Tenho reparado que ultimamente é cada vez maior o número de pessoas tatuadas e que cresce o cuidado na escolha dos motivos tatuados e na qualidade da sua execução. Nada como uns minutos numa esplanada à beira mar para as vermos desfilar: tatuagens com motivos tribais, as clássicas carpas, dragões, datas, referências clubísticas, nomes, iniciais entrelaçadas, caracteres chineses, frases árabes, signos, borboletas, flores, golfinhos, estrelas, luas, retratos, santas, terços, crucifixos, caveiras, animais, o que se queira. Sempre me intrigou o que leva alguém a querer marcar o seu corpo de forma definitiva. Normalmente respondem-me que cada tatuagem tem um significado profundo, que tanto pode ser uma homenagem a alguém, como uma forma de assinalar um acontecimento importante. Que, no fundo é uma forma de arte que querem eternizar no seu corpo. Confiemos então que a pele manterá sempre a firmeza e tonicidade e que a tatuagem conservará as cores e definição do primeiro dia, a bem da arte.
O fenómeno da tatuagem generalizou-se, democratizou-se de tal forma que hoje em dia quase todos temos um familiar, um amigo ou conhecido que ostente uma tatuagem. Porém, há uns anos só os mais rebeldes e corajosos ousavam marcar o corpo daquela maneira.
Hoje tive mais uma prova que, de facto, era assim. Hoje vi um desses bravos. No braço uma cruz que desafiava todas as regras da perspectiva, emoldurada por iniciais toscamente desenhadas, no peito, uma cabeça de cavalo, sim acho que era um cavalo. Num antebraço aquilo que em tempos terá sido uma sereia (?), no outro uma serpente gorda enrolada numa palmeira. Numa coxa, um paraquedas, ou um cogumelo, não percebi bem, na outra, a pièce de résistance, um coração que dizia 16-8-77 "LOVY DORA". Quão rebelde e corajoso é preciso ser-se para cobrir o corpo com frases e figuras escritas e desenhadas por um miúdo de 6 anos? Ao dono dessas tatuagens, uma palavra: Respect!