Azul e preto, o vestido é mesmo azul e preto.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Luto*
Ligou-me há poucos minutos a avó de Mr. Mirone a contar, consternada, que morreu a sua vizinha Amélia, sozinha, no hospital, com pneumonia, que no funeral realizado esta tarde não estavam mais de dez pessoas.
Conheci-a há 8 anos, exactamente como era agora, mulher de poucas falas, magra, baixinha, com o cabelo branco, muito curto, de olhos encovados, curvada sobre si mesma. Como de si mesma era uma sombra. Não porque tivesse perdido o viço da juventude, mas porque cada passo lento e arrastado, inseguro, instável, doloroso era tão só a projecção do que tinha sido todo a sua vida.
Nasceu em noite escura de temporal, como a noite negra, fria. A mãe julgou-a morta. Valeu-lhe uma parteira tão crente quanto experiente que quis batizá-la, não fosse o anjinho perder-se no purgatório e lhe sentiu a respiração. O pai rejeitou-a, como antes rejeitou a irmã, esperava um filho homem, que pudesse perpetuar o nome da família, porque era tão só do nome que se tratava, não lhe eram conhecidas riquezas nem propriedades. Casou cedo para fugir do pai violento. Não teve melhor sorte, Amélia. Contava às poucas vizinhas com quem falava que o marido só lhe deu duas coisas na vida, tareia e amantes. Nunca teve filhos, "Nem Deus me quer bem, senão tinha-me dado a esmola de alcançar". Há seis meses enviuvou e vestiu-se de um negro cerrado que nunca tirou. Chorou durante dias a fio. Tornou-se ainda mais triste, fechou-se em casa e até as poucas saídas que o marido a autorizava fazer, poucas mais do que as indispensáveis, padaria, supermercado e farmácia, quis pôr de parte. "Ó dona Amélia, mas porquê esse luto carregado, se ele era tão mauzinho para si?". Dizia que o luto não era por ele, era por si que se sem lutar se deixou matar a vida toda.
Amélia foi a enterrar hoje, à chuva, vestida de negro, como nasceu. Cobriu-se de lama a urna que a vai guardar.
*Lu-to:
(substantivo masculino)
1. (latim luctus, -us)Sentimento de perda, pesar, pela morte de alguém. Trage usado em sinal de luto morte de alguém. Período subsequente à morte de alguém em que é costume usar esse trage ou limitar alguns comportamentos. Período durante o qual um indivíduo consegue desligar-se progressivamente da perda de um ente querido. Sofrimento ou desgosto.
2. (latim luctim, -i) Massa argilosa usada para tapar hermeticamente fendas de vasilhas. Lama, lodo.
(1.ª pessoa singular do presente do indicativo do verbo lutar)
Lutar
(verbo)
1.(latim luctor, -ari) Travar luta. Esforçar-se, empenhar-se. Opor-se a, oferecer resistência. Trabalhar com afinco. Questionar, discutir.
2. (latim luto, -are) Revestir com luto. Tapar com luto. Revestir com lama, de barro ou argila.
Lutou·to 1
(latim luctus, -us)
Confrontar: loto.(latim luctus, -us)
substantivo masculino
1.
Sentimento, pesar pela morte de alguém.
=
NOJO
2.
Traje usado em sinal de luto pela morte de alguém.
=
DÓ
3.
Período após a morte de alguém em que é costume usar esse traje ou limitar determinados comportamentos.
=
DÓ, NOJO
4.
[Psicanálise]
Processo durante o qual um indivíduo consegue desligar-se progressivamente da perda de um ente querido.
5.
Sofrimento ou desgosto.
lu·to 2
(latim lutum, -i, lama, lodo)
(latim lutum, -i, lama, lodo)
substantivo masculino
Massa argilosa para tapar hermeticamente fendas de vasilhas.
"luto", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/luto [consultado em 26-02-2015].
u·to 1
(latim luctus, -us)
Confrontar: loto.(latim luctus, -us)
substantivo masculino
1.
Sentimento, pesar pela morte de alguém.
=
NOJO
2.
Traje usado em sinal de luto pela morte de alguém.
=
DÓ
3.
Período após a morte de alguém em que é costume usar esse traje ou limitar determinados comportamentos.
=
DÓ, NOJO
4.
[Psicanálise]
Processo durante o qual um indivíduo consegue desligar-se progressivamente da perda de um ente querido.
5.
Sofrimento ou desgosto.
lu·to 2
(latim lutum, -i, lama, lodo)
(latim lutum, -i, lama, lodo)
substantivo masculino
Massa argilosa para tapar hermeticamente fendas de vasilhas.
"luto", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/luto [consultado em 26-02-2015].
Momento Calimero!
Numa vida passada, se a tive, devo ter sido um soldado inglês. Ou detective privado. Ou tarado. Ou não fui nada disso e simplesmente gosto de gabardines. Gosto mesmo, tenho várias, umas mais clássicas, outras menos.
No ano passado, logo em Março, comprei uma para a Primavera, gira, gira, gira, e quem disser o contrário é porque não percebe nada de gabardines giras, giras, giras, adiante, mas achei-a um bocado fresca para Março, que ainda estava frio, e depois quando veio o calor, achava-me muito vestida com ela. Acabei por a vestir apenas duas vezes.
Não é justo!!!!!
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Diz que é serviço público
A RTP2 está, no preciso momento em que vos escrevo, a passar um programa espanhol chamado "A cavalo", dedicado a assuntos equestres. Já mostrou uma coudelaria de puros sangue espanhóis na Extremadura, já mostrou como se trata um casco doente de cavalo, e acabei de ver um segmento onde se entrevistou um criador de mulas, as melhores de espanha, assegura o senhor, cruzamento do burro andaluz com a égua espanhola, Mostrou uma aldeia dedicada ao turismo equestre e agora está a passar um segmento com um promissor atleta a competir no campeonato espanhol juvenil de saltos.
É isto...
Não tenho coração para estas modernices
Como qualquer mãe babada farto-me de tirar fotografias à Mironinho, na maior parte das vezes com o telemóvel, que é o que tenho sempre à mão. E tenho o telemóvel sincronizado com o google.
Há pouco abri a conta pessoal e vi que tinha uma notificação, qualquer coisa como "recebeu uma fotografia (ou um ficheiro, não me recordo, que ainda estou com o coração aos pulos) de autodiversão".
Autodiversão? Mas quem é essa gente, como é que arranjaram o meu e-mail pessoal? Deixa cá ver... Espera lá, mas é a Mironinho!!!!!!!!!!!! Oh meu Deus, como é que estes tarados arranjaram estas fotos?!
Eram fotografias inocentes, que lhe tirei enquanto fazia caretas e palhaçadas, mas o meu coração disparou. Ainda demorei uns segundos até perceber o que era, que não eram tarados nenhuns a fazer sequências animadas de fotografias tiradas à socapa, mas garanto-vos que foi um valente susto.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Coisinha mais linda, riquezas de sua mulher
Ainda não percebi quem pegou a doença a quem, se o pai à filha, se a filha ao pai.
Pessoas da genética, esclareçam-me, há algum gene responsável pelo domínio do comando da televisão? Se ganhasse um rebuçado por cada vez que dou comigo à procura do comando da televisão debaixo das almofadas do sofá porque suas excelências se ausentaram deixando-a ligada num canal que não quero ver já estaria diabética.
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