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sexta-feira, 29 de setembro de 2017
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Em loop no meu pensamento desde ontem
TU ME QUIERES BLANCA
Tú me quieres alba,
Me quieres de espumas,
Me quieres de nácar.
Que sea azucena
Sobre todas, casta.
De perfume tenue.
Corola cerrada
Ni un rayo de luna
Filtrado me haya.
Ni una margarita
Se diga mi hermana.
Tú me quieres nívea,
Tú me quieres blanca,
Tú me quieres alba.
Tú que hubiste todas
Las copas a mano,
De frutos y mieles
Los labios morados.
Tú que en el banquete
Cubierto de pámpanos
Dejaste las carnes
Festejando a Baco.
Tú que en los jardines
Negros del Engaño
Vestido de rojo
Corriste al Estrago.
Tú que el esqueleto
Conservas intacto
No sé todavía
Por cuáles milagros,
Me pretendes blanca
(Dios te lo perdone),
Me pretendes casta
(Dios te lo perdone),
¡Me pretendes alba!
Huye hacia los bosques,
Vete a la montaña;
Límpiate la boca;
Vive en las cabañas;
Toca con las manos
La tierra mojada;
Alimenta el cuerpo
Con raíz amarga;
Bebe de las rocas;
Duerme sobre escarcha;
Renueva tejidos
Con salitre y agua;
Habla con los pájaros
Y lévate al alba.
Y cuando las carnes
Te sean tornadas,
Y cuando hayas puesto
En ellas el alma
Que por las alcobas
Se quedó enredada,
Entonces, buen hombre,
Preténdeme blanca,
Preténdeme nívea,
Preténdeme casta.
Tú me quieres alba,
Me quieres de espumas,
Me quieres de nácar.
Que sea azucena
Sobre todas, casta.
De perfume tenue.
Corola cerrada
Ni un rayo de luna
Filtrado me haya.
Ni una margarita
Se diga mi hermana.
Tú me quieres nívea,
Tú me quieres blanca,
Tú me quieres alba.
Tú que hubiste todas
Las copas a mano,
De frutos y mieles
Los labios morados.
Tú que en el banquete
Cubierto de pámpanos
Dejaste las carnes
Festejando a Baco.
Tú que en los jardines
Negros del Engaño
Vestido de rojo
Corriste al Estrago.
Tú que el esqueleto
Conservas intacto
No sé todavía
Por cuáles milagros,
Me pretendes blanca
(Dios te lo perdone),
Me pretendes casta
(Dios te lo perdone),
¡Me pretendes alba!
Huye hacia los bosques,
Vete a la montaña;
Límpiate la boca;
Vive en las cabañas;
Toca con las manos
La tierra mojada;
Alimenta el cuerpo
Con raíz amarga;
Bebe de las rocas;
Duerme sobre escarcha;
Renueva tejidos
Con salitre y agua;
Habla con los pájaros
Y lévate al alba.
Y cuando las carnes
Te sean tornadas,
Y cuando hayas puesto
En ellas el alma
Que por las alcobas
Se quedó enredada,
Entonces, buen hombre,
Preténdeme blanca,
Preténdeme nívea,
Preténdeme casta.
Poema de Alfonsina Storni, a mulher que escrevia "como um homem", quando das mulheres se esperava apenas que escrevessem como mulheres.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Será que ainda vou a tempo de mudar de concelho?
Aproveitei a ausência de Mr. Mirone e o convite que a Mironinho teve para jantar em casa dos avós para me sentar e ler com atenção os panfletos que os candidatos à minha autarquia têm depositado na minha caixa de correio.
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Luz dos meus dias que me dás senão alegrias
-Mamã, lembras-te da última vez que viemos aqui e estava a haver um desfile de bicicletas pasteleiras?
-Lembro! E tu, ainda te lembras porque é que lhes chamavam pasteleiras?
-É porque eram suuuuper pesaaaaaadas e por isso as pessoas iam a pastelar. Assim como se eu tivesse de te arrastar.
Glup...
-Lembro! E tu, ainda te lembras porque é que lhes chamavam pasteleiras?
-É porque eram suuuuper pesaaaaaadas e por isso as pessoas iam a pastelar. Assim como se eu tivesse de te arrastar.
Glup...
domingo, 24 de setembro de 2017
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Ontem havia um indigente a gritar à porta do snack-bar onde almocei
Chegava todas as tardes depois do almoço e sentava-se sempre no mesmo lugar, junto à janela, pedia um carioca de limão, lia o jornal, fazia as palavras cruzadas e quando acabava perguntava se já era hora de fechar. "Ainda falta, senhor Santos, pode ficar, até às seis servimos sempre". Então, levantava-se e aproximava-se do balcão, procurava nos bolsos meia dúzia de moedas escuras para pagar e começava. "Chama-se Margarida, é assim? Sabe que namorei uma Margarida quando tinha dezasseis, dezassete anos? Conheci-a ainda não tinha treze anos e soube logo ali que um dia havia de a namorar. Era linda, uma estampa!". Margarida sorria e deixava-o contar a estória de sempre, que ela já sabia de cor, de como apesar de ser um jovem garboso demorou três anos a conquistar a menina mais bonita de Teixeira Pinto, de como os namoros de então eram muito diferentes do que são agora. Às vezes Margarida aborrecia-se, via o serviço a acumular-se, sentia vontade de lhe acabar as frases para encurtar o relato, mas sabendo que ele não tinha mais ninguém com quem conversar, esforçava-se para que ele não se apercebesse do tédio que a mesma estória contada vezes sem conta causava nela e ouvia-o até ao fim.
Margarida também fingia que não sabia que ele passava fome em casa quando insistia para que comesse qualquer coisa antes de sair. "Sabe bem que depois das cinco oferecemos os bolos e sandes que não se venderam, senhor Santos. Faça-me a vontade, leve esta sandes. E também sobrou sopa, vou guardá-la numa caixinha para levar. Se não quiser dê a alguém que precise".
Há uns meses Margarida teve a ousadia de lhe sugerir um serviço da paróquia que tratava das roupas de quem precisava mais. Ele ofendeu-se, tratou-a mal, chamou-lhe garota, quem era ela para insinuar que precisava de recorrer à caridade alheia, que já teve na vida mais dinheiro do que ela alguma vez poderá imaginar e saiu a gritar que nunca na vida tinha sido tão insultado. Surpreendentemente, continuou a aparecer todos os dias à mesma hora, sujo e roto, falava alto, cuspia no chão, incomodava os outros clientes, a quem Margarida pedia encarecidas desculpas, tentando encontrar desculpas para o indesculpável, continuando a oferecer-lhe sopa para levar para casa, até ao dia em que se cansou do velho pérfido e sujo em que se tornou o pobre diabo de quem um dia teve pena e lhe vedou a entrada, afinal de contas Margarida sabe bem que aquela miséria não se combate com sopas.
Margarida também fingia que não sabia que ele passava fome em casa quando insistia para que comesse qualquer coisa antes de sair. "Sabe bem que depois das cinco oferecemos os bolos e sandes que não se venderam, senhor Santos. Faça-me a vontade, leve esta sandes. E também sobrou sopa, vou guardá-la numa caixinha para levar. Se não quiser dê a alguém que precise".
Há uns meses Margarida teve a ousadia de lhe sugerir um serviço da paróquia que tratava das roupas de quem precisava mais. Ele ofendeu-se, tratou-a mal, chamou-lhe garota, quem era ela para insinuar que precisava de recorrer à caridade alheia, que já teve na vida mais dinheiro do que ela alguma vez poderá imaginar e saiu a gritar que nunca na vida tinha sido tão insultado. Surpreendentemente, continuou a aparecer todos os dias à mesma hora, sujo e roto, falava alto, cuspia no chão, incomodava os outros clientes, a quem Margarida pedia encarecidas desculpas, tentando encontrar desculpas para o indesculpável, continuando a oferecer-lhe sopa para levar para casa, até ao dia em que se cansou do velho pérfido e sujo em que se tornou o pobre diabo de quem um dia teve pena e lhe vedou a entrada, afinal de contas Margarida sabe bem que aquela miséria não se combate com sopas.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Sensibilidade e bom senso
Dou por mim a refletir sobre a físico-química cerebral da sociedade que, do ponto de vista das artes -veja-se a pintura, escultura, música - revelavam uma sensibilidade ímpar, mas que admitia comportamentos que hoje classificamos como desumanos.
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