Falam-se línguas (translate)

Mostrar mensagens com a etiqueta rebeldia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rebeldia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Rebelde com causa

Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que já não tenho a resistência que tinha há uns anos, quando fazia os disparates que entendia e ainda assim mantinha a frescura de uma alface orvalhada. Lentamente, o corpo começa a dar-me sinais de que a alface orvalhada caminha a passos largos para couve lombarda velha, dura, enacarquilhada. Lentamente, hoje, tudo à minha volta acontece lentamente, muito lentamente.
Ontem deitei-me tarde. Hoje levantei-me cedo. Não preciso de dormir muitas horas para ficar bem, mas hoje estou realmente a ressentir-me. As sestas durante as férias deram cabo do meu bio-ritmo. Mas isso faz-se em duas semanas? Comigo fez-se. Aquelas duas semanas de sestas e uma noite de três horas. 
Já bebi vários cafés, um ao pequeno almoço, outro a meio da manhã e outro a seguir ao almoço. Gostava tanto de ser daquelas pessoas que ficam cheias de energia quando bebem café. Mas não, comigo o café parece que tem o efeito de um copinho de leite quentinho antes de deitar. 
Desde a hora de almoço que me encontro nesta modorra, que moleza,  apetece-me dormir. L-e-t-a-r-g-i-a... Tento pensar em mil e uma maneiras de acabar de vez com este sono, mas só me ocorre uma solução e logo a mais básica - que é dormir mesmo. E onde? Como? Que disparate, vou lavar a cara com água fria, beber outro café que passa. Não passa, estou a dizer-vos. 
A moleza, essa rebelde, quem diria, não me dá tréguas.





segunda-feira, 8 de julho de 2013

16-8-77 LOVY DORA

Tenho reparado que ultimamente é cada vez maior o número de pessoas tatuadas e que cresce o cuidado na escolha dos motivos tatuados e na qualidade da sua execução. Nada como uns minutos numa esplanada à beira mar para as vermos desfilar: tatuagens com motivos tribais, as clássicas carpas, dragões, datas, referências clubísticas, nomes, iniciais entrelaçadas, caracteres chineses, frases árabes, signos, borboletas, flores, golfinhos, estrelas, luas, retratos, santas, terços, crucifixos, caveiras, animais, o que se queira. Sempre me intrigou o que leva alguém a querer marcar o seu corpo de forma definitiva. Normalmente respondem-me que cada tatuagem tem um significado profundo, que  tanto pode ser uma homenagem a alguém, como uma forma de assinalar um acontecimento importante. Que, no fundo é uma forma de arte que querem eternizar no seu corpo. Confiemos então que a pele manterá sempre a firmeza e tonicidade e que a tatuagem conservará as cores e definição do primeiro dia, a bem da arte.
O fenómeno da tatuagem generalizou-se, democratizou-se de tal forma que hoje em dia quase todos temos um familiar, um amigo ou conhecido que ostente uma tatuagem. Porém, há uns anos só os mais rebeldes e corajosos ousavam marcar o corpo daquela maneira.
Hoje tive mais uma prova que, de facto, era assim. Hoje vi um desses bravos. No braço uma cruz que desafiava todas as regras da perspectiva, emoldurada por iniciais toscamente desenhadas, no peito, uma cabeça de cavalo, sim acho que era um cavalo. Num antebraço aquilo que em tempos terá sido uma sereia (?), no outro uma serpente gorda enrolada numa palmeira. Numa coxa, um paraquedas, ou um cogumelo, não percebi bem, na outra, a pièce de résistance, um coração que dizia 16-8-77 "LOVY DORA". Quão rebelde e corajoso é preciso ser-se para cobrir o corpo com frases e figuras escritas e desenhadas por um miúdo de 6 anos? Ao dono dessas tatuagens, uma palavra: Respect!