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terça-feira, 6 de maio de 2014

Duas perguntas

Nunca deixo de me surpreender com os modelos de autocolantes para traseiras de carros. O belíssimo "Safas-te, ou é só beijinhos?", "Sou velhinho mas vou à tua frente", "Se tens pressa, passa por cima", até o "Jesus te ama" são presença assídua um pouco por todas as estradas portuguesas. Mas haveria de chegar o dia em que uma frase  na traseira de um carro me faria pensar mais do que meio segundo. Esse dia chegou. Hoje.
Não consegui tirar fotografia porque ia a conduzir, mas acabei de ver isto colado no pára-choques de um carro:


Respondam-me, se souberem:
1. Isto é algum movimento cívico, ou qualquer coisa do género? É uma citação que devesse conhecer? É que quando pesquisei no google nem precisei de completar a frase, apareceram-me dezenas de imagens.

2. Fico o quê? Como é que isso se faz?

Ai não? Então cala-te!

Não tenho muito mais para dizer, apenas

"The O2 arena, London
Wednesday, 02 Jul 2014 at 6:00PM"

Vou só ali treinar uns passos de dança.



segunda-feira, 5 de maio de 2014

Porque ontem foi Dia da Mãe

Teria três ou quatro anos, menos de cinco com toda a certeza - a minha irmã mais nova ainda não tinha nascido - quando num fim de tarde quente a minha mãe nos foi buscar, a mim e à minha irmã mais velha, ao infantário. Era sexta-feira. Às sextas-feiras, depois de nos ir buscar, a mãe levava-nos a lanchar a uma pastelaria ali perto e depois ia fazer as compras da semana ao supermercado. Talvez naquele dia a minha mãe me tivesse dado um gelado, talvez me tivesse deixado comer um bolo (a minha mãe não gostava que comessemos bolos), talvez não tivesse feito nada daquilo e tivéssemos lanchado a costumeira sandes de queijo ou fiambre, sei que senti uma necessidade súbita de a abraçar e de lhe dizer o quanto gostava dela. Subi-lhe para o colo, segurei-lhe o rosto entre as mãos, olhei-a nos olhos e disse orgulhosa:
- Mãe, és um bocadinho feiita, mas eu gosto tanto de ti!
- Achas a mãe feia? A mãe também acha, mas também gosta muito de ti.

Ontem foi dia da mãe e eu continuo a não encontrar uma frase que traduza tão bem o que sinto por ela como aquela. Ontem, da mesma forma que o faço  das várias vezes que recordamos aquele episódio entre risadas, voltei a dizer-lhe:
- Mãe, és um bocadinho feiita, mas eu gosto tanto de ti!
Que não perca nunca esta capacidade de a amar muito para além do que os meus olhos me mostram.





E não, a minha mãe não é nem nunca foi nenhum camafeu, a dona da tal pastelaria até dizia que ela "dava ares de Sophia Loren" com as maçãs do rosto tão definidas.



sábado, 3 de maio de 2014

Eu só queria aprender a pintar...

(Post de gosto muitíssimo duvidoso. Os mais enjoadinhos façam o favor de carregar na cruzinha do canto e seguir viagem. A culpa é da Loira).

A mim ninguém convida para  passar fins-de-semana num Hotel Concept Resort Fitness Wellness Beauty Trendy Luxury Relaxation Gourmet Boutique Eco Design & Spa, mas não é por isso que deixo de ter experiências agro-chic (eu acho que é mais choque, mas enfim, tudo pelo blogo-glamour), dizia eu experiências únicas e irrepetíveis (queira Deus pai todo poderoso que sim, que se mantenham únicas e irrepetíveis) e inolvidáveis para partilhar com os leitores. Experiências que nos fazem recuar no tempo, ao século passado. Oh, esperem, aconteceu mesmo no século passado, não houve nenhuma viagem no tempo.
Corria o ano mil novecentos e noventa e três da graça do Senhor, e esta que vos escreve frequentava o décimo segundo ano. Bom, nessa altura, havia apenas três disciplinas no décimo segundo ano. Mas tinhas chumbado, Mirone? Estavas a fazer melhoria de notas? Não, nada disso. No décimo segundo ano só havia três disciplinas, que a variavam consoante a área vocacional escolhida. Eu frequentava a área de humanísticas e, sobrando-me tempo com fartura e mantendo-se o "bichinho" das artes a morder-me os calcanhares, a minha mãe sugeriu que fizesse um cursinho de iniciação à pintura, umas aulas particulares, para ocupar o tempo. Tivesse feito um workshop e hoje estaria representada nos principais museus e galerias do mundo. Hélas, cada um é para o que nasce...
Sem a preciosa ajuda da internet, sim, naquele tempo a internet estava longe de ser o que é hoje, perguntámos aqui, perguntámos ali e assim cheguei às aulas de uma pintora conhecida de uma amiga da minha mãe. "Vais gostar dela, Mirone. É uma pessoa muito simples e acessível, muito terra-a-terra, não tem nada tiques de  vedeta nem frescuras de artista".
A senhora era uma figura ímpar e vivia num mundo muito seu, numa quintinha, em total comunhão com a natureza, rodeada de animais domésticos, uma pequena arca de Noé com galinhas, patos, coelhos, gatos, cães, periquitos e cultivando toda a espécie de legumes, era quase auto-suficiente. Entre os muitos animais, havia uma vaca leiteira que a senhora ordenhava diariamente e cujo leite transformava em queijo e manteiga. Um cenário supostamente idílico, para potenciar a minha veia criativa. Durante um mês teria aulas duas manhãs por semana e deveria acabar o mini-curso a dominar as técnicas básicas de pintura a óleo e acrílico. Adiante.
Talvez na segunda ou terceira aula, a vaquinha estava especialmente agitada. Mugia, mugia, não havia meio de se calar. A professora estava em constante vaivém entre o atelier e o estábulo. A certa altura entrou no atelier de forquilha um punho e entregou-me uns botins (as fashionistas agora chamam-lhe galochas). Workshop, galochas? Não, comigo tinha de ser mini-curso e botins. Oh atraso de vida, porque é que não havia blogs para me orientarem no caminho do glamour, porquê?. 
- Vem comigo, Mirone, é uma emergência! A já-não-me-recordo-o-nome-vou-chamar-lhe-Mimosa vai parir.
- Vai parir? E quer que eu a ajude? Eu? Mas eu não percebo nada de vacas, muito menos de partos.
- Tem de ser, já telefonei ao veterinário e ele está a vacinar gado em o-nome-de-uma-aldeola-que-também-não-me-lembro e não pode vir já.
- Mas não é perigoso?
- Não te preocupes, eu faço tudo. Só tens de puxar quando eu te disser. 
Dirigimo-nos ao estábulo. A bichinha estava em visível sofrimento, tinha a bolsa de águas pendurada, ainda intacta, mas já se viam as patinhas do bezerrinho. Eu estava em pânico, congelada, e repetia para dentro "isto não está acontecer, isto não está a acontecer, isto não está a acontecer".
-Afasta-te, vou romper-lhe o saco.
"Isto não está a acontecer, ela não está às forquilhadas à bolsa como um garoto mexicano à paulada a uma piñata ".
Splash!
"Isto não está a acontecer, eu não fiquei com a roupa toda salpicada, eu não fiquei com a roupa toda salpicada".
Entretanto o bezerrinho já tinha as patinhas todas de fora e já se via a ponta do focinho. Fiquei a saber que eles nascem numa posição semelhante à de um nadador quando mergulha para a piscina. E a vaca estava de pé, sempre pensei que parissem deitadas.
- Agarra numa pata que eu agarro noutra Mirone. Agora é que é perigoso, se ficar entalado pelo pescoço.
- Mas eu não tenho luvas.
- Não te preocupes, as tuas mãos estão suficientemente limpas, não é preciso desinfectar.
"Pois estão, e eu queria muito que continuassem assim".
- Puxa, Mirone, puxa!
E eu, que remédio, puxei. A bezerrinha - era menina - nasceu forte e saudável. Não sei qual das duas tinha mais dificuldade em manter-se de pé, se ela se eu. Agradeci a todos os santinhos o facto de a vontade de ser veterinária se ter perdido por volta dos seis anos, quando decidi que queria ser cabeleireira, professora e dona de café, um três-em-um..

E o mini-curso foi útil, Mirone? 
Penso que sim, apesar de nunca mais lá ter voltado. Pelo menos se mais alguma vez me cruzar com uma vaca leiteira em trabalho de parto, já posso dizer que tenho experiência. Foi num mini-curso que aprendi. Se fosse hoje seria um workshop e estaria de galochas, portanto acho que me posso considerar aprovada com distinção.






quinta-feira, 1 de maio de 2014

Retro-agro-chic

Passeava-se a família Mirone por uma zona rural, quando nos cruzamos com um senhor de uma certa idade, num tractor agrícola. Tudo normal, nada a assinalar. Pelo menos para mim, que sempre fui galinha de campo. Já Mr. Mirone, sempre foi menino de cidade...
- Viste?
- Um tractor, o que é que tinha? Nunca viste um tractor, querem ver?
- Num tractor e de blazer?
- És um bocado parvinho, não? De certeza que és daqueles que em miúdo achava que os frangos vinham do supermercado. Há imensos velhotes que usam blaser no campo, todo coçado e velho, ou achas que antigamente havia kispos e blusões? 
- Pois, deve ser um dress code especial, retro-agro-chic. De certeza que deve haver uma tendência com esse nome. Se não há devia haver.


(Diz ele que não lê blogs, imaginem se lesse.)

É só para dizer

... que comecei o dia do trabalhador comme il faut, a trabalhar.
A brincadeira de ontem teve um impacto na minha produtividade que, digamos, ora bem, portanto, não é que tenha sido negativo, mas... vá, não esperava e tive de trazer trabalho para casa. Coisa pouca, é certo, ainda assim obrigou-me a levantar às seis para ter tudo feito antes do pequeno almoço.

Bom feriado!