quarta-feira, 6 de maio de 2015

O urbanismo dos finais dos anos 80 em toda a sua glória

A avenida onde moro é, na sua maioria, composta por prédios construídos nos finais desse período glorioso a nível de desastres urbanísticos que foram os idos anos 80 e início dos anos 90 do século passado (credo, há tanto tempo, parece que estou a falar do terramoto de 1775, pobre Marquês de Pombal, que teria uma síncope se cá viesse ver isto). 
Com PDM e PP muito rudimentares, basicamente, havendo terreno livre apresentava-se o projecto, pagavam-se as licenças e edificava-se. Ganhavam os construtores, ganhavam as Câmaras, ganhava o cidadão que via cumprido o seu direito constitucional à habitação, os bancos que emprestavam dinheiro. Uma alegria! 
Mas, voltando à glória urbanística da minha avenida. Na minha avenida há prédios identificados com número de lote e prédios identificados com número de porta. Ou seja, há lote 7 e n.º 7, sendo que o n.º 7 pode ser numa ponta da avenida e o lote com o mesmo número ser na ponta oposta. Pode também o lote 11 ser a meio da avenida e o lote 13 ser ao fundo da mesma, com uns quantos números pelo meio. Simples, simples, o sonho de qualquer carteiro, estafeta, condutor de ambulâncias, enfim qualquer pessoa que precise de se deslocar a uma morada específica e tenha aprendido, como aprendi na escola primária, que de um lado da rua estão os números ímpares e do outro ficam os pares, que os números de porta são seguidos ou, eventualmente intercalados com letras, 31, 31A, 31B, 33.
De maneira que é isto, perco a conta ao número de vezes que vejo na vitrine do átrio correspondência do prédio homónimo e que aqui foi deixada por engano. Suponho que a minha esteja a ser entregue no local certo, porque vivo num sexto andar e o outro prédio homónimo só tem 4 pisos. Ainda assim não me livro de ter de explicar aos senhores das entregas do continente on-line que a morada está certa, verifiquem se estão a procurar por número ou por lote.

12 comentários:

  1. Querida Mirone,
    A confusão é idêntica com os números 1.01.1.11.
    Beijo,
    Outro Ente.

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    1. No Parque das Nações, Avenida Atlântica, baahhhhh, é horrível.

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  2. Same here!
    Com a agravante de que a câmara se lembrou de uniformizar tudo - e dar novos números que já estavam repetidos nos lotes. Além de eliminar as moradas "urbanização X", substituindo sempre pelas ruas. Ora então eu passei a ter duas moradas.
    urbanização A, lote 19 - a de sempre.
    rua B, nº 17 - a de agora.

    O carteiro é novo e anda com tendência de deixar as cartas noutro lado qualquer - que não nos 17 nem nos 19.

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    1. É para promover o espírito de vizinhança, assim passam a saber o nome uns dos outros e a falar todos os dias. :)))
      (por acaso acho que a minha câmara devia tratar dessa uniformização)

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  3. Perdi-me, que a esta hora ainda só estou a 10% da minha capacidade mental. Mas prometo ler com atenção.
    Onde moro (zona dita recente) antes eram lotes 23, 25, etc.. e agora são números.
    Toca o telefone: "está lá, aqui é x e y. É só uma perguntinha: é numero 6 ou lote 24?"
    Oh amigos... que tal fazer um esforço e olhar para cima da porta que estão lá o dois números!!!!
    Mas já leio com atenção!!

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    1. Aqui as portas estão identificadas, umas com lote outras com número. A confusão acontece porque em vendo os algarismos os estafetas não reparam se é n.º ou lote.
      Aqui não houve renumeração, o problema foi esse, lotes e números de polícia convivem alegremente, pares e ímpares todos em feliz confraternização.

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  4. Isso quer dizer que ao local já foi aplicado o número de policia, pelo que o que está errado são os lotes.
    Ou seja, a coisa começa com um Alvará de Loteamento, o espaço é loteado, há cedências para espaços verdes, vias, equipamentos e passeios e há os lotes; mais tarde vêm os números de polícia e os nomes de rua e todos os lotes são obrigados a mudar de número, para número de policia. Os números pares ficam do lado direito da rua e os ímpares do lado esquerdo, quando se está virado para norte (em Lisboa a bitola é o rio).
    Supostamente, aquando da atribuição dos números de polícia, toda a documentação pessoal tem de ser alterada, porque cai definitivamente por terra os números de lote... mas só supostamente!

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    1. Mais ou menos Ella. Aqui não é/foi bem assim. Ainda antes do loteamento já havia números de polícia, mas eram moradias e um ou outro prédio, espaçados entre si por terrenos pertencentes a vários proprietários. Entretanto a construção aumentou e começaram a fazer-se loteamentos para juntar os vários terrenos num só ou dividir outros em vários lotes, que deram lugar a vários prédios. Esses prédios mantiveram o número do lote. Assim, numa rua onde havia de um lado os números de polícia pares e do outro os ímpares (é assim em todo o lado), passaram a existir entre os números de polícia já existentes, prédios com números pares ou Ímpares, consoante o número que lhe tenha sido atribuido aquando do loteamento.
      Ou seja, antigamente havia o n.º 23, terreno, n.º 25, n.º 27, terreno, n.º 29. Nos terrenos deveriam ter nascido os n.ºs 23A, 23B, mais à frente o 27A, 27B, 27C.
      Mas o que acontece é que em vez de 23, 23A, 23B, 25, 27, 27A, 27B, 27C, 29, os prédios apresentam esta numeração, 23, lote 1, lote 2, 25, 27, lote 6, lote7, lote 8, 29.
      Eu acho mesmo que se devia respeitar a númeração de polícia já existente, mas aparentemente muito pouca gente pensará assim e a situação mantém-se igual desde os tais anos 80/90.

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    2. Outra coisa, Ella, estamos a falar dos anos 80, isso da cedência de espaços para estacionamento, espaços verdes, equipamentos, era uma espécie de modernice, uns lirismos de uns senhores lá nos gabinetes deles, nas câmaras mais pequenas havia outras influências.
      A avenida já existia, e tinha nome números de polícia, a maneira como se edificou é que foi muito suis generis. :DDDD

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    3. É fazer tábua rasa do existente e numerar tudo novamente... outra dor de cabeça, bem sei!

      Quanto ao lirismo existente nessa altura... transformou-se no caos de agora.
      Um bom exemplo disso é onde moram os meus pais, inicialmente um bairro de moradias com garagem própria viu nascer tipo cogumelos bastantes prédios cujas garagens não foram associadas às fracções habitacionais (agora, felizmente isso já não é possível, a não ser que existam mais garagens que habitações)... aquela zona do bairro é intragável, cada vez que por lá se passa é uma gincana pegada...

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    4. Eu não me importava nada se fizessem a renumeração, acho quue já devia ter sido feita há muito tempo, mas devo ser a única pessoa a pensar nisso, a maior parte das pessoas não está para ter o trabalho de ter de actualizar a morada em todo o lado, de maneira que lá vão devolvendo as cartas erradas e deixam andar..

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    5. A culpa é da câmara por dois motivos: o 1º é não renumerar (é uma obra municipal) e o 2º é o sector de fiscalização não andar em cima de quem não aplicou a nova numeração!

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