Pessoas que cheiram a cão molhado quando chove:
O vosso cheiro não vos incomoda? Não?! Nem um bocadinho?! Nadinha mesmo? Nada, nada, nada?! Ah, perderam o olfacto por exposição excessiva... Que maçada, deve ser horrível. É horrível, acreditem, pelo menos para quem tem que levar com o vosso cheiro, é dramático.
Então, vamos combinar uma coisa. Uma vez que já estão molhados, aproveitam e passam um sabonete pelo corpo e detergente pela roupa, pode ser?
A vocês não custa nada, há sabonetes ao preço de uma bica, pelo amor da santa! Mas para quem vos rodeia faz toda a diferença.
Falam-se línguas (translate)
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Valha-me S. Crispim...
... Padroeiro dos sapateiros, que o S. Pedto não me ouve e está a chover.
Como diria a Palmier, por razões cá da minha vida, encontro-me num descampado, ao pé de uma ribeira, nas imediações de uma sinicultura, a acompanhar uma inspecção das autoridades ambientais.
Sabendo ao que vinha, e não possuindo umas galochas fashion (na verdade, nem galochas fashion nem botins ou botas de borracha não fashion, que era assim que lhe chamavam as pessoas que trabalhavam no campo no lugar onde cresci), trouxe umas botas fechadas, sem salto, robustas.
No momento em que vos escrevo, estou no carro, abrigada da chuvinha miudinha. Lá fora, a inspectora, devidamente equipada, pois que faz isto todos os dias, acabou de escorregar pela margem da ribeira e tem lama até ao pescoço. De nada lhe valeram as galochas.
Temo pela saúde das minhas botas...
Já agora, caros leitores, podem informar-me qual é o santo padroeiro dos mergulhadores? Acho que nem de escafandro me livrarei de um banho de lama. Pode ser que faça bem à minha pele ( que à das botas, tenho sérias dúvidas).
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
E o resto?
Ontem choveu. Está a chover. Vai chover o dia todo. Amanhã vai chover. Depois de amanhã também. Passa nos noticiários e boletins meteorológicos.
Ainda assim, há pessoas que saem de casa sem chapéu de chuva ou impermeável e andam em passo apressado na rua a tentar fugir da chuva. Elas com a mala ou um saquinho a tentar tapar a cabeça. Eles com o jornal ou só a mão um nadinha acima da testa. O corpo pode ficar encharcado, aquele pedacinho de cabelo logo acima da testa é que não!
São tantas as perguntas que ficam sem resposta...
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Espelho meu, espelho meu...
O que é que foi? Para onde é que estão a olhar? Nunca apanharam umas pinguinhas de chuva no cabelo?
É a circular, que não há aqui nada para ver!
É a circular, que não há aqui nada para ver!
Ai agora a estupidez chama-se azar? Pois...
Então Mirone, como te corre a vida?
Mal!
Oh, de mau humor logo pela manhã? Então, mas hoje é sexta feira, até te levantas mais cedo, porque sabes que quanto mais cedo começares a trabalhar, mais cedo te despachas e, com sorte, a meio da tarde entras de fim de semana!
Rrrrrr, era essa a ideia...
Então, se é assim o que é que estás a fazer em casa a esta hora?
Vim mudar de roupa que tive um azar...
Um azar?
Sim, um azar! O que é que foi, nunca tiveste um azar com a roupa? Um azar!
Então?
Então, acontece que eu vi nas previsões meteorológicas que davam chuva e vento para hoje, que grande parte do país estava sob aviso amarelo durante esta sexta e amanhã. Mas lembrei-me que as pessoas gostam de dar nomes pomposos às coisas e de se alarmar por motivo nenhum e que o alerta amarelo é o segundo numa escala de quatro, que vem logo depois do verde (Já agora, alerta verde?! Ui tenham lá cuidado que vai estar um dia bem agradável, sem vento, sem chuva, com temperaturas amenas. Alerta verde?! Pelo amor da santa!). E que estava um dia bem bom para vestir umas calças de sarja bege! E lembrei-me que a pergunta do Mr Mirone "vais sair assim?" era perfeitamente despropositada, que nunca antes tinha dado palpites sobre o que visto, que também não seria hoje. Também me ocorreu que hoje era um bom dia para me armar em fashionista, e pensei que com aquelas calças era melhor calçar uns sapatos de salto alto, porque com calças claras e sabrinas, se uma pessoa for gorda vai parecer ainda maior e que, portanto, devia calçar uns sapatos bem altos, daqueles que alongam a perna e tiram 5 kg virtuais. De qualquer maneira vou passar o dia todo no escritório, nem tenho de andar muito...
Ãh, ãh, tiram 5 kg... fia-te na virgem e não faças dieta...
5 kg virtuais, uma pessoa endireita as costas e fica mais alta e com melor postura. Se calhar nunca ouviste isso, querem lá ver?
Então e o azar? Se até estavas mais elegante isso é uma sorte.
O azar é que os sapatos têm uma sola escorregadia, e que a escolinha da Mironinho fica numa rua inclinada, com calçada, que com esta chuva também não facilita a vida a quem anda de saltos. E afinal não eram só chuviscos como eu pensava que seriam, estava a chover, quase a chegar ao portão da escola veio uma rajada de vento que arrastou um jornal ou folheto de supermercado, ou sei lá, era um papel colorido e eu quis desviar-me num golpe de cintura. Só que trazia a Mironinho numa mão e o chapéu de chuva e a mala noutra, pus o pé em falso e estatelei-me no chão. Com toda a gente a ver! Sujei as calças beges e torci o pé!
Doeu muito, a queda?
Doeu, na alma! Agora tive de vir a casa mudar de roupa e sapatos. Se isto não é azar é o quê?
Pois, azar, agora chama-se azar...
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Arlindo Orlando <3 Sónia Sandra!
Muitos anos depois, e já na companhia de Célio Celso, Sónia Sandra haveria de recordar a noite fria em que Arlindo Orlando a pediu em casamento. Sim, adoro Gabriel Garcia Marquez!
Muitos anos depois, e já na companhia de Célio Celso, Sónia Sandra haveria de recordar a noite fria em que Arlindo Orlando a pediu em casamento. Sim, adoro Gabriel Garcia Marquez!
Corria o ano de 2001 e Sónia Sandra acordara naquela madrugada gelada de Janeiro cheia de planos para um dia que se adivinhava longo. Haveria de se fazer à sua querida A1, enfrentar o nevoeiro e o frio para na velha Universidade ter um cansativo dia de aulas, que começaria às nove da manhã para só terminar às seis da tarde. Regressaria depois a Lisboa onde o seu namorado Arlindo Orlando e conservadora família a esperavam para um jantar comemorativo do seu (Arlindo Orlando) aniversário.
O dia adivinhava-se longo, portanto, mas a perspectiva de o terminar nos braços do seu amado assegurava-lhe todas as forças de que precisava. Sónia Sandra era uma jovem mulher feliz!
Como jovem mulher feliz que se sentia, nem o triste episódio do furo daquela manhã, abalava o sentimento de plenitude que a invadia. Nem o facto de, atrasada que chegou, só ter conseguido estacionamento numa ruela estreita, atrás da Faculdade. Nem a omelete gordurosa que comeu num snack-bar ali ao lado, à hora de almoço, e que pagou com as poucas moedas que lhe restavam na carteira (mas onde está uma caixa multibanco quando precisamos dela?). Nem o ardor, primeiro ligeiro, depois mais forte que sentia no olho esquerdo. Sónia Sandra estava feliz, corria-lhe a vida de feição.
No fim das aulas, correu ao WC para trocar de roupa e aprimorar a maquilhagem. Arlindo Orlando reservara mesa num badalado restaurante e Sónia Sandra não queria apresentar-se com os discretos jeans e cara "deslavada" com que comparecera nas aulas. Ademais, queria estrear o vestido preto (Carolina Herrera, se não estou em erro) adquirido recentemente numa promoção irresistível do El Corte Inglés de Vigo (nem uma palavra, é um destino tão válido quanto qualquer outro) na última passagem de ano. Caramba Sónia Sandra, aquilo do vestido preto funciona mesmo. Pareces uma senhora, elegante, sofisticada! Ooops! Uma malha nos collants (Sónia Sandra até podia sentir-se uma senhora sofisticada, mas as suas nádegas não se compadeciam com a aragem fria de Janeiro, por muito sensual que lhe parecesse a ideia de usar meias e cinto de ligas em vez de collants)! Não havia problema, Sónia Sandra, além de jovem mulher feliz era também previdente e levara consigo um par suplente. Collants rotos no lixo, collants novos nas pernas, aproxima-se do espelho para se maquilhar. Oh não! O ligeiro ardor que sentira no olho a meio da manhã e que começava a tornar-se mais incomodativo ao longo do dia era nada mais que uma conjuntivite! Imediatamente tirou as lentes de contacto e pôs os seus óculos. Deu uma cor às maçãs do rosto, passou baton nos lábios e não arriscou sequer uma máscara de pestanas. Nunca tinha tido conjuntivite, mas sabia que não era coisa para se brincar. Usaria os seus óculos pretos, de massa, os únicos suficientemente fortes para suportarem os pirex que usava como lentes (que triste é ser-se míope desde os 10 anos). Sónia Sandra quis acreditar que os óculos lhe conferiam até um certo ar intelectual. Não, não haveria de parecer mal no jantar de aniversário de Arlindo Orlando.
Confiante e em passo apressado (entre outras habilidades Sónia Sandra era perita em enfrentar calçadas antigas e irregulares de saltos altos), que em Janeiro às seis e meia já é noite, dirige-se ao carro. Novo contratempo. Esquecera-se de recolher os espelhos retrovisores, erro crasso numa rua estreita, já devia saber, e alguém lho tinha partido. Sem medos Sónia Sandra, és uma mulher decidida e independente! Pancadinha daqui, jeitinho dali e o espelho, outrora pendurado por um fio, estava perfeitamente encaixado no lugar de onde nunca deveria ter saído.
Seguia agora tranquila na A1. Dentro de duas horas poderia beijar o seu querido Arlindo Orlando. Logo depois de Condeixa o retrovisor começa a dar sinais da sua frágil condição. Abrandou a velocidade, Ainda estava com tempo. A 120/130 km/hora chegaria bem a tempo do jantar. O abrandamento, porém, não foi suficiente e, na área de serviço de Pombal, teve de sair e voltar a encaixar o espelho. Aguentaria até perto de Leiria, onde voltou a parar para consertar o espelho. Ao chegar a Fátima já o espelho estava novamente pendurado. Tinha de arranjar outra solução. Parou na área de serviço de Santarém. É incrível, no meio de tanta bugiganga à venda nas lojas de conveniência nem um único rolo de fita cola! Mas o espelho não podia seguir pendurado, iria estragar-lhe a pintura do carro, além do perigo que representava. Sónia Sandra teve então uma ideia que, sabendo disparatada, era a única que lhe parecia exequivel. Maldisse-se por ter deixado os collants estragados no cesto do WC da Faculdade. Ter-lhe-iam sido tão úteis. Bonito! Está a pôr-se uma chuva miudinha, era mesmo o que eu precisava para a viagem. O meu cabelo! Estiquei-o esta manhã! Estava tão lisinho. O que tem de ser tem muita força Sónia Sandra! Dirigiu-se ao WC, tirou os collants e improvisou com eles uma amarra para o espelho. Já não mexe! Amanhã logo procuro uma oficina que me encaixe o espelho como deve ser. Agora é prego a fundo que ainda tenho de passar num centro comercial a arranjar meias.
A restante viagem, efectivamente, correu bem e sem outros sobressaltos. Não foi tão rápida quanto calculou, por causa da chuva, e apesar do ar curioso do portageiro quando o viu, o espelho aguentou-se no seu lugar. Estava a passar o aeroporto quando o telefone toca. Era o seu amado Arlindo Orlando, a saber se ainda demorava, que já só faltava ela, Sónia Sandra. Estou a chegar, estou mesmo a chegar.
"Voou" como pôde até ao restaurante. Rezou para que ninguém reparasse que não trazia meias e com a segurança possível entra no restaurante.
À sua espera, Arlindo Orlando, acompanhado dos pais, irmão, cunhada e avó, recebe-a com um abraço apertado. Sónia Sandra era novamente uma jovem mulher feliz.
- Agora que chegaste, meu amor, e aproveitando o facto de ter a família comigo, quero dizer que és a mulher mais bonita que já vi e que o maior presente que me podias dar neste aniversário é aceitares passar o resto da tua vida a meu lado.
E foi assim que Sónia Sandra, sem meias, de cabelo frisado, óculos com lentes de fundo de garrafa e olho de goraz com uma semana fora do frigorífico, soube que era junto de Arlindo Orlando que queria envelhecer, com os Igor Romeu e Petra Priscila que Deus lhes quisesse dar.
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