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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Eu também falo de emigrantes

Tenho aproveitado as férias para conhecer outros povos, outras culturas, nem que os outros povos e as outras culturas estejam aqui mesmo ao meu lado.
E onde estás tu Mirone, perguntam os leitores. Estou em Vila en Medio, só pode ser, no meio de um anúncio de detergente da loiça. De um lado os habitantes de Vila en Riba (muitas habitantes com tudo en riba), do outro os habitantes de Vila en Bajo (ou,Vila en Rabo, que também estão muito bem representados).
Dizia eu que gosto de conhecer outros povos e as suas maneiras de viver e pensar. Nestes dias aprendi uma coisa nova. Aprendi o que quer dizer emigrante. Ou melhor, o que não quer dizer. A conversa ao meu lado, entre duas belíssimas representantes de Vila en Riba, com tudo en riba, portanto, era qualquer coisa como isto:
- Estou deserta que o Gustavo venha, para passarmos uns dias juntos e depois eu sigo com ele uma semana para Bélgica. Custa-me tanto este namoro à distância. Dois anos assim é uma prova muito dura! E para já não temos perspectiva para o regresso. Felizmente está na Bélgica, sempre vai dando para o ir visitando de vez em quando ou ele vir cá. De avião é num instante. Da última vez que fui lá acabámos por ir três dias à Holanda. Adorei.
- Realmente, deve ser complicado. O máximo que estive sem ver o meu namorado foram 10 dias e pensei que ia dar em doida. Nem sei como aguentas. Eu não dava para namorar com um emigrante.
- Emigrante?
- Sim, como tu e o Gustavo.
- Mas o Gustavo não é emigrante, trabalha num banco...

E eu a pensar que emigrantes eram pessoas que iam viver e trabalhar num país estrangeiro. Afinal não é bem assim. Emigrantes devem ser só os que trabalham nas obras ou em limpezas e que chegam de carro em Agosto com roupas e penteados diferentes ou lá o que é que parece que incomoda tanto os autóctones aqui do jardim à beira mar plantado.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A minha cara e o Michael Bolton

Sabem aquelas músicas que não suportamos mas que insistem em não nos sair da cabeça? Estou a escrever-vos este post com o Michael Bolton a cantar em loop o "when a man loves a woman", mas numa versão "when a man loves a car". Estão certamente a dizer "Mas isso é horrível Mirone, como vais conseguir trabalhar?" Eu respondo-vos, não sei, não sei... "Então  e o que pensas fazer para tirar isso da cabeça?" Também não sei. 
Não sei e penso que vai ser difícil, muito difícil. É que desde que saí do carro esta manhã e vi este autocolante no carro estacionado ao lado do meu, a minha vida parou. Estou, como diria o Bono dos U2, "stuck in a moment, and you can't get out of it". Quero pintar o meu carro de branco e espetar-lhe um igualzinho na porta do depósito. Quero ir a um posto de combustível e saber que nunca me vou enganar na escolha da mangueira que devo agarrar, é gazoil, idiota, está aí escrito! E o olho com asas? É a minha cara! Gosto tanto dele que estou a pensar seriamente em usar a fotografia no header do blog. 
Agora digam-me leitores, depois disto, como é que eu vou tirar o Michael Bolton da cabeça?! Não tiro!


Lá está ele a gritar "When a maaaan loves a caaaaar!"