E, convidada para almoçar sushi, sim senhor, que seja, dá-se com este fenómeno.
California de atum em lata.
Falam-se línguas (translate)
sexta-feira, 17 de março de 2017
quarta-feira, 15 de março de 2017
Mas depois só me lembro do Leonardo di Caprio e do Titanic
Tenho tentado ouvir com atenção o que diz Geert Wilders...
Tentei fazer o mesmo com a Marine le Pen e é fácil perceber porque está tão bem posicionada nas sondagens. Será por dar uns ares de Helen Mirren?
Tentei fazer o mesmo com a Marine le Pen e é fácil perceber porque está tão bem posicionada nas sondagens. Será por dar uns ares de Helen Mirren?
quarta-feira, 8 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
Aquilo dos sete anos de azar
Só se aplica aos espelhos, não é? Não se aplica, por analogia, a flutues e copos de vinho que por serem delicados e de grande valor sentimental, não quisemos lavar na máquina, alinhámos na bancada da cozinha para lavarmos à mão, e que inadvertidamente derrubámos com uma cotovelada, num efeito dominó lindo, pois não?
É que assim de repente já me parece azar que chegue.
É que assim de repente já me parece azar que chegue.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Lá se foi o efeito relaxante
Tenho andado com umas dores aborrecidas no pescoço e um destes dias decidi aproveitar a hora de almoço para fazer uma massagem num SPA todo muito holístico-shangrila-lalala. Vou lá com alguma frequência e aquelas massagens, não fazendo bem, mal também não fazem, sempre são uns minutinhos de mimo que nos proporcionamos.
Por coincidência (foi o diabo, o diabo, como diria Ricardo Salgado), estava a decorrer uma espécie de open day, para apresentação de uns novos produtos, e propuseram-me que fizesse antes uma massagem corporal completa, de relaxamento profundo, com uma massagista nova. Em vez dos vinte minutos da massagem que tinha marcada, demoraria perto de uma hora, mas sairia de lá a sentir-me nas nuvens, asseguravam. Pois com certeza, venha daí a massagem corporal completa de relaxamento profundo!
Do tempo todo que lá estive, demorei uns quarenta e cinco minutos a abstrair-me a musiquinha de fundo (barulhinhos de água a correr na natureza parecem-me bem mas dão uma vontade louca de... pois, um stress) e da ideia de ter uma tal de Svetlana a besuntar-me da cabeça aos pés (deve ser a parte da profundidade, só faltou perguntar-me se queria um happy ending, que constrangimento, meus amigos), mas lá para o fim pois que sim senhora, que isto é tudo muito bom, ai que relaxada me sinto, onde é que a Svetlana andou toda a minha vida? E que bem que cheiram estes produtos, que macia está a minha pele! Então diga-me lá, Svetlana, que produtos-maravilha são estes?
Ronhonhó-ronhonhó-enzimas-ronhonhó-colostro bovino...
Mas porque é que eu pergunto estas coisas, porquê?
quinta-feira, 2 de março de 2017
Como o imperador Sérvio Sulpício Galba, bisneto de Quinto Cátulo Capitolino
A cozinha tinha três portas e uma só janela, sobranceira à pequena vinha. No topo das escadas que vinham da adega ficava uma porta que dava para um corredor largo que ligava o corpo principal da casa a uma casa de banho, quarto e sala com saída independente, que Ramiro Ribeiro mandou construir quando a filha casou, na esperança de que esta não trocasse os saudáveis ares do campo por um apartamento na cidade, que ideia a tua, Belinha, a de comprar uma casa onde nem o chão nem o tecto são teus, se esta casa um dia há-de ser toda tua. Para trás das escadas ficava uma segunda porta que dava para a saleta, um quarto pequeno com uma alcatifa rosa-velho, condizente com o papel de parede e o sofá de veludo, uma camilha onde se tomavam algumas refeições ligeiras e que nas noites de inverno escondia uma braseira, um aparador onde estava a televisão e uma pequena mesa veladora que uma vez por mês recebia o oratório da sagrada família em périplo por todas as casas do lugar. A terceira porta dava para o corpo principal da casa. Era uma cozinha ampla, forrada a azulejos brancos até meia altura, com móveis baixos pintados de cor de tijolo e tampos de pedra em todo o seu comprimento e uma mesa redonda no centro. Debaixo da grande chaminé havia espaço para o então moderno fogão com forno a gás e um velho fogão a lenha, de ferro esmaltado castanho, onde se faziam os assados de domingo.
Por aqueles dias faziam-se as grandes limpezas de primavera e preparava-se a casa para receber o compasso quando por alguma das janelas e portas abertas entrou na cozinha Sulpício, o gato da vizinha Celeste, uma pobre desgraçada que casou tarde, quando já ninguém a queria, com um borracho sem fé nem confissão, motivo suficiente para que o temente a Deus Ramiro Ribeiro, vindo da saleta após restauradora sesta no sofá, quisesse correr com ele à vassourada. Sulpício eriçava o pelo assustado, desviava-se como podia da ira de Ramiro, enquanto saltava de cima da mesa para as bancadas, derrubando o que se lhe interpusesse pela frente, em busca da janela por onde tinha entrado, mas não encontrou outra escapatória senão trepando a chaminé de ferro do velho forno a lenha que se estendia para dentro da chaminé de pedra.
Mãe do céu, o que vem a ser esta algazarra, Ramiro? Foi o tinhoso do Sulpício que aqui entrou mas deixa estar, Milinha, que já corri com ele.
Dois dias se passaram, as limpezas concluiram-se, as janelas fecharam-se e de Sulpício nenhum sinal. Por duas vezes perguntou a vizinha Celeste pelo seu Sulpício, por duas vezes Milinha lamentou nada saber que era feito do bichano, duas vezes garantiu que haveria de perguntar ao marido se o tinha visto. Estás doida mulher, alguma vez fazia mal à criatura? Dei-lhe umas valentes vassouradas mas pela maneira como saiu a correr chaminé acima ia cheio de saúde.
O domingo de Páscoa chegou e logo pela manhã Ramiro saiu para colher folhagem dos lírios que cresciam ao fundo da vinha para juncar o caminho que ligava a rua à entrada da casa, e mostrar ao prior que naquela casa se desejava receber a benção do Senhor. Milinha atarefava-se na cozinha que a ocasião pedia um assado e a Belinha, agora de esperanças, devia estar a chegar com Alfredo. Abriu a porta direita do forno, deitou-lhe dentro pinhas, caruma seca, gravetos e cavacas, depois chegou-lhe um fósforo para acender o lume. Ora essa?! Mas será que ao fim de tantos anos logo hoje o fogão havia de começar a fumar mal? Ai que me fica a casa a cheirar a fumeiro. Espera que te digo, amarroto já uns jornais a ver se o fogo arrebita ou não. Ai arrebita sim senhor!
As chamas eram agora fortes, o calor haveria de fazer o fumo subir, não se chamasse ela Emília da Conceição. O calor e o fumo subiam pela chaminé de ferro, quando se ouviu um estrondo seguido d um miar assustado... Catapum, catapum,catapum, méoooooo!
Era Sulpício, o gato da vizinha Celeste que há três dias estava em imposto exílio, encavalitado no topo da chaminé de ferro, dentro da de pedra, temendo pela vida caso se cruzasse com a vassoura de Ramiro, e que agora se via expulso do seu esconderijo pelo fumo quente e denso.
Contou o senhor Ribeiro que regressava do fundo da vinha quando o viu sair da chaminé e correr como um foguete telhado fora.
Enquanto viveu contou a mesma história sempre que algum gato atrevido passou as portas da cozinha. Contou-a à Belinha, contou-a à filha da Belinha, e ainda viveu para contá-la à filha da filha da Belinha, que garante que se um dia tiver um gato há-de chamar-lhe Sulpício, como o gato voador que o bisavô fez trepar a chaminé da cozinha.
No animal was harmed in the making of this post.
Por aqueles dias faziam-se as grandes limpezas de primavera e preparava-se a casa para receber o compasso quando por alguma das janelas e portas abertas entrou na cozinha Sulpício, o gato da vizinha Celeste, uma pobre desgraçada que casou tarde, quando já ninguém a queria, com um borracho sem fé nem confissão, motivo suficiente para que o temente a Deus Ramiro Ribeiro, vindo da saleta após restauradora sesta no sofá, quisesse correr com ele à vassourada. Sulpício eriçava o pelo assustado, desviava-se como podia da ira de Ramiro, enquanto saltava de cima da mesa para as bancadas, derrubando o que se lhe interpusesse pela frente, em busca da janela por onde tinha entrado, mas não encontrou outra escapatória senão trepando a chaminé de ferro do velho forno a lenha que se estendia para dentro da chaminé de pedra.
Mãe do céu, o que vem a ser esta algazarra, Ramiro? Foi o tinhoso do Sulpício que aqui entrou mas deixa estar, Milinha, que já corri com ele.
Dois dias se passaram, as limpezas concluiram-se, as janelas fecharam-se e de Sulpício nenhum sinal. Por duas vezes perguntou a vizinha Celeste pelo seu Sulpício, por duas vezes Milinha lamentou nada saber que era feito do bichano, duas vezes garantiu que haveria de perguntar ao marido se o tinha visto. Estás doida mulher, alguma vez fazia mal à criatura? Dei-lhe umas valentes vassouradas mas pela maneira como saiu a correr chaminé acima ia cheio de saúde.
O domingo de Páscoa chegou e logo pela manhã Ramiro saiu para colher folhagem dos lírios que cresciam ao fundo da vinha para juncar o caminho que ligava a rua à entrada da casa, e mostrar ao prior que naquela casa se desejava receber a benção do Senhor. Milinha atarefava-se na cozinha que a ocasião pedia um assado e a Belinha, agora de esperanças, devia estar a chegar com Alfredo. Abriu a porta direita do forno, deitou-lhe dentro pinhas, caruma seca, gravetos e cavacas, depois chegou-lhe um fósforo para acender o lume. Ora essa?! Mas será que ao fim de tantos anos logo hoje o fogão havia de começar a fumar mal? Ai que me fica a casa a cheirar a fumeiro. Espera que te digo, amarroto já uns jornais a ver se o fogo arrebita ou não. Ai arrebita sim senhor!
As chamas eram agora fortes, o calor haveria de fazer o fumo subir, não se chamasse ela Emília da Conceição. O calor e o fumo subiam pela chaminé de ferro, quando se ouviu um estrondo seguido d um miar assustado... Catapum, catapum,catapum, méoooooo!
Era Sulpício, o gato da vizinha Celeste que há três dias estava em imposto exílio, encavalitado no topo da chaminé de ferro, dentro da de pedra, temendo pela vida caso se cruzasse com a vassoura de Ramiro, e que agora se via expulso do seu esconderijo pelo fumo quente e denso.
Contou o senhor Ribeiro que regressava do fundo da vinha quando o viu sair da chaminé e correr como um foguete telhado fora.
Enquanto viveu contou a mesma história sempre que algum gato atrevido passou as portas da cozinha. Contou-a à Belinha, contou-a à filha da Belinha, e ainda viveu para contá-la à filha da filha da Belinha, que garante que se um dia tiver um gato há-de chamar-lhe Sulpício, como o gato voador que o bisavô fez trepar a chaminé da cozinha.
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