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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Alexa Meade

Já aqui vos falei das minhas "não-capacidades" e dotes artísticos no campo das belas-artes. Do bem que fiz em nunca ter dado ouvidos à psicóloga que me fez os testes vocacionais.
Depois vejo isto e tenho a certeza de que fiz a escolha certa.

É o trabalho de uma artista fantástica, Alexa Meade.
Sigam o link para saberem mais.
Ou vejam http://www.youtube.com/watch?v=UMn2q35HBeQ

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ao que isto chegou...

Não gosto nada deste tipo de chavões, "ao que isto chegou", "é o país que temos", mas neste momento não me ocorre mais nada.
Bom, até  me ocorre.  Podia citar Charles Dickens, em A Tale of Two Cities e dizer  "It was the best of times, it was the worst of times.". Naturalmente, daria especial ênfase à parte do "worst of times", mas depois haveriam de achar que era uma grandessíssima pedante, a armar ao pingarelho. De qualquer maneira, o que se passou e que aqui deixo em forma de desabafo, não merece Dickens. Por mim, ficará com um "ao que isto chegou".
Nestes últimos dias tenho partilhado no blog episódios que, nada tendo de extraordinário, saem da rotina e por isso lhes dou destaque. Já mais que uma vez recebi comentários do género "mas onde é que andas?", "é no que dá viver em sítios pobres". Tinha para mim que eram episódios pontuais, excepções, que não senhora, moro e trabalho em locais seguros e, em regra, não frequento por zonas problemáticas. Mas hoje sou obrigada a dar a mão á palmatória. Vivo na selva, estou entregue à bicharada.  Ao que isto chegou, senhores leitores!
Pois que no meu prédio há vizinhos com elevado sentido de estética que, suponho (se calhar os motivos são outros, quem sabe, preguiça de ir aos correios, duas portas ao lado, pedi-lo),  não querendo perturbar a linha arquitectónica da fachada, optaram por não colocar nas caixas do correio o autocolante amarelo "publicidade não endereçada, aqui não". Contudo, não gostando também de publicidade não endereçada, suponho também que têm vidas muitíssimo atarefadas que não lhes permite fazer a selecção do correio no recato do lar e optam por fazê-lo no hall do prédio. Por isso, em reunião de condomínio, a maioria dos proprietários decidiu que se adquiriria uma papeleira, onde as pessoas que não querem colocar o tal autocolante, possam deixar os mil e um catálogos que diariamente lhes chegam à caixa de correio. 
Escusado será dizer que nunca a linha arquitectónica do hall do prédio foi tão valorizada. Na verdade, pondero propor à assembleia de condóminos a redenominação e afectação da utilização do hall como galeria de arte . Num prédio onde a limpeza (e consequente esvaziamento da papeleira) é feita duas vezes por semana é maravilhoso dar de caras com semelhante instalação sempre que se entra no prédio. É uma obra colectiva e penso que se chama "papeleira a abarrotar". Devo estar a maçar-vos com este discurso sobre arte. Bem sei, não é assunto para todos. Adiante. 
A minha tristeza, a minha revolta, aquilo que me deixa sem palavras senão "ao que isto chegou", foi constatar que esta semana roubaram a papeleira. Uma papeleira?! Quem é que rouba uma papeleira?! Que gente é esta? Que tempos são estes?
Ao que isto chegou! É o país que temos!




Bom, a condição de galeria de arte mantém-se. A nova instalação chama-se "Amontoado de panfletos publicitários no cantinho junto às caixas de correio".

segunda-feira, 8 de julho de 2013

16-8-77 LOVY DORA

Tenho reparado que ultimamente é cada vez maior o número de pessoas tatuadas e que cresce o cuidado na escolha dos motivos tatuados e na qualidade da sua execução. Nada como uns minutos numa esplanada à beira mar para as vermos desfilar: tatuagens com motivos tribais, as clássicas carpas, dragões, datas, referências clubísticas, nomes, iniciais entrelaçadas, caracteres chineses, frases árabes, signos, borboletas, flores, golfinhos, estrelas, luas, retratos, santas, terços, crucifixos, caveiras, animais, o que se queira. Sempre me intrigou o que leva alguém a querer marcar o seu corpo de forma definitiva. Normalmente respondem-me que cada tatuagem tem um significado profundo, que  tanto pode ser uma homenagem a alguém, como uma forma de assinalar um acontecimento importante. Que, no fundo é uma forma de arte que querem eternizar no seu corpo. Confiemos então que a pele manterá sempre a firmeza e tonicidade e que a tatuagem conservará as cores e definição do primeiro dia, a bem da arte.
O fenómeno da tatuagem generalizou-se, democratizou-se de tal forma que hoje em dia quase todos temos um familiar, um amigo ou conhecido que ostente uma tatuagem. Porém, há uns anos só os mais rebeldes e corajosos ousavam marcar o corpo daquela maneira.
Hoje tive mais uma prova que, de facto, era assim. Hoje vi um desses bravos. No braço uma cruz que desafiava todas as regras da perspectiva, emoldurada por iniciais toscamente desenhadas, no peito, uma cabeça de cavalo, sim acho que era um cavalo. Num antebraço aquilo que em tempos terá sido uma sereia (?), no outro uma serpente gorda enrolada numa palmeira. Numa coxa, um paraquedas, ou um cogumelo, não percebi bem, na outra, a pièce de résistance, um coração que dizia 16-8-77 "LOVY DORA". Quão rebelde e corajoso é preciso ser-se para cobrir o corpo com frases e figuras escritas e desenhadas por um miúdo de 6 anos? Ao dono dessas tatuagens, uma palavra: Respect!