Falam-se línguas (translate)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Pode ser?

Pessoas que cheiram a cão molhado quando chove:
O vosso cheiro não vos incomoda? Não?! Nem um bocadinho?! Nadinha mesmo? Nada, nada, nada?! Ah, perderam o olfacto por exposição excessiva... Que maçada, deve ser horrível. É horrível, acreditem, pelo menos para quem tem que levar com o vosso cheiro, é dramático.
Então, vamos combinar uma coisa. Uma vez que já estão molhados, aproveitam e passam um sabonete pelo corpo e detergente pela roupa, pode ser?
A vocês não custa nada, há sabonetes ao preço de uma bica, pelo amor da santa! Mas para quem vos rodeia faz toda a diferença.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Valha-me S. Crispim...

... Padroeiro dos sapateiros, que o S. Pedto não me ouve e está a chover.
Como diria a Palmier, por razões cá da minha vida, encontro-me num descampado, ao pé de uma ribeira, nas imediações de uma sinicultura, a acompanhar uma inspecção das autoridades ambientais.
Sabendo ao que vinha, e não possuindo umas galochas fashion (na verdade, nem galochas fashion nem botins ou botas de borracha não fashion, que era assim que lhe chamavam as pessoas que trabalhavam no campo no lugar onde cresci), trouxe umas botas fechadas, sem salto, robustas. 
No momento em que vos escrevo, estou no carro, abrigada da chuvinha miudinha. Lá fora, a inspectora, devidamente equipada, pois que faz isto todos os dias, acabou de escorregar pela margem da ribeira e tem lama até ao pescoço. De nada lhe valeram as galochas. 
Temo pela saúde das minhas botas...
Já agora, caros leitores, podem informar-me qual é o santo padroeiro dos mergulhadores? Acho que nem de escafandro me livrarei de um banho de lama. Pode ser que faça bem à minha pele ( que à das botas, tenho sérias dúvidas).

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Produtividade

Desenvolvi ao longo dos anos uma capacidade ímpar de procrastinar. É uma coisa profundamente egoísta, bem sei, mas neste momento qualquer idiotice parece ser mais interessante e importante do que o que verdadeiramente preciso de fazer. Tenho uma série de coisas para organizar durante esta semana, de maneira que a primeira coisa que decidi fazer foi mergulhar na internet. Minto-me e digo que se trata de uma pesquisa, que será muito útil, quando na verdade sei que é distracção pura e dura. É uma espécie de recreio que me concedo, mesmo antes de começar as aulas. Na escola havia uma campainha que nos dizia que o recreio tinha acabado, agora a campainha toca apenas na minha cabeça, mas como não sou dessas pessoas que ouvem coisas e sobretudo porque posso, estou a ignorá-la e continuo no recreio. O meu corpo pagará a falta de juízo da minha cabeça.
Entretanto passei pelo facebook. Assim de repente hoje já vi 3 fotografias de perfil que devem ter, no mínimo, 30 anos. Não estou a falar de fotografias de infância, estou a falar de pessoas com perto de 60 anos que usam como fotografia de perfil a fotografia da primeira carta de condução, ou tirada na festa de fim de ano do liceu. Não sei porque o fazem. Será para que os antigos colegas os reconheçam. Com mais 20 kg, outras tantas rugas e cabelos brancos - quando ainda existem - e uma farta bigodaça ninguém saberia que aquele Mário Antunes é o "Marinho Crazy" que organizava as excursões à Serra da Estrela, que a Lurdes Ferreira era a Milu Lopes). Será que não se sentem confortáveis com os tais 20 kg a mais e as rugas que entretanto se instalaram e querem lembrar-se e ser lembrados tal como eram  nos anos em que estiveram no seu melhor? Mas será que o seu melhor aspecto foi com aquele penteado, naquela pose de torcicolo, pois que pelo menos uma das orelhas deveria ficar visível, com os óculos tortos para que não fizessem reflexo (truques de fotógrafo quando os programas de tratamento de imagem eram uma miragem). 
Submersa nestes pensamentos lembrei-me que há uns meses "descobri" a ultimate procrastination app, que é como quem diz, uma aplicação idiota cujas horas roubadas à produtividade é proporcional aos momentos de diversão proporcionados. Chama-se Yearbook Yourself e, como o nome indica, permite fazer montagens de fotografias ao melhor estilo dos antigos anuários dos liceus americanos.
Não preciso de vos dizer o que estou a fazer há mais de meia hora...


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

E a seguir?

Estou no banco e tenho quatro pessoas à minha frente até ser atendida.
Ao meu lado está um senhor a cortar as unhas com um corta unhas preso num porta-chaves com umas vinte chaves das mais variadas formas e tamanhos. A discrição em pessoa, portanto. Click, tchilim-tchilim, click, tchilim-tchilim. O que é que vai fazer quando acabar? Descalçar-se e cortar as unhas dos pés? Ou guardar as aparas e começar a palitar os dentes?
Aceitam-se apostas...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Se Maomé não vai à montanha...

... a montanha vai a Maomé.
Andará a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em tournée pelo país?
Peço desculpa pela má qualidade da imagem, mas foi tirada em andamento (não era eu que estava a conduzir).


Corajosa, hein?

Hoje almocei numa zona de esplanadas.
Vinda de não sei muito bem onde, surge uma toxicodependente grávida a mendigar. Não consegui atribuir-lhe uma idade. Magra, desdentada, tresandava. De olhos vidrados, colava-se às mesas, de mão esticada, enquanto gemia algo imperceptível. A gerente do restaurante apercebeu-se e, de imediato, pediu-lhe que se afastasse, que não podia estar ali a mendigar. 
A fulaninha fingia que não ouvia e continuava de mão estendida à frente dos olhos dos comensais. A gerente insistia, de forma educada mas firme, pedindo-lhe que saísse ou teria de chamar a polícia. A outra com ar desafiador, empurrava-a com a barriga mas acaba por se encaminhar para a esplanada do restaurante ao lado.
A empregada que estava às mesas pediu-lhe que saísse, a rapariga fez orelhas moucas. Vem o gerente e diz-lhe que não pode estar ali, que saia. Ela ignora-o. Ele volta a dizer-lhe que saia.
Eu estava francamente incomodada, a pensar no que seria a vida daquela desgraçada e da sua criança se, efectivamente, vier a nascer.
Então começo a ouvir gritos. Era ela, novamente com a técnica do empurrão com a barriga, que desafiava o dono do restaurante. "O que é que foi, pá? Não saio! Não tenho dinheiro, estou só a pedir, só dá quem quer! O que é que vais fazer? Vais bater-me, vais? Vais bater numa mulher? Numa grávida? Palhaço! Vai pró c#&%&/$, seu m%$/&!".
O dono do restaurante manteve-se calmo, mostrou um sangue frio incrível. Deu-se a coincidência, ou não,  de passar um carro de patrulha, e a rapariga pôs-se a andar.
Não imagino como teria terminado o episódio se a polícia não tivesse chegado entretanto. A rapariga parecia disposta a agredir o dono do restaurante. Se este ripostasse, haveria de se fazer de vítima, pobre grávida indefesa, vitima de violência.
Enojou-me. Não porque estivesse suja, não porque fedesse, mas porque não vi mais que premeditação, maldade e egoísmo na sua atitude. Não consegui ter qualquer espécie de dó ou empatia pelo sofrimento que ela pudesse sentir. Quis muito dar-lhe dinheiro, muito, para que o gastasse todo em droga, e que se matasse de uma vez. 
Há poucas coisas que me irritem mais do que estas atitudes provocadoras de gente cobardolas armada em corajosa que, na primeira oportunidade que lhe surja, se fará passar por vítima.
Hoje foi a mendiga. Podia ser o puto bully que humilha e agride o colega na escola, mais tarde em ambiente de trabalho, o troll da internet. Infelizmente, constato que estamos rodeados de "corajosos" deste calibre.