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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Onde é que eu arranjo uma receita a esta hora?

O amor não escolhe idades, já todos nós sabemos (sabemos, não sabemos?), mas quando se lembra de escolher uma hora, a coisa pode tornar-se um verdadeiro drama.
Ontem antes de ir para casa tive de passar na Farmácia e pude testemunhar como a sorte pode ser madrasta no que diz respeito à escolha da hora do amor.
Dizia um senhor já entradote, entradote mesmo:
- Oh Aninha, mas a menina  já me conhece há tantos anos, olhe que desde que vocês abriram nunca mais fui a outra farmácia... Eu depois trago-lhe a receita.
- Não posso senhor Ribeiro, preciso mesmo da receita.
- Oh Aninha, mas ainda na semana passada levei o Norvasc e não me pediu nada.
- Mas o senhor toma Norvasc há tantos anos, eu sei que traz sempre receita.
- Está a ver Aninha, eu trago sempre receita.
- Não posso senhor Ribeiro. Ainda mais é cardíaco. O senhor não vê as notícias? Olhe que já houve gente que se sentiu mal. Falou nisso ao seu médico assistente? Se cá estivesse a Doutora...
- Oh Aninha, mas já viu as horas? Onde é que eu arranjo uma receita de Viagra a esta hora? É que se for às urgências demoro a noite toda até ser atendido. Não há então um genérico ou assim, que não precise disso?

Entretanto chamaram o meu número, mas fiquei com pena do senhor Ribeiro. Tanta persistência devia ser compensada.




segunda-feira, 15 de julho de 2013

É de fazer parar o trânsito

O telemóvel toca. Atendo.
- Estou?
- Bom dia Mirone, é a mãe, está tudo bem contigo?
- Olá mãe. Está tudo bem. E contigo? É hoje que tens a consulta?
- É, vou sair entretanto e precisava que me fizesses um favor. Preciso que me vás ao Banco entregar um comprovativo de morada, que eles agora pedem isso quase todos os anos. Eu estou um bocadinho atrasada e não sei se consigo passar lá antes das três. Estava a pensar passar aí e dar-te um toque para desceres e entregava-te os documentos para depois tu levares. Fazias-me isso, pode ser?
- Pode, claro. Dá-me um toque quando estiveres a chegar que eu vou descendo e espero-te lá em baixo. Isto agora com as obras é difícil para parar.
Dez minutos depois, chega a minha mãe. Encosta o carro, abre a janela e:
- Estão aqui as fotocópias, entrega-mas no banco, pode ser? Olha, e se puderes passa-me na farmácia e avia-me esta receita. E passa-me no correio e levanta-me este registo, deixa-me só assinar. Espera, deixa-me só encontrar a caneta.
Entretanto, gritam das obras.
- Oh minha senhora, ande lá com o carro, não vê que está a fazer parar o trânsito!
Com a maior das descontracções, a minha mãe responde:
- Parar o trânsito? Era bom, era! Quando era mais nova chegaram a dizer-me que parecia a Sofia Loren! Agora, pffff. Pronto, faz-me isso Mirone. Um beijinho. Depois ligo-te a contar o que o médico disse.

Confirmo. A minha mãe era, e ainda é,  linda!