Desenvolvi ao longo dos anos uma capacidade ímpar de procrastinar. É uma coisa profundamente egoísta, bem sei, mas neste momento qualquer idiotice parece ser mais interessante e importante do que o que verdadeiramente preciso de fazer. Tenho uma série de coisas para organizar durante esta semana, de maneira que a primeira coisa que decidi fazer foi mergulhar na internet. Minto-me e digo que se trata de uma pesquisa, que será muito útil, quando na verdade sei que é distracção pura e dura. É uma espécie de recreio que me concedo, mesmo antes de começar as aulas. Na escola havia uma campainha que nos dizia que o recreio tinha acabado, agora a campainha toca apenas na minha cabeça, mas como não sou dessas pessoas que ouvem coisas e sobretudo porque posso, estou a ignorá-la e continuo no recreio. O meu corpo pagará a falta de juízo da minha cabeça.
Entretanto passei pelo facebook. Assim de repente hoje já vi 3 fotografias de perfil que devem ter, no mínimo, 30 anos. Não estou a falar de fotografias de infância, estou a falar de pessoas com perto de 60 anos que usam como fotografia de perfil a fotografia da primeira carta de condução, ou tirada na festa de fim de ano do liceu. Não sei porque o fazem. Será para que os antigos colegas os reconheçam. Com mais 20 kg, outras tantas rugas e cabelos brancos - quando ainda existem - e uma farta bigodaça ninguém saberia que aquele Mário Antunes é o "Marinho Crazy" que organizava as excursões à Serra da Estrela, que a Lurdes Ferreira era a Milu Lopes). Será que não se sentem confortáveis com os tais 20 kg a mais e as rugas que entretanto se instalaram e querem lembrar-se e ser lembrados tal como eram nos anos em que estiveram no seu melhor? Mas será que o seu melhor aspecto foi com aquele penteado, naquela pose de torcicolo, pois que pelo menos uma das orelhas deveria ficar visível, com os óculos tortos para que não fizessem reflexo (truques de fotógrafo quando os programas de tratamento de imagem eram uma miragem).
Submersa nestes pensamentos lembrei-me que há uns meses "descobri" a ultimate procrastination app, que é como quem diz, uma aplicação idiota cujas horas roubadas à produtividade é proporcional aos momentos de diversão proporcionados. Chama-se Yearbook Yourself e, como o nome indica, permite fazer montagens de fotografias ao melhor estilo dos antigos anuários dos liceus americanos.
Não preciso de vos dizer o que estou a fazer há mais de meia hora...
Não preciso de vos dizer o que estou a fazer há mais de meia hora...