, cruza os braços e comenta entre si:
- Sabias que isto tinha um espectáculo associado? 
- Sim senhor, por acaso até é uma ideia gira, resulta. E olha que não vão nada mal. Muito realista, até.  esta nova geração de actores até se safa. Infelizmente não têm as oportunidades que deviam...
De joelhos, lavada em lágrimas, a senhora gritava:
- Fernando, Fernando! Ajudem!
E vira-se para nós, capaz de nos comer vivos (que apropriado, já que falamos de tortura) e ordena:
- Mexam-se! Pelo amor de Deus! Não fiquem aí parados, chamem o INEM!
Só então caiu a ficha. Afinal não era uma representação, era real e o Fernando precisava efectivamente de ajuda. Entretanto o segurança já lhe estava a aplicar manobras de primeiros socorros e reanimação e  Fernando retomava a consciência.
Aparentemente, impressionado com os instrumentos expostos, tinha tido uma quebra de tensão que originou o desmaio.
Depois de pedir mil perdões ao casal, de lhe explicarmos que julgávamos tratar-se de uma encenação, saímos de fininho com vontade de nos enfiarmos num buraco.
Hoje a história repetiu-se. Mas tenho a memória fresca e desta vez estava preparada.
Tomava eu o meu café antes de começar a trabalhar, quando um casal de adolescentes se senta na mesa ao lado da minha. Sorrisinho daqui, cochicho de acolá, tudo corria bem até que ele cai sonoramente sobre a mesa, inanimado. Pummm!
Num salto, viro-me para a rapariga que estava com ele e digo com voz firme ( quero acreditar que foi com voz firme, que não gritei):
- Calma, não se assuste! D. Creuza, ligue para o INEM, por favor!
- Oi? Quer o quê? - pergunta a dona Creuza.
Do outro lado, duas sonoras gargalhadas.
- Não é preciso, era uma brincadeira! Está tudo bem. Nem pensei que fizesse tanto barulho...
Mais uma vez, o sangue a subir-me o corpo e a tomar-me a face.  Novamente a vontade de enfiar a cabeça num buraco.

Definitivamente, não dou para samaritana!


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Será serviço público?

Pessoas que lêem o jornal em voz alta no café, mas voz alta mesmo, de forma a ouvir-se em toda a sala, isso é o quê? Uma promessa? Um castigo (para quem?)? Uma demonstração de capacidades? Serviço público?
Eventualmente adianta serviço às outras pessoas que também possam estar interessadas em ler as notícias.



Depois de passar parte da manhã enfiada em tudo o que é loja e armazém chinês, à procura de doze disfarces de fada e outros tantos de príncipe, sentindo-me completamente drogada por aquele cheiro a borracha/petróleo, era mesmo disso que eu precisava, enquanto bebia um chá. Ainda eu tinha pena das meninas que trabalham nas perfumarias dos shoppings...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Rebelde com causa

Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que já não tenho a resistência que tinha há uns anos, quando fazia os disparates que entendia e ainda assim mantinha a frescura de uma alface orvalhada. Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que a alface orvalhada caminha a passos largos para couve lombarda velha, dura, enacarquilhada. Lentamente, hoje, tudo à minha volta acontece lentamente, muito lentamente.
Ontem deitei-me tarde. Hoje levantei-me cedo. Não preciso de dormir muitas horas para ficar bem, mas hoje estou realmente a ressentir-me. As sestas durante as férias deram cabo do meu bio-ritmo. Mas isso faz-se em duas semanas? Comigo fez-se. Aquelas duas semanas de sestas e uma noite de três horas. 
Já bebi vários cafés, um ao pequeno almoço, outro a meio da manhã e outro a seguir ao almoço. Gostava tanto de ser daquelas pessoas que ficam cheias de energia quando bebem café. Mas não, comigo o café parece que tem o efeito de um copinho de leite quentinho antes de deitar. 
Desde a hora de almoço que me encontro nesta modorra, que moleza,  apetece-me dormir. L-e-t-a-r-g-i-a... Tento pensar em mil e uma maneiras de acabar de vez com este sono, mas só me ocorre uma solução e logo a mais básica - que é dormir mesmo. E onde? Como? Que disparate, vou lavar a cara com água fria, beber outro café que passa. Não passa, estou a dizer-vos. 
A moleza, essa rebelde, quem diria, não me dá tréguas.





sábado, 31 de agosto de 2013

Eu não percebo...

Sai uma pessoa de casa, feliz da vida que é fim de semana, passa pelo quiosque, leva os jornais e revistas que tem de levar, dirige-se à esplanada, pede o café e senta-se para o que pensa ser uma horita sossegada.
As criancinhas correm na praça, os paizinhos conversam, tudo muito bem, muito bonito, muito romântico, com diminutivos e tudo. Os pombos, essas ratazaninhas aladas, e o que eu gosto de ratazanas, senhores, vêm procurar migalhas nas mesas. Respiro tranquilamente. O castelo continua lindo. O raça do pombo que nem pense vir para a minha mesa, que só tenho café. Sol morno, o Verão está a acabar. O pombo outra vez. Não, ratazaninha piolhosa, nem tu me tirarás o sorriso do rosto. Vai lá voar para longe de mim se fazes favor, sim? E encho o peito de ar. Se isto não é a felicidade, há-de andar muito perto.
E depois ouve-se isto, na mesa ao lado.
- É que não estás bem a ver? É caça à multa, aqueles filhos da mãe! 60 euros, pá! 60 euros! 12 contos em dinheiro antigo! Só porque deitei fora a beata do cigarro. Era para o alcatrão meu! Se andassem atrás desses políticos corruptos, que é uma vergonha, mas não, quem se lixa é o mexilhão!

Estou capaz de lhe emprestar o jornal que comprei. Ou de amestrar um pombo, que lhe deixe uma valente poia na testa.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Casacos de peles

Ontem foi dia de decisões difíceis. Amanhã vou aproveitar mais um pouco destes dias daquele que era suposto ser o Verão mais frio dos últimos anos. 
Verão mais frio? Siberiano, pois com certeza, então não se vê? Tenho ideia que os casacos de peles esgotaram todos, pelo menos não tenho visto nenhum nas montras.
Por isso, e porque me preocupo com o vosso conforto, deixo-vos os sons quentes do país irmão, e a voz de Sara Sonaya,  que ouvi esta manhã pela primeira vez. Obrigada dona Creusa, o galão e a torrada sabem tão melhor com a senhora a cantarolar atrás do balcão.


Leitores que me seguem no telemóvel ou no tablet, que não suporta o vídeo, arranjem lá uma aplicação que obvie esse obstáculo e atentem nesta beleza.

Também li no Público uma notícia sobre os trolls na internet. Sintam-se à vontade para me insultar violentamente.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

As marrãs dos filhos ?!

E porque não frequentas apenas lounges exclusivos, casas de chá sossegadas  ou cafés requintados, espaços de cultura,  tertúlias literárias e filosóficas da mais alta intelectualidade, Mirone?
Porque perderia reflexões deste gabarito:
- Oh mãe, não gosto do creme deste bolo!
- "Atão" dá cá, que eu como. Oh pá, eu bem digo que as mães são as marrãs dos filhos. Em vez de deitar aos porcos, deitam às mães. Toma que é para a engorda! Não "havemos a gente" de 'tar gordas!


Acho que nunca tinha escrito marrãs na minha vida. Se estes momentos não são um verdadeiro boião de cultura, não sei não....

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Dieta

No outro dia, na minha pausa para o café* a meio da manhã, falava-se no programa da manhã da Júlia Pinheiro sobre as profissões que mais engordavam. 



Não prestei muita atenção, sempre achei que era a comida e bebida que engordavam (e as hormonas, pois, que eu nem como para o peso que tenho, é um desarranjo hormonal). Em rigor, nem é a comida e a bebida, são mesmo as pessoas que engordam, já dizem os americanos "guns don´t kill people, people kill people". Mas não,  diz que são as profissões. Não sei se a minha é uma delas, pelo sim pelo não, esta tarde faço dieta, que é como quem diz, não trabalho.

* Bebo sempre café sem açúcar (muito menos com adoçante), mas às vezes como um pastel de nata. Gosto tanto de partilhar estes factos intreressantes e de incomensurável utilidade da minha vida


sábado, 27 de julho de 2013

Prevenção rodoviária

Sempre que posso, faço uma escapadela e vou nadar "para fora cá dentro". 
Com o carro cheio e com aqueles que mais amamos a bordo, as preocupações com a prevenção rodoviária aumentam. É ponto assente cá em casa, antes de começar qualquer viagem mais longa, verificar o estado dos pneus, níveis de combustível, de óleo, de água (nunca queiram atropelar um enxame de abelhas na auto-estrada, é coisa para vos fazer despejar meio depósito dos esguichos do pára-brisas). Tudo em ordem, xixis feitos - com uma criança a bordo é importante lembrar esse pormenor, cintos apertados, aí vai a família Mirone para essa enorme piscina olímpica que é o nosso país!
Primeira paragem, área de serviço (se alguma vez na vida pensei ter um blog onde a etiqueta mais frequente é área de serviço, é que nem nos meus melhores/piores sonhos). Cafézinho. A reacção do costume. "Uuugh, porque é que o café é sempre péssimo nas áreas de serviço? e caro! Compra uma água fresca para levar, se faz favor. Isto é uma estupidez, deviamos ter bebido café antes de entrar na auto-estrada e trazer água de casa". Mas o erro repete-se, escapadela após escapadela.
A propósito de áreas de serviço e prevenção rodoviária,
noto o trabalho que tem sido feito no que diz respeito à condução sob o efeito de álcool. As leis são cada vez mais rigorosas e restringem o consumo e venda de bebidas alcoólicas nas estações de combustível. Aplaudo!
Ainda assim, sempre que me dirijo à caixa e dou com os olhos nos CDs dos expositores de venda (mas quem é que ouve aquilo? Não sei o que é pior, conduzir bêbado ou com aquela música), dou comigo a pensar no tanto que falta fazer a nível de prevenção rodoviária...