Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que já não tenho a resistência que tinha há uns anos, quando fazia os disparates que entendia e ainda assim mantinha a frescura de uma alface orvalhada. Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que a alface orvalhada caminha a passos largos para couve lombarda velha, dura, enacarquilhada. Lentamente, hoje, tudo à minha volta acontece lentamente, muito lentamente.
Ontem deitei-me tarde. Hoje levantei-me cedo. Não preciso de dormir muitas horas para ficar bem, mas hoje estou realmente a ressentir-me. As sestas durante as férias deram cabo do meu bio-ritmo. Mas isso faz-se em duas semanas? Comigo fez-se. Aquelas duas semanas de sestas e uma noite de três horas.
Já bebi vários cafés, um ao pequeno almoço, outro a meio da manhã e outro a seguir ao almoço. Gostava tanto de ser daquelas pessoas que ficam cheias de energia quando bebem café. Mas não, comigo o café parece que tem o efeito de um copinho de leite quentinho antes de deitar.
Desde a hora de almoço que me encontro nesta modorra, que moleza, apetece-me dormir. L-e-t-a-r-g-i-a... Tento pensar em mil e uma maneiras de acabar de vez com este sono, mas só me ocorre uma solução e logo a mais básica - que é dormir mesmo. E onde? Como? Que disparate, vou lavar a cara com água fria, beber outro café que passa. Não passa, estou a dizer-vos.
A moleza, essa rebelde, quem diria, não me dá tréguas.